Morador produz mel no quintal de sua casa em Manguinhos

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Paulo e seu filho Isaac entre as colmeias: falta de ferrões facilita manejo. Foto: Fábio Barcelos
Paulo e seu filho Isaac entre as colmeias: falta de ferrões facilita manejo. Foto: Fábio Barcelos

Clarice Poltronieri

Imagine produzir mel no quintal de casa em plena cidade? Seria um perigo por conta das picadas das abelhas. Mas não para o morador de Manguinhos Paulo Vitor Silvério Teixeira, 30 anos, que produz mel com as abelhas nativas, sem ferrão, no quintal da sua casa. Usado pelos indígenas com propriedades medicinais, o mel produzido não possui sacarose e é menos enjoativo, por ser menos doce e possuir mais água que os das abelhas apis – com ferrão.

O espaço onde Paulo fica lado da praça principal do balneário. E já possui 15 colmeias. Paulo deu nome de Recanto do Jataí ao espaço, que além das abelhas e suas colmeias, é repleto de orquídeas cujas flores servem de alimento aos bichos, ao mesmo tempo em que são polinizadas por eles.

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“Tenho seis espécies diferentes de abelhas: urussu, mandassaia, iraí, jati, moça-branca e a jataí. A média da produção varia conforme a espécie e a qualidade do mel chega a ser 80% superior melhor que da abelha apis”, explica Paulo.

Alguns tipos de mel chegam a R$150 por litro. “Uma colmeia de jataí produz cerca de um litro por ano. Este é o mel mais valorizado. Já a espécie uruçu, de sete a oito litros por colmeia”, explica.

E o sabor é diferenciado, pois como Manguinhos ainda tem parte da vegetação preservada, as abelhas visitam as flores das plantas assa-peixe, manjericão, pitanga, mexerica, além do camará e aroeira. “São abelhas que coletam microflores, indo onde as maiores não vão, por isso a qualidade do mel”, observa.

As colmeias são instaladas dentro de caixas de madeira. A quantidade de abelhas em cada uma varia de 700 a 2 mil. “A produção é tão gostosa que virou um hobby, pois o manejo é muito fácil. Além disso, nesse último ano percebi que minhas plantas floriram muito mais e deram mais frutos”, salienta.

E quem quiser, além do mel, pode levar até a colmeia. A de jataí custa R$200 e de uruçu R$400. Já o mel, custa a partir de R$15.  Para adquirir os produtos, é só procurar a sorveteria Parada Natural, no centro de Manguinhos, onde Paulo é proprietário e também vende própolis, sorvete, açaí, orquídeas e até peixes, pois também é pescador.

 

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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