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Novos dados apontam a Serra com a 2ª cidade mais afetada pelo tarifaço

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Dados mostram a Serra entre os municípios mais afetados pelo tarifaço dos EUA
Levantamento com base em dados de 2024 já apontava a Serra entre os municípios mais afetados pelo tarifaço dos EUA
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A Serra aparece ao lado de Piracicaba, em São Paulo, entre os municípios brasileiros mais afetados pelo tarifaço dos Estados Unidos. O dado é de um cruzamento da Amcham Brasil com informações do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), feito pela CNN Brasil. Na Serra, o item mais atingido é a categoria de obras de pedra, gesso, cimento, amianto e mica, que inclui a rocha ornamental. O município exportou US$ 116,6 milhões nesses produtos aos Estados Unidos em 2026. Esse valor fica sujeito à sobretaxa de 37,5%.

A tarifa é resultado de duas medidas. A primeira, de 25%, entrou em vigor em 22 de julho, com base em uma investigação por práticas comerciais que os Estados Unidos consideram desleais por parte do Brasil. Já a segunda, de 12,5%, começou dois dias depois, sob a alegação de que o país falha no combate ao trabalho forçado em cadeias produtivas. Somadas, as duas chegam a 37,5% sobre a fatia de produtos atingida, que representa cerca de 16,5% de tudo que o Brasil exporta aos Estados Unidos.

Ranking de 2024 subestimava o impacto

Levantamentos publicados por diferentes veículos nos últimos dias, com base no recorte de exportações de 2024, colocavam a Serra na 4ª posição entre os municípios mais afetados pelo tarifaço, com US$ 216,2 milhões na mira da sobretaxa. Porém, um cruzamento mais recente, feito pela Amcham Brasil com dados do MDIC referentes ao primeiro semestre de 2026, muda esse cenário. Ao comparar os municípios líderes em cada categoria de produto atingida pela tarifa, a Serra aparece ao lado de Piracicaba como as duas cidades que mais se destacam no país. Isso sugere que o impacto real sobre o município pode ser maior do que o número de 2024 indicava.

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Aço fica de fora da conta

O aço é o maior produto exportado pela Serra aos Estados Unidos. Só no primeiro semestre de 2026, o município vendeu US$ 352 milhões em ferro e aço aos americanos. Ainda assim, esse valor não entra no tarifaço. O ferro fundido está na lista de produtos isentos das duas sobretaxas, ao lado de café, carnes, suco de laranja e frutas, segundo o MDIC.

O motivo é simples: o aço brasileiro já paga uma tarifa separada e mais alta desde junho de 2025, de 50%, aplicada pelos Estados Unidos com base na Seção 232 da legislação americana, que trata o metal como questão de segurança nacional. Essa cobrança não tem relação com o tarifaço de julho. Além disso, ela já vinha pressionando as exportações do setor antes da nova disputa comercial.

Por que a pedra pesa tanto na Serra

A rocha ornamental é historicamente um dos setores mais dependentes do mercado americano no Espírito Santo e a Serra é dona do maior polo de beneciamento de rochas do páis. Granito e mármore já pagavam 25% antes da nova rodada de tarifas. Com a chegada da cobrança de 12,5%, o quartzito, que tinha sido poupado, também passou a ser taxado. Isso elevou a cobrança total para até 37,5% em parte das exportações.

O Espírito Santo teve 503 produtos afetados pela sobretaxa de 12,5%. Juntos, eles somam mais de R$ 5,5 bilhões, o equivalente a 38,2% das exportações capixabas aos Estados Unidos, segundo o Observatório da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes). O presidente da Associação Brasileira de Rochas Naturais (Centrorochas), Tales Machado, afirma que a situação exige acompanhamento. Ainda assim, ele lembra que o preço não é o único fator que define a compra do produto brasileiro.

Estados Unidos continuam como maior comprador da Serra

Apesar da tarifa, os Estados Unidos ainda são, disparado, o principal destino das exportações da Serra. Só no primeiro semestre de 2026, o país comprou US$ 474,7 milhões em produtos da cidade, somando aço, pedra e outros itens. Esse valor supera a soma dos seis maiores compradores seguintes: França, Alemanha, Polônia, Espanha, Reino Unido e México juntos.

No cenário nacional, por outro lado, cerca de 52,7% das exportações brasileiras aos Estados Unidos escaparam das duas sobretaxas. No primeiro semestre de 2026, o Brasil vendeu US$ 17,4 bilhões aos americanos, uma queda de 13% em relação ao mesmo período do ano anterior. Segundo o MDIC, essa retração foi puxada principalmente pela redução nos embarques de petróleo bruto.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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