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Seu cachorro come cocô? Antes de dar bronca, entenda o porquê

A ciência ainda não encontrou uma única explicação para esse comportamento.
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cachorro come cocô
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Poucas cenas causam tanto desespero em um tutor quanto ver o próprio cachorro comendo fezes. A primeira reação costuma ser: “Que nojo! O que há de errado com ele?”

A coprofagia – nome dado ao consumo de fezes – é um comportamento relativamente comum em cães. E, apesar de desagradável para nós, não significa automaticamente que o animal esteja doente ou que esteja com alguma “deficiência nutricional”.

A ciência ainda não encontrou uma única explicação para esse comportamento. Fatores comportamentais e ambientais podem estar envolvidos, e pesquisas mostram que a relação com alimentação ou alterações digestivas não é tão simples quanto muitos produtos e informações na internet fazem parecer.

E aqui temos uma novidade interessante: um estudo publicado em 2026, com cães saudáveis, comparou animais que apresentavam coprofagia com aqueles que não apresentavam. Os pesquisadores não encontraram diferenças significativas na microbiota fecal avaliada nem maior presença dos patógenos investigados nos cães coprofágicos. Isso não significa que comer fezes seja recomendável, mas mostra como ainda precisamos separar fatos de mitos.

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Então, o que o tutor pode fazer?

Primeiro: evite transformar o comportamento em uma disputa. Punições podem aumentar o medo ou a ansiedade e não necessariamente resolvem a causa.

Segundo: reduza a oportunidade. Recolher as fezes rapidamente é uma medida simples e eficiente para impedir que o comportamento seja repetido.

Terceiro: observe o contexto. Quando acontece? O cão fica muito tempo sozinho? Há outros animais na casa? Ele parece ansioso, muito voraz ou apresenta outras mudanças de comportamento ou saúde?

E cuidado com as soluções milagrosas. Produtos vendidos especificamente para “acabar com a coprofagia” têm evidências limitadas de eficácia.

Se o comportamento surgiu de repente, é muito frequente ou vem acompanhado de outras alterações, vale conversar com um médico-veterinário para avaliar o contexto.

Seu cachorro não está necessariamente “fazendo isso porque é sujo”. Antes de dar bronca, tente descobrir o que esse comportamento está dizendo.

Foto de Suellen Ramos

Suellen Ramos

Suellen Ramos Barboza é médica-veterinária, mestre em Doenças Infecciosas e especialista em Dermatologia Veterinária. Atua no cuidado de cães e gatos, na educação de tutores e médicos-veterinários, unindo ciência, experiência clínica e comunicação para promover uma relação mais saudável entre os animais e suas famílias. Como escritora e colunista, compartilha conhecimento que ajuda a transformar a forma de compreender, prevenir e cuidar da saúde dos cães.

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