Uma grande multinacional decidiu encerrar a produção industrial em uma fábrica tradicional no Brasil. A medida marca o fim de uma operação que funcionava havia décadas e mexe diretamente com trabalhadores, fornecedores e moradores do entorno.
A decisão atinge uma unidade localizada em Santo Amaro, na zona Sul de São Paulo. No local, a empresa produzia lã de vidro, material usado em isolamento térmico e acústico para construção civil, indústria, agronegócio, infraestrutura e outros setores.
A fábrica pertence à Isover, marca ligada ao Grupo Saint-Gobain. A companhia atua no mercado de soluções para isolamento e tem presença internacional, com fábricas e operações em diversos países.
Agora, a unidade brasileira deixa de fabricar. O prazo para encerrar a produção de lã de vidro terminou em 4 de julho de 2026. Depois disso, a empresa ainda precisa desligar definitivamente o forno de fusão de vidro até 31 de julho.
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Multinacional fecha fábrica
O encerramento da produção foi definido em um Termo de Ajustamento de Conduta firmado com o Ministério Público de São Paulo e a Cetesb, órgão ambiental do Estado.
Na prática, o acordo estabelece o fim gradual das atividades industriais da fábrica. Portanto, a unidade de Santo Amaro não deve mais funcionar como planta produtiva.
Mesmo assim, isso não significa que a Isover vai deixar o Brasil. A companhia informou que o espaço continuará em operação, mas apenas como centro de distribuição. Dessa forma, a empresa mantém o abastecimento da cadeia produtiva por meio de outras operações.
Ainda assim, a mudança chama atenção porque encerra uma longa trajetória industrial da marca na capital paulista.
Fim da produção preocupa trabalhadores
O fechamento da atividade fabril deve afetar mais de 100 famílias de trabalhadores diretos. Além disso, a mudança também preocupa profissionais indiretos ligados a transporte, logística, manutenção, fornecimento de insumos e prestação de serviços.
A empresa afirmou que o encerramento ocorreu de forma gradual para reduzir os impactos sociais da decisão. Segundo a companhia, o processo foi organizado entre janeiro e julho de 2026.
Com o fim da produção, a unidade passa por uma nova fase, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo. Além de parar a fabricação, a empresa terá que cumprir medidas ambientais previstas no acordo, como gestão de áreas contaminadas, tratamento de resíduos e destinação correta de materiais industriais.
Moradores reclamavam de fumaça, cheiro e barulho
O fechamento da fábrica ocorre depois de anos de reclamações de moradores da região. A vizinhança relatava incômodo com fumaça, mau cheiro, ruídos e funcionamento contínuo da unidade, inclusive durante a noite.
Entre os relatos apresentados por moradores estavam ardência nos olhos, desconforto respiratório, irritação na pele e dificuldade para conviver com o barulho da operação.
A mobilização ganhou força nos últimos anos. Moradores levaram denúncias a órgãos públicos, participaram de reuniões e cobraram providências sobre as emissões da fábrica.
Além disso, o caso passou a ser acompanhado pelo Ministério Público e pela Cetesb. A partir disso, as partes chegaram ao acordo que determinou o encerramento da produção industrial.
Multinacional diz que seguia regras ambientais
A Isover afirmou que atuou no local por mais de 70 anos e que sempre operou em conformidade com a legislação. A empresa também declarou que seguia critérios de sustentabilidade e segurança da saúde humana.
A companhia citou ainda ações de melhoria ambiental, como investimentos em isolamento acústico, medidas para reduzir emissões e canais de comunicação com moradores.
Mesmo com essas iniciativas, o acordo determinou o fim da fabricação de lã de vidro na unidade de Santo Amaro.
Agora, a fábrica deixa de produzir no Brasil e passa a funcionar apenas como centro de distribuição. O caso também deve seguir acompanhado por autoridades, principalmente por causa das obrigações ambientais previstas para a área após o encerramento das atividades industriais.