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Gigantes dos supermercados e farmácias anunciam fim da escala 6×1 para todos os trabalhadores

Grandes redes de farmácias e supermercados anunciaram o fim da escala 6x1.
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Escala 6x1 Supermercados Farmácias
Grandes redes de farmácias e supermercados anunciaram o fim da escala 6x1. Crédito: Divulgação
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Uma mudança importante começa a transformar a rotina de quem trabalha em algumas das maiores redes de supermercados e farmácias do Brasil. Grandes empresas do varejo decidiram abandonar a tradicional escala 6×1 e passaram a garantir dois dias de descanso por semana aos funcionários.

O movimento já alcança milhares de lojas e dezenas de milhares de trabalhadores. Além disso, enquanto algumas companhias implantaram a escala 5×2 em toda a operação, outras avançam com testes e ampliações para levar o modelo a um número cada vez maior de unidades.

Ao mesmo tempo, a discussão ganhou força no Congresso Nacional. Depois de passar pela Câmara dos Deputados, a proposta que acaba nacionalmente com a escala 6×1 entrou em uma semana decisiva no Senado.

Nesta quarta-feira, 2 de setembro, a PEC será o primeiro item da pauta da Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), cuja reunião está marcada para começar às 9 horas. O relator Omar Aziz apresentou parecer favorável ao avanço da proposta.

Enquanto a mudança na Constituição ainda depende dos senadores, empresas como Raia, Drogasil, Drogaria São Paulo, Pacheco e Savegnago já começaram a deixar a escala 6×1 para trás.

Outras redes, entre elas Extrabom, Supernosso, Coop, Farmácias São João e Supermercados Pague Menos, também passaram a testar ou ampliar jornadas com dois dias de folga.

Raia e Drogasil levam escala 5×2 para milhares de farmácias

Uma das maiores transformações aconteceu dentro da RD Saúde, responsável pelas bandeiras Raia e Drogasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

A companhia reorganizou a jornada nas mais de 3,5 mil farmácias espalhadas pelo Brasil. Com isso, os funcionários das lojas passaram a trabalhar cinco dias e descansar dois.

Antes da expansão, a empresa realizou testes com grupos de trabalhadores. Posteriormente, levou o novo formato para sua operação de farmácias.

Apesar da mudança dos dias trabalhados, a jornada continua em 44 horas semanais. Portanto, neste momento, a companhia reorganizou a distribuição das horas, mas não reduziu o limite semanal para 40 horas.

Ainda assim, a segunda folga representa uma diferença importante na rotina dos funcionários.

Além disso, a empresa passou a enxergar a escala 5×2 como uma ferramenta para tornar as oportunidades de trabalho mais atraentes e reduzir a saída de profissionais.

Drogaria São Paulo e Pacheco também deixam escala 6×1

Outra mudança de grande porte aconteceu no Grupo DPSP, proprietário das redes Drogaria São Paulo e Drogarias Pacheco.

A companhia implantou o modelo 5×2 na operação de aproximadamente 1.650 lojas.

Ao todo, a reorganização alcança cerca de 24 mil trabalhadores. Dessa maneira, os funcionários passaram a ter dois dias de descanso durante a semana.

A carga horária, entretanto, segue em 44 horas semanais. Para encaixar esse período dentro de cinco dias, a empresa reorganizou os horários das equipes.

O grupo também relaciona o novo formato a uma maior capacidade de contratar e manter trabalhadores.

Assim, duas das maiores bandeiras do setor farmacêutico brasileiro já trabalham com uma organização diferente da tradicional escala de seis dias de expediente para apenas um de folga.

Rede de supermercados amplia fim da escala 6×1 para todas as lojas

Nos supermercados, o Savegnago também aparece entre as redes que avançaram de maneira mais significativa.

A empresa começou a mudança por meio de uma experiência em uma unidade. Depois de avaliar o funcionamento da nova jornada, decidiu levar o modelo para todas as lojas da bandeira Savegnago Supermercados.

Agora, os funcionários trabalham durante cinco dias e contam com duas folgas.

No entanto, assim como ocorre em grandes redes de farmácias, o total permanece em 44 horas por semana.

Consequentemente, para completar a jornada semanal dentro de cinco dias, o expediente diário pode chegar a aproximadamente 8 horas e 48 minutos.

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Além disso, o Grupo Savegnago começou a introduzir a nova organização em unidades do Paulistão Atacadista.

Extrabom começa mudança para dois dias de folga

No Espírito Santo, uma das principais mudanças ocorre dentro do Grupo Coutinho.

O grupo, responsável pelas bandeiras Extrabom, Extraplus e Atacado Vem, começou a experimentar a escala 5×2 em supermercados do Extrabom.

Inicialmente, três lojas receberam o novo formato. As unidades ficam em Laranjeiras, na Serra; Gaivotas, em Vila Velha; e Vila Rubim, em Vitória.

Os funcionários desses supermercados passaram a trabalhar cinco dias e descansar dois.

A experiência teve boa aceitação entre os trabalhadores e, posteriormente, abriu caminho para os planos de expansão do modelo.

O Grupo Coutinho pretende levar a nova organização para uma parcela maior de sua estrutura. Dessa forma, a mudança poderá alcançar mais de 5 mil trabalhadores.

Por enquanto, contudo, a escala 5×2 ainda não chegou a todas as lojas e bandeiras do grupo.

A empresa também continua trabalhando com jornada semanal de 44 horas. Portanto, a principal alteração está na criação de uma segunda folga durante a semana.

Rede de supermercados também amplia modelo 5×2

Outro grupo supermercadista que decidiu rever a escala de trabalho foi o Supernosso.

A primeira etapa envolveu aproximadamente 500 funcionários distribuídos em três unidades.

Depois da experiência inicial, a companhia ampliou o novo formato e começou a levá-lo a outras operações das bandeiras Supernosso e Apoio Mineiro.

A empresa identificou efeitos positivos principalmente na retenção de profissionais e na procura pelas vagas disponíveis.

Nesse formato, os funcionários cumprem as 44 horas semanais dentro de cinco dias.

Consequentemente, recebem uma segunda folga sem que isso represente, por enquanto, redução da jornada semanal.

Rede de farmácias leva escala 5×2 para todas as drogarias

A Coop também entrou no movimento de mudança da jornada.

Nas drogarias da cooperativa, o modelo 5×2 passou a alcançar todas as unidades. Assim, os trabalhadores passaram a ter dois dias de descanso durante a semana.

Nos supermercados, entretanto, a mudança segue outro ritmo.

A companhia começou a testar o formato em determinadas unidades antes de decidir por uma expansão maior.

Por isso, embora a rede de drogarias já tenha avançado para a nova organização, a escala 5×2 ainda não alcança todos os funcionários dos supermercados da Coop.

Farmácias testam nova jornada com o fim da escala 6×1

A Farmácias São João também começou a avaliar uma mudança na escala dos trabalhadores.

A companhia possui mais de 1,2 mil lojas e está entre as maiores redes farmacêuticas do país.

O modelo 5×2 começou a funcionar em parte das unidades. Agora, a empresa acompanha os resultados antes de decidir sobre uma expansão para toda a estrutura.

Portanto, a rede ainda não eliminou a escala 6×1 de todas as lojas.

Mesmo assim, a entrada de uma companhia desse porte no movimento reforça uma transformação que começa a ganhar espaço no varejo brasileiro.

Supermercados Pague Menos avançam com escala 5×2

Os Supermercados Pague Menos também ampliaram a utilização da jornada com cinco dias de trabalho e dois de descanso.

A empresa possui cerca de 40 lojas e concentra sua atuação principalmente no interior de São Paulo.

Parte significativa das unidades já utiliza o modelo 5×2. Além disso, a rede vem realizando uma expansão gradual da nova escala.

Nesse caso, é importante diferenciar as empresas.

Os Supermercados Pague Menos não pertencem à rede de farmácias Pague Menos. Apesar do nome semelhante, são companhias diferentes.

Por que supermercados e farmácias estão trocando a escala 6×1?

A disputa por funcionários se tornou um dos principais motivos para a transformação.

Supermercados e farmácias precisam manter grandes equipes e, muitas vezes, funcionam durante períodos prolongados, inclusive aos sábados, domingos e feriados.

Durante décadas, a escala 6×1 ajudou essas empresas a distribuir os trabalhadores ao longo da semana.

Entretanto, o mercado de trabalho mudou.

Cada vez mais profissionais passaram a considerar a quantidade de dias de descanso antes de aceitar ou permanecer em uma vaga.

Diante desse cenário, algumas empresas enxergaram a segunda folga como uma maneira de tornar os empregos mais atraentes.

Além disso, redes que testaram o formato começaram a relacionar a mudança à redução da rotatividade de funcionários.

O crescimento do debate nacional sobre o fim da escala 6×1 também colocou ainda mais pressão sobre empresas que mantêm o modelo tradicional.

Escala 5×2 pode continuar tendo 44 horas semanais

A mudança promovida pelas empresas não significa necessariamente redução da carga horária.

Na prática, existem duas questões diferentes.

A escala determina quantos dias o trabalhador presta serviço e quantos dias descansa. Já a jornada semanal estabelece a quantidade total de horas trabalhadas.

Por isso, uma empresa pode acabar com a escala 6×1, adotar cinco dias de trabalho e continuar mantendo 44 horas semanais.

Nesse cenário, o funcionário conquista uma segunda folga. Entretanto, precisa trabalhar mais horas em cada um dos cinco dias para atingir o total semanal.

É justamente esse modelo que aparece em várias das empresas que já anunciaram mudanças.

A proposta que está no Congresso Nacional, por outro lado, vai além.

Fim da escala 6×1 ainda depende do Senado

A Câmara dos Deputados aprovou em 27 de maio uma Proposta de Emenda à Constituição que estabelece uma nova organização da jornada de trabalho no Brasil.

Os deputados aprovaram o texto em dois turnos.

No primeiro, foram 472 votos favoráveis e 22 contrários. Em seguida, no segundo turno, a proposta recebeu 461 votos a favor e 19 contra.

A PEC estabelece jornada máxima de 40 horas semanais, distribuídas em cinco dias de trabalho.

Além disso, o trabalhador passa a ter direito a dois dias de repouso semanal remunerado.

Outro ponto importante impede a redução salarial em razão da diminuição da carga horária.

Portanto, a proposta nacional é diferente de parte das experiências realizadas atualmente pelas empresas.

Enquanto muitas redes apenas redistribuem as atuais 44 horas em cinco dias, a PEC também reduz o limite semanal para 40 horas.

Jornada vai mudar para 40 horas gradualmente

O texto aprovado pela Câmara estabelece uma fase de adaptação.

Primeiro, o limite da jornada semanal cairá de 44 para 42 horas.

Posteriormente, ocorrerá uma nova redução até atingir as 40 horas semanais.

Dessa maneira, as empresas terão um período para reorganizar equipes, horários e escalas.

Ao mesmo tempo, o texto garante os dois dias de repouso semanal e impede a redução do salário decorrente da mudança.

Senado vota fim da escala 6×1 nesta semana

A discussão entra agora em uma das etapas mais importantes desde a aprovação da proposta pela Câmara.

A Comissão de Constituição e Justiça do Senado colocou a PEC que trata do fim da escala 6×1 como primeiro item da pauta desta quarta-feira, 2 de setembro. A reunião está prevista para começar às 9 horas.

O senador Omar Aziz, relator da matéria, apresentou parecer favorável ao avanço da proposta.

Até o momento, o relator manteve a estrutura do texto aprovado pelos deputados. Entretanto, novas emendas apresentadas no Senado ainda precisam ser analisadas durante a tramitação.

A decisão dos senadores terá impacto direto sobre os próximos passos.

Caso o Senado aprove exatamente a mesma versão enviada pela Câmara, a proposta não precisará retornar para uma nova votação dos deputados.

Depois da CCJ, porém, a PEC ainda precisa chegar ao Plenário do Senado.

Como se trata de uma mudança na Constituição, são necessários pelo menos 49 votos favoráveis entre os 81 senadores.

Além disso, a votação precisa acontecer em dois turnos.

Se os senadores aprovarem sem alterações o mesmo texto já aprovado pela Câmara, o Congresso poderá promulgar a emenda constitucional.

Nesse tipo de proposta, não existe sanção nem veto do presidente da República.

Portanto, a escala 6×1 ainda continua permitida pela legislação brasileira. Contudo, enquanto o Senado avança com a discussão nesta semana, algumas das maiores redes de supermercados e farmácias do país já começaram a deixar o modelo para trás e colocar dois dias de descanso na rotina de milhões de trabalhadores.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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