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Mercado Livre já vende remédio com receita, de antibiótico a caneta emagrecedora

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Funcionário separa remédios em caixa de entrega do Mercado Livre com receita
Funcionário separa cartelas de remédios para envio na nova operação de venda com receita do Mercado Livre.
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O Mercado Livre começou a vender remédios com retenção de receita nesta sexta-feira (25), em São Paulo. O catálogo inclui antibióticos, anti-inflamatórios e canetas emagrecedoras da classe GLP-1, como Ozempic e Wegovy. A empresa anunciou a novidade um dia antes, durante o Meli Experience, evento realizado na capital paulista.

Por enquanto, a novidade vale só para São Paulo. Quem mora na Serra ou no restante do Espírito Santo ainda não tem acesso ao serviço, e a empresa também não deu prazo para chegar a outras regiões do país.

A operação usa a estrutura da Farmácia Cuidamos, unidade de bairro na zona sul de São Paulo que o próprio Mercado Livre comprou em 2025 para entrar no varejo farmacêutico. Antes, a venda com receita atendia só uma área menor da capital. Agora, já chega a toda a Região Metropolitana de São Paulo. O cliente envia a receita pelo aplicativo ou site, e um farmacêutico valida o pedido antes do envio.

A empresa também testa o serviço Envios Agora, com entrega em até uma hora em bairros selecionados. Segundo o cronograma da companhia, três redes de farmácia devem entrar no marketplace em outubro. A meta é chegar a 20 parceiras até dezembro, ainda restritas à Grande São Paulo.

Farmácias questionam a legalidade da venda

A Abrafarma, que representa grandes redes de farmácia, contesta a operação. Em comunicado, a entidade afirma que a venda de medicamentos por marketplaces continua proibida enquanto a Anvisa não concluir a regulamentação específica do setor. Segundo a associação, o modelo que o Mercado Livre anunciou não está de acordo com a legislação vigente.

A Anvisa abriu, em 19 de agosto, um processo administrativo para tratar especificamente da atuação de marketplaces na venda de remédios, e o processo segue em curso. No entanto, a agência ainda não deu uma posição final sobre o caso.

O impacto já apareceu no mercado financeiro. Na sexta-feira, as ações das farmácias RD Saúde, Pague Menos e Panvel ampliaram as perdas na bolsa, reflexo direto do avanço do Mercado Livre no setor de saúde.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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