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Nissan vai fechar 7 fábricas e demitir 20 mil funcionários

Nissan vai fechar sete fábricas e demitir 20 mil funcionários.
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Nissan vai fechar sete fábricas e demitir 20 mil funcionários. Crédito: Divulgação
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A Nissan iniciou uma profunda redução de sua estrutura mundial que deverá eliminar cerca de 20 mil postos de trabalho e retirar sete fábricas de sua atual rede global de produção.

O plano já provocou o encerramento da fabricação de veículos em algumas unidades e continuará avançando até 2028. Outras plantas têm data definida para interromper as linhas de montagem nos próximos anos.

Com as mudanças, a fabricante japonesa pretende reduzir sua rede industrial de 17 para 10 fábricas. Paralelamente, a Nissan corta despesas administrativas, diminui níveis de gestão e reorganiza áreas de logística, engenharia e desenvolvimento de veículos.

A companhia tenta, dessa maneira, voltar a operar de forma lucrativa depois de registrar prejuízos bilionários e enfrentar queda nas vendas em mercados importantes.

Nissan vai demitir 20 mil funcionários

O programa de redução de pessoal ganhou proporções maiores conforme a situação financeira da Nissan se deteriorou.

Inicialmente, a montadora informou que eliminaria aproximadamente 9 mil empregos em diferentes operações pelo mundo.

Depois, em maio de 2025, a companhia acrescentou aproximadamente 11 mil vagas ao plano de cortes.

Assim, a redução passou a alcançar cerca de 20 mil trabalhadores, número que na ocasião correspondia a aproximadamente 15% da força de trabalho considerada pela empresa.

Os desligamentos, porém, não acontecem todos ao mesmo tempo.

A Nissan distribuiu os cortes entre fábricas, escritórios, centros administrativos, logística, armazenagem e diferentes níveis de gerenciamento, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Na Europa, por exemplo, aproximadamente 900 postos entraram no processo de redução anunciado em maio de 2026.

Além disso, a montadora diminuiu camadas administrativas com o objetivo de reduzir despesas e acelerar decisões internas.

Sete fábricas deixarão a estrutura da Nissan

As mudanças atingem diretamente a capacidade industrial da fabricante.

A Nissan decidiu trabalhar com apenas 10 fábricas dentro de sua nova estrutura mundial, contra 17 anteriormente.

Isso representa a retirada de sete unidades do atual sistema de produção.

Contudo, todas não necessariamente terão o mesmo destino. Algumas fábricas simplesmente deixarão de montar veículos, enquanto outras poderão passar por venda, reorganização ou transferência de seus modelos para complexos maiores.

Ao mesmo tempo, a montadora também pretende diminuir drasticamente sua capacidade produtiva.

A estrutura global, que tinha capacidade aproximada para 3,5 milhões de veículos por ano, deverá funcionar futuramente em um nível próximo de 2,5 milhões.

A Nissan busca, portanto, manter uma rede industrial mais compatível com seu atual volume de vendas.

Nissan já encerrou produção em uma das fábricas

A redução da estrutura mundial já alcançou a América do Sul.

Em outubro de 2025, a Nissan encerrou a produção de automóveis na fábrica de Santa Isabel, na Argentina.

A montadora utilizava o complexo para fabricar veículos desde 2018.

Entretanto, a companhia decidiu concentrar sua produção latino-americana em outras unidades.

Com isso, Santa Isabel se tornou uma das primeiras fábricas atingidas diretamente pelo novo plano industrial da empresa.

Fábrica histórica também deixou de produzir

Outra grande mudança ocorreu no México.

Em março de 2026, a Nissan encerrou a fabricação de veículos na planta de CIVAC, uma das unidades mais antigas da companhia fora do Japão.

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A fábrica havia iniciado suas atividades em 1966 e acumulava aproximadamente 60 anos de história.

Durante esse período, mais de 6,5 milhões de veículos passaram pelas linhas de montagem do complexo.

Após interromper a produção em CIVAC, a Nissan decidiu concentrar uma parcela maior de suas operações mexicanas no complexo industrial de Aguascalientes.

Outras fábricas da Nissan têm data para encerrar produção

O Japão também ocupa posição central no plano de redução industrial.

Uma das próximas unidades atingidas será a fábrica de Shonan, administrada pela Nissan Shatai.

A companhia prevê encerrar a fabricação de veículos no local até março de 2027.

A unidade concentrava parte da produção de veículos comerciais e contava com aproximadamente 1.200 trabalhadores.

Posteriormente, outra fábrica histórica deixará de produzir automóveis.

A Nissan pretende interromper as linhas da unidade de Oppama até março de 2028.

Fábrica funciona desde 1961

A decisão envolvendo Oppama chama atenção pela importância histórica da fábrica para a Nissan.

A unidade iniciou suas operações em 1961 e se transformou em um dos complexos industriais mais conhecidos da montadora japonesa.

Ao longo de diferentes períodos, aproximadamente 3.900 trabalhadores atuaram no local.

Além disso, a planta possui capacidade para fabricar cerca de 240 mil veículos anualmente.

Oppama também teve participação importante na expansão dos carros elétricos.

Foi nessa fábrica que a Nissan começou, em 2010, a produção do Leaf, modelo que se tornou um dos primeiros automóveis elétricos fabricados em grande escala mundialmente.

Prejuízos bilionários pressionaram a Nissan

A decisão de reduzir fábricas e empregos ganhou força depois de uma sequência de resultados financeiros negativos.

No exercício fiscal encerrado em março de 2025, a Nissan registrou um prejuízo líquido de aproximadamente 671 bilhões de ienes, equivalente na época a cerca de US$ 4,5 bilhões.

Além disso, o lucro operacional da companhia recuou aproximadamente 88%.

Os problemas continuaram no exercício seguinte.

No ano fiscal encerrado em março de 2026, a montadora registrou novamente uma grande perda.

O prejuízo atribuído aos acionistas ficou próximo de 533,1 bilhões de ienes.

Enquanto isso, as vendas mundiais diminuíram 5,8%, chegando a aproximadamente 3,15 milhões de automóveis.

Diante desse desempenho, a direção da Nissan ampliou as medidas destinadas à redução de despesas.

Concorrência aumentou a pressão sobre a montadora

Além dos problemas financeiros internos, a Nissan passou a enfrentar uma concorrência cada vez mais intensa.

Montadoras chinesas ampliaram rapidamente sua participação em diversos países, especialmente nos mercados de veículos elétricos e híbridos.

A pressão se tornou especialmente relevante na China, um dos maiores mercados automobilísticos do planeta e historicamente importante para a fabricante japonesa.

Ao mesmo tempo, a Nissan enfrentou dificuldades comerciais nos Estados Unidos e passou a lidar com custos adicionais e novas tarifas.

Nesse contexto, Nissan e Honda chegaram a discutir uma possível união entre as duas companhias.

As negociações, porém, terminaram sem que as montadoras concluíssem um acordo.

Nissan pretende economizar bilhões

O presidente-executivo Ivan Espinosa, que assumiu o comando da empresa em abril de 2025, acelerou a redução de custos.

A Nissan estabeleceu uma meta de economizar aproximadamente 500 bilhões de ienes.

Por isso, o plano vai muito além das demissões e do fechamento de fábricas.

A companhia também começou a reduzir níveis administrativos, simplificar o desenvolvimento de novos automóveis e diminuir a quantidade de componentes diferentes usados em seus veículos.

Uma das metas envolve cortar aproximadamente 70% da complexidade do portfólio de peças.

Na prática, a montadora pretende fazer diferentes modelos utilizarem uma quantidade maior de componentes compartilhados.

Com isso, a Nissan espera diminuir gastos tanto no desenvolvimento quanto na fabricação dos veículos.

Mudanças da Nissan também atingiram o Brasil

A operação brasileira não ficou totalmente fora das mudanças.

A Nissan decidiu encerrar seu centro de design em São Paulo, como parte da redução mundial das estruturas voltadas ao desenvolvimento dos veículos.

A fabricante tomou decisões semelhantes em outros mercados, incluindo o fechamento de uma operação na Califórnia e alterações em estruturas localizadas em Londres e no Japão.

Até agora, entretanto, a companhia não divulgou quantos profissionais foram atingidos diretamente pelo encerramento do centro brasileiro.

Fábrica do Brasil permanece funcionando

Apesar das mudanças, a fábrica de automóveis localizada em Resende, no Rio de Janeiro, continua dentro dos planos da companhia.

O complexo recebeu parte de um pacote de aproximadamente R$ 2,8 bilhões em investimentos anunciados pela Nissan no Brasil.

Os recursos financiaram modernizações e adequações necessárias para a fabricação de novos modelos.

Além disso, a operação brasileira ganhou maior participação nas exportações da marca.

Em maio de 2026, a Nissan informou que o Kait produzido no Brasil já era enviado para oito mercados da América Latina.

Portanto, até o momento, a montadora não anunciou o encerramento da unidade de Resende nem um corte em massa semelhante aos realizados em algumas operações internacionais.

Resultados da Nissan

Embora o processo ainda esteja em andamento, a Nissan começou a apresentar sinais de recuperação operacional.

No trimestre encerrado em junho de 2026, a empresa registrou lucro operacional de 77,9 bilhões de ienes, equivalente a aproximadamente US$ 497 milhões.

No mesmo período do ano anterior, a montadora havia contabilizado um prejuízo operacional de 79,1 bilhões de ienes.

O resultado também representou o quarto trimestre consecutivo com desempenho operacional positivo.

Além disso, o valor superou a estimativa média dos analistas consultados pela LSEG, que projetavam aproximadamente 7,5 bilhões de ienes.

A Nissan relacionou parte da recuperação às medidas adotadas para diminuir despesas.

Vendas ainda preocupam a Nissan

Apesar da melhora operacional, recuperar o volume de veículos vendidos continua sendo um dos maiores desafios da fabricante.

Em agosto, a companhia reduziu em aproximadamente 5% sua projeção global de vendas para o atual exercício.

A nova expectativa passou para cerca de 3,15 milhões de veículos.

A China continua entre os mercados que mais preocupam a companhia.

A Nissan diminuiu em aproximadamente 18% sua previsão de vendas no país, passando a trabalhar com uma estimativa próxima de 580 mil unidades.

Consequentemente, reduzir custos continua sendo fundamental para a estratégia da montadora.

Nissan vai continuar fechando fábricas e demitindo até 2028

A saída de aproximadamente 20 mil funcionários e a redução de sete fábricas fazem parte de um processo distribuído ao longo de vários anos.

Algumas unidades já encerraram suas linhas de produção, enquanto outras continuarão fabricando veículos até as datas estabelecidas pela companhia.

Os cortes de funcionários também avançam de forma gradual entre diferentes países, fábricas, escritórios e departamentos.

Quando finalizar o plano, a Nissan terá uma operação consideravelmente menor do que mantinha anteriormente.

Serão menos fábricas, uma capacidade produtiva reduzida e milhares de funcionários a menos.

Com essa estrutura mais enxuta, a montadora pretende economizar bilhões, melhorar suas margens e recuperar a rentabilidade mesmo diante de um mercado automobilístico cada vez mais disputado.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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