Nos passos do presidente

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Por Yuri Scardini

Pouco mais de um mês do Governo Bolsonaro, o que é possível avaliar? O recorte é curto, mas é fato que Bolsonaro tem muitos desafios, como conter a violência e dar jeito na economia fraturada, para continuar tendo apoio popular e governabilidade.

No primeiro mês Bolsonaro facilitou à posse de armas. Medida questionável, pois armar a população é política ambígua de segurança e divide as opiniões, ainda mais entre os mais vulneráveis, como mulheres, gays e negros. Até uma estapafúrdia comparação de armas com um liquidificador foi feita.

Tem o pacote anticrime do ‘superministro’ Sérgio Moro. Também alvo de polêmica (como tudo que o ex-juiz fará daqui em diante) e as medidas ganharam elogios e críticas. Se haverá resultados objetivos só o futuro dirá. Mas é certo que o tema segurança pública foi alvo atenção neste primeiro momento.

No campo econômico, a ida de Bolsonaro a Davos foi mais discreta do que a expectativa. Foi breve e deu um ‘toco’ nos jornalistas internacionais. Mas marcou presença e mantém aparentemente uma animação no mercado. O grande desafio segue sendo a Reforma da Previdência, que em 2019 deve consumir três vezes mais recursos que Saúde, Educação e Segurança juntos.

O ministro da economia, Paulo Guedes já está negociando nas diversas frentes. Um dos gargalos está no que tange aos militares (presentes em peso no Governo). Eles apresentam muita resistência para abdicar de privilégios. A categoria significa quase 50% do rombo previdenciário, porém apoiou Bolsonaro em peso. Se a Previdência não for equalizada, a liquidez financeira do Brasil vai ser estrangulada. E Bolsonaro vai desidratar rápido.

No campo moral-ético, que tem profundos reflexos na governabilidade, uma vez que está condicionada ao apoio popular e a bandeira da anticorrupção, o Governo Bolsonaro nomeou ministros com currículo duvidoso, alguns investigados e outros até réus. O que amolece seu discurso eleitoral. Além das questões que envolvem o filho e senador Flávio Bolsonaro (PSL) e o motorista Fabrício Queiroz, entre outras coisas é acusado de envolvimento com milícias do Rio.

No campo político, Bolsonaro se saiu bem. Costurou com Rodrigo Maia (DEM) e derrubou o senador Renan Calheiros (MDB), que perdeu a eleição do Senado para Davi Alcolumbre (DEM). Agora é aguardar para ver os novos lances deste controverso presidente.

 

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