Clientes que respondem a processos de cobrança poderão ter dinheiro localizado e bloqueado com mais rapidez em contas bancárias. O Judiciário iniciou uma nova etapa de modernização do sistema usado para rastrear recursos financeiros de pessoas e empresas.
Nubank, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil estão entre as instituições que participam da fase inicial. A XP Investimentos também integra os testes conduzidos pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
A mudança pretende encurtar o caminho entre a decisão de um juiz e o cumprimento da ordem pelos bancos. Para isso, as determinações judiciais passarão a ser enviadas às instituições financeiras mais de uma vez ao longo do dia.
Além disso, outra ferramenta em desenvolvimento poderá manter determinadas buscas por dinheiro ativas por até 12 meses.
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Apesar da novidade, os bancos não ganharam autorização para bloquear contas de clientes simplesmente porque eles possuem dívidas. O congelamento de valores continua dependendo de uma decisão judicial emitida dentro de um processo.
Justiça vai acelerar bloqueio de dinheiro em contas bancárias
A reformulação envolve o Sisbajud, sistema usado pelo Poder Judiciário para localizar ativos financeiros vinculados a CPFs e CNPJs.
Hoje, quando um magistrado determina uma pesquisa patrimonial, o sistema transmite a ordem às instituições financeiras. Caso encontre valores e exista autorização para bloqueá-los, o banco torna o dinheiro indisponível até o limite definido pela Justiça.
Com a nova dinâmica, o Sisbajud enviará determinadas ordens duas vezes por dia. Dessa forma, uma decisão expedida nas primeiras horas do dia poderá chegar ao banco e receber uma resposta antes do encerramento do expediente.
Na prática, o CNJ pretende reduzir atrasos no cumprimento de medidas judiciais e aumentar a eficiência das buscas por recursos financeiros.
O sistema também permite outras providências. Depois de encontrar o dinheiro, o juiz pode mandar desbloquear a quantia ou transferi-la para uma conta judicial ligada ao processo.
Nubank, Itaú, Caixa, BB e XP participam dos testes
O CNJ decidiu começar a nova etapa com um número limitado de instituições. A estratégia permite testar a estrutura antes de ampliar as funcionalidades para todo o sistema financeiro, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Nubank, Itaú Unibanco, Caixa Econômica Federal, Banco do Brasil e XP Investimentos formam o primeiro grupo.
Durante essa fase, as instituições deverão fornecer informações sobre o processamento das determinações judiciais.
O Conselho vai acompanhar, por exemplo, o tempo de resposta dos bancos, possíveis problemas técnicos e o volume de ordens que não forem concluídas dentro do período esperado.
A partir desses resultados, o CNJ poderá ajustar o sistema antes de incluir outras instituições na nova operação.
Busca por dinheiro poderá continuar durante 12 meses
Outra mudança relevante poderá tornar mais persistente a procura por valores pertencentes a devedores.
O CNJ desenvolve uma funcionalidade capaz de manter determinadas ordens de busca ativas por até um ano.
Isso não quer dizer que uma conta ficará congelada durante 12 meses. Na prática, o sistema poderá repetir as tentativas de localizar dinheiro ao longo desse período, conforme os limites estabelecidos pelo juiz.
Um exemplo ajuda a entender.
Se a Justiça ordenar o bloqueio de R$ 10 mil e encontrar apenas R$ 800 naquele momento, a ferramenta poderá continuar procurando o restante posteriormente, caso a decisão permita esse procedimento.
Assim, novos valores que apareçam em instituições financeiras poderão ser identificados durante a vigência da ordem.
Essa funcionalidade, porém, ainda passa por etapas de testes e homologação e não funciona de maneira ampla para todo o mercado financeiro.
Banco não pode bloquear conta por conta própria
A atualização não muda uma regra fundamental: uma dívida, sozinha, não autoriza o banco a congelar o dinheiro do cliente.
O bloqueio judicial exige a existência de um processo e uma determinação do magistrado responsável.
Uma pessoa pode, por exemplo, deixar de pagar cartão de crédito, empréstimo, financiamento ou outra obrigação. O credor poderá cobrar o débito e, dependendo do caso, recorrer à Justiça.
Se o processo avançar e o juiz determinar a busca por patrimônio, o Sisbajud poderá entrar em ação.
Somente depois da ordem judicial as instituições financeiras realizam a pesquisa e, quando determinado, restringem os valores encontrados.
Portanto, Nubank, Itaú, Caixa, Banco do Brasil e outras instituições não podem utilizar o Sisbajud para congelar dinheiro simplesmente porque identificaram uma dívida de um cliente.
Como acontece o bloqueio judicial da conta
Quando recebe uma ordem judicial, o Sisbajud consulta as instituições financeiras para verificar a existência de recursos vinculados ao CPF ou CNPJ indicado no processo.
Caso encontre dinheiro, o sistema poderá determinar a indisponibilidade da quantia até o limite definido pelo juiz.
Se a dívida cobrada judicialmente for de R$ 5 mil, por exemplo, a ordem poderá limitar o bloqueio a esse montante. A decisão não representa uma autorização automática para retirar todo o saldo existente na conta.
Depois disso, o magistrado continua analisando o processo.
A Justiça poderá manter o valor bloqueado, determinar a transferência do dinheiro para uma conta judicial ou mandar liberar os recursos.
Justiça pode localizar outros ativos financeiros
As buscas não ficam restritas necessariamente ao saldo disponível em uma conta-corrente.
Dependendo da decisão judicial e dos produtos financeiros mantidos pelo devedor, o sistema pode localizar recursos existentes em diferentes instituições e modalidades de investimento.
Por outro lado, a legislação protege determinadas verbas contra penhora em situações específicas.
Caso o titular considere que o sistema atingiu um valor protegido por lei ou que ocorreu algum erro, ele pode questionar o bloqueio dentro do processo.
O juiz analisa a contestação e decide se mantém ou libera o dinheiro.
Mudanças serão ampliadas para outros bancos
A implantação acontecerá de maneira gradual.
O primeiro grupo de instituições permitirá que o CNJ avalie o comportamento do novo sistema em operações reais antes de expandir as ferramentas para outros bancos.
A modernização possui um cronograma estimado de 18 meses. Durante esse período, o Conselho pretende aprimorar recursos, corrigir falhas e aumentar progressivamente a quantidade de instituições participantes.
Enquanto isso, as funcionalidades tradicionais do Sisbajud continuam disponíveis normalmente.
Com as alterações, o Judiciário busca acelerar o cumprimento de decisões e aumentar a eficiência na localização de patrimônio de pessoas e empresas envolvidas em processos de cobrança.