Miséria no debate político

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Por Yuri Scardini

Na eleição de 2018, em grande medida, o que permeou o debate (quase inexistente) eleitoral foi a dualidade superficial de esquerda vs. direita. Essa tendência foi vista fortemente na corrida presidencial, da qual saiu vitorioso o então deputado federal Jair Bolsonaro (PSL), que polarizou com o PT no segundo turno.

Aqui no Espírito Santo não foi diferente. É verdade que o super cotado Renato Casagrande (PSB) ganhou no 1º turno para governador, mas não significa que tenha sido menos sintomático. O segundo colocado, Carlos Manato (PSL), saiu do limbo de 1-2% das intenções de voto para 27,5% ao fim do pleito e quase levou a disputa para o 2º turno. Manato deu esse salto de tamanho única e exclusivamente colando sua imagem à de Bolsonaro e atacando uma “esquerda socialista” genérica.

Além disso, vimos uma inexpressiva candidata do PT chegar em 3º, à frente da senadora Rose de Freitas (Pode). Esta, em especial, foi um case muito interessante. Rose ficou em cima do muro, não construiu uma imagem clara junto ao eleitor. Fez uma eleição sem foco, sem definir “lados”, querendo agradar a todos; mas acabou sendo esquecida pelo eleitor.

Agora, pergunta-se, será que esse debate pobre, estruturado numa versão “entre o bem e o mal”, será reproduzido na eleição de 2020? De cara, dá para dizer que sim; mas o que não se sabe é o grau de importância que isso terá junto aos eleitores. 2020 é ano de eleições locais; portanto, temas locais terão muita expressividade. Por isso mesmo, o prefeito Audifax deve investir em obras para tomar corpo e conseguir emplacar um sucessor.

Mas em muita medida, o debate “direita e esquerda” vai depender muito do sucesso, ou não, do governo Bolsonaro, já que foi eleito sob essa condição. Aqui na Serra, entre os cotados para prefeito, apenas o deputado Vandinho Leite (PSDB) já definiu o “lado” ideológico que vai defender. Pode ser uma decisão prematura e condicionada a um governo Bolsonaro imprevisível. Todavia, é uma aposta que, se der certo, Vandinho se coloca como nome expressivo na disputa.

O que deve ocorrer em 2020 é a escalada do populismo, especialmente o virtual. Como o prefeito de Colatina, Sergio Meneguelli, se especializou. Falar de economia? Não! Falar de temas estruturantes? Não! Mas fazer vídeos pintando rua, aí sim a população parece adorar. Se uma eleição pautada na pobreza do debate já é um risco à democracia, o populismo pode potencializar isso.

 

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