Após o burburinho causado pelas informações de que uma comitiva da Havan esteve na Serra avaliando áreas, a empresa confirmou a passagem do seu diretor de expansão pela cidade, mas negou que pretenda abrir uma loja da rede no município. A resposta já era esperada, afinal, no universo empresarial esconder o jogo é praxe.
A versão oficial, porém, não é a que circula no mercado imobiliário, no setor varejista e nos bastidores da Prefeitura. Segundo apurou o Tempo Novo, o interesse da varejista existe. O entrave é outro: o preço do terreno.
A empresa se manifestou depois que a coluna Mestre Álvaro revelou a presença de Nilton Hang, primo do fundador Luciano Hang, na região de Laranjeiras, nesta terça-feira (18). Leitores flagraram a comitiva, formada por mais ou menos 10 pessoas, na rotatória do Ó e na Avenida Mestre Álvaro, antiga BR-101.
De acordo com a assessoria da rede, Hang viaja constantemente para visitar obras e conhecer cidades. Nesta semana, ele veio ao Espírito Santo para acompanhar o andamento da megaloja de Vila Velha. Já a passagem pela Serra teria sido apenas um desdobramento da viagem.
Leia também
“Não está avaliando uma loja na Serra. Ele aproveitou a viagem para Vila Velha para conhecer a região”, afirmou a assessoria ao Tempo Novo.
Mercado e Prefeitura falam em loja da Havan na Serra
Mesmo com a negativa, a leitura no mercado segue em outra direção. A coluna dialogou com empresários e corretores que apostam que negativas como essa fazem parte do jogo em qualquer negociação de grande porte. Enquanto o terreno não está fechado, confirmar o interesse encarece a área e enfraquece a barganha da compradora.
Integrantes do alto escalão da Prefeitura da Serra também confirmaram ao Tempo Novo que existe diálogo com a rede sobre a escolha de um terreno na cidade. As visitas de executivos da Havan ao município, segundo essas fontes, vêm se repetindo há meses.
O ponto de atrito aparece na conta final. A Havan costuma comprar áreas grandes, planas e com acesso rodoviário, quase sempre em regiões mais afastadas, onde o metro quadrado sai mais barato. Na Serra, no entanto, o metro quadrado comercial está entre os mais valorizados da Grande Vitória, principalmente no eixo da Avenida Mestre Álvaro. São justamente os trechos que interessam à rede.
O tamanho do investimento em disputa
Os números de Vila Velha ajudam a dimensionar o que está em jogo. A megaloja em construção na Avenida Carlos Lindenberg recebe cerca de R$ 120 milhões e terá 20 mil metros quadrados de área construída, em um terreno de 28 mil metros quadrados ao lado do Assaí Atacadista.
A unidade deve gerar aproximadamente 200 empregos diretos na operação. Durante as obras, a estimativa chega a mil postos indiretos. Nilton Hang confirmou nesta semana que a inauguração acontece em novembro. Será a maior loja da rede no Espírito Santo.
Um empreendimento desse porte na Serra teria impacto direto no comércio, na arrecadação municipal e na geração de emprego formal. Por isso, a movimentação dos executivos da rede pelo município chamou tanta atenção.
Luciano Hang já citou a Serra
Em julho, durante vistoria às obras de Vila Velha ao lado do governador Ricardo Ferraço, o fundador da Havan afirmou que a empresa avalia outras cidades capixabas para novos investimentos. Na ocasião, Serra e Cariacica apareceram entre os municípios citados. Um mês depois, o diretor de expansão da rede estava rodando por Laranjeiras com uma comitiva de cerca de dez pessoas.
Oficialmente, portanto, nada mudou. A Havan mantém a negativa e não existe anúncio sobre uma unidade no município. Fora dos comunicados, no entanto, a conversa é outra. E ela gira em torno de uma única pergunta: quanto vai custar o terreno.

