A Transnordestina entrou em uma nova fase após quase duas décadas de obras, atrasos e expectativa no Nordeste. A ferrovia, considerada um dos maiores projetos de infraestrutura do país, começou a operar de forma experimental e já transporta cargas em trechos do interior nordestino.
O projeto tem 1.200 quilômetros de extensão e deve mudar a forma como produtos agrícolas, minerais e insumos industriais chegam aos portos. A principal promessa é reduzir custos logísticos, encurtar distâncias e ampliar a competitividade de empresas que hoje dependem principalmente do transporte por caminhões.
Mesmo com os primeiros trens em circulação, a ferrovia ainda não está pronta. A Transnordestina Logística, empresa ligada à CSN e responsável pelo empreendimento, informa que pouco mais de 25% dos trilhos ainda precisam sair do papel.
Ainda assim, a operação experimental marca uma virada importante para moradores, empresários e produtores que aguardam a conclusão da obra desde os anos 2000. Agora, a expectativa da empresa é ampliar a operação comercial antes da entrega completa da ferrovia, prevista para 2027.
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Ferrovia vai ligar o Piauí ao Porto do Pecém
Quando ficar totalmente pronta, a Transnordestina vai ligar Eliseu Martins, no Piauí, ao Porto do Pecém, no Ceará. O traçado também deve fortalecer a conexão da região do Matopiba, formada por áreas do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, com o litoral cearense.
Essa ligação interessa principalmente ao agronegócio e à mineração. Isso porque a região concentra produção de grãos, minérios e outros insumos que precisam chegar aos centros consumidores e aos portos com menor custo.
Hoje, muitas empresas ainda usam caminhões para percorrer longas distâncias. Com a ferrovia em funcionamento pleno, parte dessa carga poderá seguir pelos trilhos, o que tende a diminuir gastos com frete e melhorar o escoamento da produção, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
A empresa responsável pelo projeto afirma que já possui recursos, licenças e condições para avançar com as obras. Além disso, a previsão oficial mantém a conclusão do empreendimento para 2027.
Operação da ferrovia
Neste primeiro momento, os trens circulam de forma limitada. A operação experimental movimenta cargas em volumes menores e ainda depende de estruturas provisórias, já que alguns terminais continuam em construção.
Mesmo assim, os primeiros resultados já animam empresas que aguardavam a ferrovia. A circulação dos trens reforçou a confiança de empresários locais e mostrou que o projeto saiu da fase apenas de promessa.
A Tijuca Alimentos, uma das maiores empresas do setor alimentício do Ceará, já utiliza a Transnordestina para transportar milho, sorgo e soja. Até agora, a companhia já movimentou cerca de 2 mil toneladas de insumos pela ferrovia.
Atualmente, a empresa usa cerca de 100 caminhões para levar matéria-prima do Piauí até a Grande Fortaleza. No entanto, a expectativa é reduzir parte dessa frota quando os trilhos chegarem de forma definitiva ao Porto do Pecém.
Projeto de ferrovia acumula atrasos desde 2006
A Transnordestina começou a ganhar forma em 2006, quando entrou na lista de obras prioritárias do governo federal. Na época, o projeto previa cerca de 1.700 quilômetros de extensão e ligação com dois portos: Pecém, no Ceará, e Suape, em Pernambuco.
A previsão inicial indicava entrega em 2011. No entanto, problemas de execução, mudanças no planejamento e sucessivos atrasos fizeram a obra atravessar quase 20 anos sem conclusão.
Com o passar do tempo, o projeto sofreu alterações. Atualmente, o trecho com avanço mais concreto liga o Piauí ao Ceará. Já a conexão com Pernambuco segue sem operação e ainda depende de novas liberações.
Pernambuco ainda espera ligação até Suape
Mesmo sem o ramal até o Porto de Suape, empresas pernambucanas já enxergam efeitos positivos na operação parcial da ferrovia. Um dos exemplos vem do polo gesseiro do Araripe, que depende de transporte eficiente para levar insumos e produtos ao mercado.
A Siqueira Mineração já movimenta cerca de 15 mil toneladas de calcário por mês usando a Transnordestina. A empresa espera ampliar esse volume para 100 mil toneladas mensais quando a ferrovia operar de forma completa.
A região de Trindade, em Pernambuco, também acompanha o avanço do projeto com expectativa. Lideranças locais avaliam que os trilhos podem impulsionar a economia, atrair investimentos e reduzir gargalos históricos de transporte no polo gesseiro.
Ramal de Suape depende de liberação do TCU
O governo federal já licitou quatro novos trechos do ramal que deve ligar a Transnordestina ao Porto de Suape. Porém, o Tribunal de Contas da União mantém as obras suspensas enquanto analisa a viabilidade econômica do empreendimento.
Na prática, o aval do TCU se tornou a principal etapa para o início das obras desse trecho. O governo afirma que trabalha para acelerar a análise e liberar a construção do ramal pernambucano.
Enquanto isso, a Transnordestina avança pelo Ceará e pelo Piauí. A entrada em operação experimental não encerra a longa novela da ferrovia, mas mostra que o projeto entrou em uma fase mais concreta após anos de espera.