Uma multinacional americana com quase 60 mil funcionários espalhados pelo mundo decidiu encerrar uma de suas fábricas no Brasil. A unidade acumulava quase cinco décadas de história industrial e teve trabalhadores diretamente atingidos pela decisão.
O fechamento provocou uma longa disputa entre funcionários e empresa. Trabalhadores entraram em greve na tentativa de preservar os empregos, enquanto o sindicato buscava alternativas como a transferência para outras unidades. Entretanto, durante o conflito, a empresa comunicou a demissão dos funcionários da fábrica.
A companhia responsável pela decisão é a Parker Hannifin, gigante americana especializada em tecnologias de movimento e controle. A fábrica fechada fica em Jacareí, no interior de São Paulo, e produzia principalmente válvulas destinadas aos setores agrícola e de máquinas.
A Parker anunciou o encerramento em julho de 2026. Posteriormente, a disputa avançou para a Justiça do Trabalho e terminou com um acordo que garantiu indenizações adicionais e benefícios aos trabalhadores atingidos.
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Multinacional americana fecha fábrica no Brasil
A decisão surpreendeu os trabalhadores em 17 de julho, quando a Parker Hannifin anunciou que encerraria as atividades da unidade de Jacareí.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região, aproximadamente 100 pessoas trabalhavam na fábrica.
A Parker justificou a medida como parte de um processo de “otimização operacional”.
A empresa, entretanto, não deixou o Brasil. A multinacional mantém outras operações no país, incluindo uma unidade em São José dos Campos, também no interior paulista.
Por esse motivo, uma das reivindicações apresentadas pelos representantes dos trabalhadores foi justamente a possibilidade de transferir funcionários de Jacareí para outras fábricas da companhia, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Trabalhadores entram em greve contra fechamento
A reação começou poucos dias depois do anúncio.
Em 20 de julho, funcionários da Parker iniciaram uma greve contra o encerramento da fábrica. O movimento se prolongou por várias semanas.
Os trabalhadores defendiam a manutenção dos empregos e cobravam alternativas ao fechamento.
Entre as propostas estava a transferência para a unidade de São José dos Campos ou para outras operações da Parker no estado de São Paulo.
Além disso, o sindicato buscava garantias financeiras maiores para os funcionários que acabassem efetivamente desligados.
A paralisação chegou a 38 dias até a construção de um acordo entre as partes.
Parker comunica demissão dos trabalhadores
A disputa ganhou um novo capítulo em agosto.
Segundo o Sindicato dos Metalúrgicos, em 11 de agosto, a Parker comunicou a demissão dos trabalhadores da fábrica de Jacareí, enquanto a categoria ainda estava em greve.
A entidade contestou os desligamentos e levou a discussão para a Justiça do Trabalho.
O sindicato também argumentou que a companhia possuía condições de oferecer alternativas aos funcionários, principalmente porque a Parker continuaria operando no Brasil mesmo após encerrar a unidade de Jacareí.
Assim, o fechamento da fábrica não significava o fim das atividades da multinacional no país.
Acordo para os trabalhadores
Depois de semanas de impasse, empresa e trabalhadores chegaram a um acordo.
Em 26 de agosto, a Parker Hannifin, o Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região e o Ministério Público do Trabalho participaram de audiência no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região.
O acordo estabeleceu o pagamento de uma indenização social de R$ 35 mil para cada trabalhador dispensado, além das verbas rescisórias normais.
Além disso, os funcionários abrangidos pelo acordo receberam a garantia de manutenção do plano de saúde, plano odontológico e vale-alimentação por 12 meses.
Também foram definidas regras específicas para trabalhadores em situações diferenciadas, como aqueles próximos da aposentadoria.
O acordo ainda contemplou empregados que aceitaram transferência para outra unidade da Parker.
Portanto, embora o sindicato tenha informado anteriormente a comunicação da demissão dos trabalhadores de Jacareí, o desfecho da negociação também abriu caminho para transferências em determinados casos.
Fábrica acumulava 50 anos de história
O encerramento representa o fim de uma longa trajetória industrial em Jacareí.
Registros históricos apontam a presença da operação ligada à Parker na cidade desde a década de 1970.
A história da unidade também passa pela Schrader Bellows do Brasil, companhia que mantinha atividades industriais no município antes de ser incorporada à estrutura da Parker.
Em 1985, a Parker adquiriu da Scovill a operação da Schrader Bellows em Jacareí e passou a controlar a fabricação de equipamentos pneumáticos.
Considerando as origens da operação industrial no município, o complexo acumulava quase cinco décadas de atividade quando o fechamento foi anunciado.
Por isso, a decisão não representa apenas a eliminação de aproximadamente 100 postos de trabalho. Ela também encerra um ciclo industrial iniciado ainda nos anos 1970.
O que a fábrica da multinacional americana produzia?
A unidade de Jacareí estava ligada principalmente à produção de válvulas utilizadas pelos setores agrícola e de máquinas.
A Parker Hannifin possui uma atuação muito mais ampla.
A multinacional desenvolve tecnologias de movimento e controle utilizadas em diferentes segmentos da economia. Seu portfólio atende áreas como indústria, agricultura, transporte, máquinas, energia e aeroespacial.
Portanto, o fechamento de Jacareí representa apenas uma parcela da gigantesca estrutura mundial da companhia.
Multinacional americana possui 60 mil funcionários
A dimensão global da Parker Hannifin ajuda a mostrar o tamanho da empresa envolvida no fechamento.
Segundo o relatório anual mais recente da companhia, a multinacional contava com aproximadamente 59.850 funcionários em todo o mundo em junho de 2026.
Mais de 30 mil trabalhavam em subsidiárias localizadas fora dos Estados Unidos.
A Parker está presente em dezenas de países e figura entre as grandes companhias mundiais especializadas em tecnologias industriais de movimento e controle.
No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a companhia também registrou vendas globais bilionárias, reforçando sua posição entre os grandes grupos industriais americanos.
Multinacional americana tem 50 anos de Brasil
A presença da companhia no mercado brasileiro também é antiga.
A Parker iniciou oficialmente suas atividades no Brasil na década de 1970 e construiu uma estrutura industrial relevante no país.
Materiais corporativos recentes apontavam aproximadamente 950 funcionários e cinco unidades fabris brasileiras antes da atual reorganização.
Além disso, a operação nacional registrava faturamento superior a R$ 1 bilhão por ano, segundo informações institucionais divulgadas anteriormente pela própria companhia.
Em registros anteriores, a Parker chegou a possuir cerca de mil funcionários e seis fábricas no Brasil.
Dessa forma, o fechamento de Jacareí representa uma redução dessa estrutura, mas não uma saída da multinacional do mercado brasileiro.
Multinacional continua operando no Brasil
Apesar do encerramento da fábrica de quase 50 anos, a Parker Hannifin não está deixando o Brasil.
A companhia mantém outras operações no país e continuará atendendo seus clientes brasileiros.
Esse ponto também apareceu durante a negociação trabalhista. O sindicato defendia que funcionários de Jacareí fossem aproveitados em outras unidades justamente porque a empresa continuaria com atividades industriais no território nacional.
Até o momento, também não há confirmação de que a produção realizada em Jacareí tenha sido transferida integralmente para outro país.
Portanto, não é possível afirmar que a Parker esteja levando a fábrica brasileira para Estados Unidos, México ou qualquer outro mercado.
O fato confirmado é que a multinacional decidiu encerrar definitivamente a operação industrial de Jacareí, colocando fim a uma história de quase cinco décadas e atingindo aproximadamente 100 trabalhadores.
Depois de 38 dias de mobilização, a disputa terminou com acordo na Justiça do Trabalho, indenização adicional de R$ 35 mil aos empregados dispensados e manutenção temporária de benefícios.
