A maior fabricante de automóveis do mundo encerrou as atividades de uma de suas fábricas mais tradicionais no Brasil, colocando fim a quase três décadas de produção. A unidade empregava aproximadamente 1,5 mil trabalhadores e acumulou mais de 1 milhão de veículos fabricados ao longo de sua história.
A decisão faz parte de uma ampla transformação na estrutura industrial da montadora japonesa Toyota, responsável por modelos populares no mercado brasileiro, como Corolla, Corolla Cross e Hilux.
Apesar do fechamento, a empresa não anunciou sua saída do Brasil. Pelo contrário, a fabricante pretende concentrar suas operações em um complexo industrial maior, modernizar as linhas de montagem e ampliar a fabricação de veículos com novas tecnologias.
Além disso, a reorganização envolve investimentos bilionários, transferência de funcionários e a construção de uma nova unidade. A companhia afirma que a estratégia permitirá reduzir custos operacionais e aumentar a eficiência de sua produção.
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Fabricante de automóveis fecha fábrica com 1,5 mil funcionários após 30 anos
A fábrica encerrada pela Toyota fica em Indaiatuba, no interior de São Paulo. Inaugurada em 1998, a unidade se tornou uma das principais responsáveis pela produção do Corolla Sedan no mercado brasileiro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
O encerramento das atividades ocorreu em 30 de junho de 2026, depois de um processo de transferência industrial iniciado pela montadora dois anos antes.
Durante seus 28 anos de funcionamento, a instalação produziu mais de 1 milhão de automóveis e empregou milhares de profissionais em diferentes períodos.
Antes do fechamento, aproximadamente 1,5 mil funcionários integravam o quadro de trabalhadores da unidade.
Com a desativação, a Toyota transferiu a fabricação do Corolla Sedan para Sorocaba, também no interior paulista. Dessa forma, a empresa passou a concentrar uma parcela maior de suas operações em um único complexo.
Segundo a montadora, a mudança permite integrar melhor as linhas produtivas, melhorar a logística e avançar nas metas de sustentabilidade.
O fechamento, entretanto, não representa a demissão automática dos 1,5 mil trabalhadores. A empresa negociou alternativas para os funcionários, incluindo transferências e programas de desligamento voluntário.
Montadora anuncia R$ 11 bilhões em investimentos e nova fábrica no Brasil
Enquanto encerrou as atividades em Indaiatuba, a Toyota manteve seu plano de expansão industrial no Brasil.
A fabricante anunciou investimentos de R$ 11 bilhões até 2030, destinados principalmente à modernização de suas operações, ao aumento da capacidade produtiva e ao desenvolvimento de novos veículos.
Uma das principais etapas desse projeto envolve a inauguração de uma segunda fábrica em Sorocaba, prevista para novembro de 2026.
Com a nova estrutura, a montadora pretende ampliar a fabricação de automóveis e incorporar tecnologias de eletrificação, especialmente sistemas híbridos.
A expectativa é que o complexo industrial assuma um papel ainda mais importante nas operações brasileiras da Toyota.
Além disso, a empresa informou que a expansão deverá criar aproximadamente 2 mil empregos diretos até 2030.
O Sindicato dos Metalúrgicos de Sorocaba e Região também destacou a possibilidade de geração de outros 8 mil postos de trabalho indiretos, considerando fornecedores, prestadores de serviços e empresas ligadas à cadeia automotiva.
O que acontece com os 1,5 mil funcionários da fábrica fechada?
O destino dos trabalhadores se tornou uma das principais preocupações após a Toyota anunciar a desativação da unidade.
Em 2024, funcionários realizaram uma greve para cobrar garantias de emprego e melhores condições durante a transferência das operações.
Após as discussões, a montadora e o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região chegaram a um acordo que estabeleceu benefícios para os profissionais envolvidos.
Os empregados puderam escolher entre continuar trabalhando na companhia, mediante transferência para Sorocaba, ou aderir a um programa de desligamento voluntário.
Para quem optou por deixar a Toyota, o acordo garantiu uma indenização equivalente a 45 salários, acrescida de mais dois salários por ano trabalhado na empresa.
O pacote também estabeleceu estabilidade no emprego até julho de 2026, além da manutenção do convênio médico e do cartão cesta por 36 meses após o desligamento.
Já os trabalhadores que aceitaram a transferência receberam garantias específicas para continuar na montadora.
Funcionários transferidos podem ter estabilidade até 2029
A Toyota também estabeleceu condições especiais para os empregados que decidiram continuar trabalhando em Sorocaba.
Nesse caso, o acordo prevê estabilidade no emprego até julho de 2029.
Os profissionais que aceitaram trabalhar na nova unidade sem mudar de residência tiveram direito ao pagamento equivalente a dois salários, além de R$ 15 mil.
Por outro lado, quem decidiu mudar de cidade recebeu uma compensação adicional de 2,4 salários.
Outra cláusula permite que os trabalhadores transferidos solicitem desligamento em até sete meses após a mudança, preservando o direito ao pacote negociado, com os descontos previstos no acordo.
De acordo com o Sindicato dos Metalúrgicos de Campinas e Região, a entidade acompanha o cumprimento dos compromissos assumidos pela fabricante.
Fabricação de carros continua no Brasil
Mesmo com o encerramento da fábrica de Indaiatuba, a Toyota continuará produzindo veículos no mercado brasileiro.
A concentração das operações em Sorocaba faz parte de uma estratégia de longo prazo para aumentar a produtividade e preparar a empresa para novos lançamentos.
A montadora também mantém sua operação industrial em Porto Feliz, responsável pela fabricação de motores.
Assim, o fechamento da antiga unidade do Corolla representa uma mudança na distribuição das fábricas da Toyota, e não o encerramento de suas atividades no país.
Com o investimento bilionário anunciado até 2030, a fabricante pretende fortalecer sua presença no setor automotivo brasileiro e ampliar sua participação no mercado de veículos eletrificados.