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Porte de arma é aprovado para 10 novas profissões no Brasil e autorização vai ficar mais fácil

O porte de arma foi aprovado para 10 novas profissões no Brasil.
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Porte de arma Profissões
O porte de arma foi aprovado para 10 novas profissões no Brasil. Crédito: Divulgação
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O porte de arma avançou para trabalhadores de dez profissões diferentes no Brasil. Projetos que beneficiam essas categorias já receberam aprovação em alguma etapa da Câmara dos Deputados ou do Senado e podem mudar a forma como esses profissionais solicitam autorização para andar armados.

Uma das principais alterações está justamente em um dos pontos que hoje dificultam a concessão do porte: a necessidade de demonstrar à Polícia Federal que o interessado exerce uma atividade profissional de risco ou enfrenta ameaça concreta à própria integridade.

Caso os projetos concluam a tramitação e entrem em vigor, algumas categorias poderão ter o risco profissional reconhecido de maneira mais direta. Dessa forma, o exercício da profissão poderá ganhar peso maior durante a análise do pedido.

Entretanto, não existe uma única lei liberando o porte para as dez profissões. São propostas diferentes, em fases distintas no Congresso. Portanto, as aprovações ocorridas até agora não significam que todos esses trabalhadores já receberam autorização automática para portar armas.

Porte de arma é aprovado para 10 profissões

Os projetos que avançaram no Congresso alcançam trabalhadores de áreas bastante diferentes. Algumas propostas receberam aprovação em comissões, enquanto outras chegaram a etapas mais avançadas da Câmara ou do Senado, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

A lista inclui:

  • empresários;
  • microempreendedores individuais (MEIs);
  • oficiais de justiça;
  • corretores de imóveis;
  • advogados;
  • médicos veterinários;
  • agentes de trânsito;
  • fiscais ambientais;
  • vigilantes e agentes da segurança privada;
  • tabeliães e registradores de cartórios.

Cada profissão, contudo, aparece em uma proposta própria. Por isso, os requisitos e o estágio de tramitação não são iguais para todos os grupos.

Porte de arma para empresários e MEIs é aprovado

Empresários e empreendedores estão entre os grupos alcançados pelas propostas que avançaram na Câmara.

O PL 5.438/2025 trata da concessão de porte de arma para empresários e proprietários de estabelecimentos comerciais. Em agosto de 2026, a Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado aprovou um substitutivo ao projeto.

Ao texto também foram anexadas outras propostas. Uma delas é o PL 1.020/2026, que inclui empresários, microempresários e microempreendedores individuais.

A aprovação, porém, não transforma o CNPJ ou o registro como MEI em uma autorização automática para andar armado. O conjunto de propostas ainda precisa avançar nas etapas restantes do processo legislativo.

Oficiais de justiça têm porte de arma aprovado

Os oficiais de justiça estão entre as categorias que tiveram avanço mais significativo.

Em 13 de agosto de 2026, o Plenário da Câmara dos Deputados aprovou o PL 5.415/2005, que inclui esses profissionais entre as categorias contempladas pelo porte de arma de fogo. A matéria segue para análise do Senado.

A proposta relaciona a mudança aos riscos encontrados durante o cumprimento de ordens judiciais, como buscas, penhoras, citações, intimações e outras determinações expedidas pela Justiça.

Apesar da aprovação na Câmara, a mudança ainda não entrou em vigor nacionalmente.

Porte para corretores de imóveis 

Os corretores de imóveis também aparecem entre as profissões com projeto aprovado em comissão.

O PL 942/2026 prevê a concessão de posse e porte de arma para profissionais registrados no Conselho Regional de Corretores de Imóveis (Creci). Em junho de 2026, a Comissão de Segurança Pública aprovou um substitutivo à proposta. Depois disso, o projeto seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

A proposta cita situações como visitas a imóveis isolados, atendimento a pessoas desconhecidas e plantões externos.

Ainda assim, o texto impõe condições. Entre elas estão registro profissional ativo, comprovação da necessidade ligada ao trabalho, idoneidade, capacidade técnica e aptidão psicológica.

Advogados têm porte de arma aprovado

Os advogados aparecem em outra proposta que avançou no Congresso.

O PL 2.734/2021 busca alterar o Estatuto da Advocacia e o Estatuto do Desarmamento para estabelecer regras de porte de arma destinado à defesa pessoal desses profissionais.

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou o projeto em 2025, e a matéria seguiu para análise da Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania.

Um dos principais pontos prevê que a comprovação do exercício regular da advocacia possa servir para demonstrar a efetiva necessidade do porte. Mesmo assim, requisitos como aptidão psicológica e capacidade técnica continuam previstos.

Médicos veterinários também entram na lista

Médicos veterinários também tiveram uma proposta aprovada na Comissão de Segurança Pública da Câmara.

O PL 5.976/2025 estabelece a concessão de porte de arma para profissionais da categoria. Atualmente, o projeto aguarda a designação de relator na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

Pelo texto, o profissional precisaria comprovar o exercício da atividade, apresentar certidões criminais e demonstrar capacidade técnica e aptidão psicológica.

A justificativa da proposta destaca especialmente veterinários que trabalham em propriedades rurais, estradas e regiões mais afastadas.

Porte de arma aprovado para agentes de trânsito

Os agentes de trânsito também poderão ganhar regras próprias.

O PL 2.160/2023 altera o Estatuto do Desarmamento e inclui esses profissionais entre as categorias autorizadas a portar arma de fogo.

A Comissão de Segurança Pública do Senado aprovou parecer favorável ao projeto em abril de 2026. Atualmente, a matéria está na Comissão de Constituição, Justiça e Cidadania, onde permanece em tramitação.

Assim, a aprovação ocorrida até agora ainda não representa liberação definitiva do porte para todos os agentes de trânsito.

Fiscais ambientais têm proposta aprovada

Os fiscais ambientais formam outra categoria contemplada pelos projetos em andamento.

O PL 5.911/2025 pretende incluir agentes de fiscalização ambiental da União, dos estados, do Distrito Federal e dos municípios entre as hipóteses previstas para porte de arma.

Em abril de 2026, a Comissão de Segurança Pública aprovou um substitutivo à proposta. O projeto seguiu para a Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O texto foi apresentado com base nos riscos que os autores afirmam existir em atividades de inspeção, fiscalização e operações realizadas em regiões isoladas ou envolvendo infrações ambientais.

Vigilantes podem conseguir porte inclusive fora do serviço

Os vigilantes e agentes de segurança privada também conseguiram avanço na Câmara.

Em março de 2026, a Comissão de Segurança Pública aprovou uma proposta que reconhece essas profissões como atividades de risco e prevê a possibilidade de porte pessoal de arma de fogo inclusive fora do horário de serviço.

A mudança faz parte do PL 2.480/2025. A matéria já passou pelas comissões de Trabalho e de Segurança Pública e está pronta para pauta na Comissão de Constituição e Justiça e de Cidadania.

O reconhecimento da profissão como atividade de risco pode facilitar justamente a demonstração da necessidade do porte. Porém, isso não significa concessão automática.

Porte de arma para profissionais de cartórios é aprovado

Tabeliães e registradores também estão entre os profissionais contemplados.

O PL 3.125/2025 pretende assegurar o porte de arma aos notários e registradores titulares de delegação de serviços extrajudiciais.

A Comissão de Segurança Pública aprovou um substitutivo ao projeto em março de 2026. Posteriormente, o relator na Comissão de Constituição e Justiça apresentou parecer favorável, e a matéria está pronta para pauta na comissão.

Portanto, apesar dos avanços, a proposta ainda precisa concluir sua tramitação para produzir efeitos.

Por que a autorização para porte de arma pode ficar mais fácil?

Atualmente, o porte de arma para defesa pessoal não depende apenas da vontade do interessado. Um dos pontos centrais do processo é demonstrar a chamada efetiva necessidade.

É justamente essa etapa que parte dos projetos pode modificar para determinadas profissões.

Quando a legislação reconhece uma atividade como de risco ou estabelece um procedimento próprio para uma categoria, a profissão pode passar a ter peso maior na justificativa apresentada durante o pedido.

No projeto destinado aos advogados, por exemplo, a comprovação do exercício regular da atividade pode servir para demonstrar a necessidade prevista na proposta. Em outros projetos, o reconhecimento da profissão como atividade de risco exerce função semelhante.

Porém, não existe uma regra única para as dez categorias. Cada projeto estabelece suas próprias condições.

Quais exigências continuam valendo para conseguir a autorização?

Mesmo que todos os projetos sejam aprovados definitivamente, isso não significa necessariamente que qualquer trabalhador dessas categorias poderá comprar uma arma e começar a carregá-la sem outras exigências.

Entre os requisitos previstos atualmente ou presentes nas propostas estão:

  • comprovação de idoneidade;
  • apresentação de certidões de antecedentes;
  • aptidão psicológica;
  • capacidade técnica para manusear arma de fogo;
  • comprovação do exercício profissional;
  • documentação e registro da arma;
  • cumprimento das demais condições determinadas pela legislação.

Assim, a possível facilitação está principalmente na forma de demonstrar o risco ou a necessidade do porte, e não na eliminação geral dos critérios de segurança.

Porte de arma já está liberado para as 10 profissões?

Ainda não. O que existe até setembro de 2026 são projetos que receberam aprovação em diferentes etapas da Câmara e do Senado.

No caso dos oficiais de justiça, por exemplo, o texto já passou pelo Plenário da Câmara. Outras categorias tiveram suas propostas aprovadas apenas em comissões e ainda precisam avançar pelo Congresso.

Por isso, continuam valendo as regras atuais enquanto cada projeto não concluir a tramitação necessária para entrar em vigor.

Caso as mudanças se tornem lei, essas profissões poderão contar com regras específicas para solicitar o porte de arma. Em parte dos casos, o reconhecimento do risco ligado ao trabalho poderá tornar mais simples justamente a etapa de comprovação da necessidade da autorização.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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