A greve dos Correios já afeta entregas em diferentes regiões do país, e o fim da paralisação segue sem data marcada. Nesta segunda (21) e nesta terça-feira (22), o Tribunal Superior do Trabalho adiou pela segunda vez o julgamento que deveria decidir o futuro do movimento.
O tribunal concedeu 48 horas para que os sindicatos se manifestem sobre documentos apresentados pelos Correios. Segundo a empresa, esse material comprovaria a abusividade da greve. Com isso, a nova sessão deve ficar para depois de quinta-feira (24), data que havia sido marcada anteriormente.
Enquanto o julgamento não avança, a paralisação segue atingindo todos os segmentos dos Correios. Entre eles estão distribuição, captação, atendimento e áreas administrativas.
Onde a greve já trava as entregas
Em Indaiatuba, no interior de São Paulo, trabalhadores ocuparam o Centro Logístico de Distribuição na madrugada do dia 16. A ocupação impediu totalmente a entrada e a saída de cargas da unidade, e encomendas que passam por ali sofrem atraso desde então.
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Consumidores também relatam problemas em diferentes cidades. Reclamações publicadas no Reclame Aqui mostram objetos que ultrapassaram o prazo informado na compra, sem qualquer atualização no sistema de rastreamento. Em alguns casos, o cliente pagou frete expresso e ainda assim a encomenda ficou parada por dias.
Os próprios Correios admitem o problema. Em nota, a estatal informou que, como parte do Plano de Continuidade de Negócios, a carga postal está sendo remanejada conforme a necessidade. Na prática, isso significa reorganizar rotas e prioridades para tentar reduzir o impacto da paralisação.
Um segundo fator também atrasa encomendas
Além da greve, os Correios comunicaram outro problema que pode confundir quem acompanha o rastreamento. Interrupções no transporte aéreo, determinadas pela Agência Nacional de Aviação Civil, também afetam entregas. Dependendo da faixa de CEP, esse efeito pode se estender até 30 de setembro.
Ou seja, nem todo atraso atual vem exclusivamente da greve. Por isso, a recomendação para quem espera uma encomenda é acompanhar o código de rastreamento e procurar os canais oficiais de atendimento em caso de dúvida sobre o prazo.
Por que a greve continua
O principal ponto de impasse segue sendo o plano de saúde de funcionários, aposentados e dependentes dos Correios. Os trabalhadores querem manter o modelo atual, no qual a estatal banca a maior parte do custeio do benefício.
A proposta da empresa prevê que os Correios deixem de ser mantenedores e passem a atuar apenas como patrocinadores do plano, mudança que pode elevar os descontos no salário de quem depende do benefício. Antes da suspensão do julgamento, a ministra relatora Maria de Nazaré Medeiros Rocha já havia considerado a greve não abusiva e autorizado a compensação dos dias parados.
Em São Paulo, trabalhadores decidiram manter a paralisação até o dia 24, independentemente do resultado do julgamento no TST. Assim, mesmo com uma decisão do tribunal, o retorno completo às atividades pode levar mais alguns dias para acontecer.