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Gigante americana fecha fábrica no Brasil, mas terá que indenizar todos os funcionários demitidos

Gigante americana terá que pagar indenização a todos os funcionários demitidos.
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Gigante americana
Gigante americana terá que pagar indenização a todos os funcionários demitidos. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores multinacionais industriais dos Estados Unidos decidiu encerrar as atividades de uma fábrica no Brasil e dispensar aproximadamente 100 trabalhadores. A medida provocou uma disputa com os funcionários, que conseguiram garantir uma indenização adicional de R$ 35 mil por pessoa após semanas de negociações.

Além da compensação financeira, a companhia assumiu o compromisso de preservar, durante mais 12 meses, benefícios como plano de saúde, assistência odontológica e vale-alimentação. As condições fazem parte de um acordo firmado após a intervenção da Justiça do Trabalho nas negociações.

O fechamento atingiu uma unidade da Parker Hannifin, empresa americana que fabrica componentes e desenvolve tecnologias para máquinas, equipamentos e sistemas industriais. A instalação funcionava em Jacareí, no interior de São Paulo, e produzia principalmente válvulas destinadas a diferentes setores da economia.

Embora tenha concordado em ampliar os pagamentos aos empregados, a multinacional não voltou atrás na decisão de interromper a produção. Dessa forma, os trabalhadores perderam seus postos, mas conquistaram um pacote de compensações significativamente maior do que aquele oferecido inicialmente.

Gigante americana encerra atividades de fábrica

A decisão da Parker Hannifin de desativar sua unidade em Jacareí começou a provocar conflitos trabalhistas em julho de 2026, quando a empresa anunciou os planos para encerrar a operação.

A notícia preocupou os empregados, especialmente diante da perspectiva de uma demissão coletiva que atingiria cerca de uma centena de profissionais.

O Sindicato dos Metalúrgicos de São José dos Campos e Região passou a acompanhar o caso e buscou alternativas que permitissem evitar a perda dos empregos.

Entre as possibilidades discutidas estavam a continuidade das operações industriais e o aproveitamento de parte dos trabalhadores em outras instalações da multinacional.

Entretanto, nenhuma dessas alternativas conseguiu alterar os planos da companhia americana.

Com a decisão empresarial mantida, os funcionários iniciaram uma greve em 20 de julho. A paralisação se prolongou por 38 dias e se transformou em uma disputa pelas condições de desligamento dos empregados.

Funcionários receberam avisos de demissão

A tensão aumentou quando a multinacional avançou com os desligamentos mesmo diante da mobilização dos trabalhadores.

De acordo com informações divulgadas pelo sindicato, a Parker comunicou as demissões em 11 de agosto, enquanto os funcionários ainda protestavam contra o encerramento da fábrica.

Parte dos profissionais teria recebido a notícia por mensagens enviadas pelo WhatsApp ou por telegramas encaminhados pela empresa.

A situação provocou novas manifestações. Durante um dos atos, trabalhadores chegaram a queimar telegramas de demissão em protesto contra a decisão da companhia.

Os empregados também organizaram um acampamento e mantiveram a mobilização para tentar melhorar as condições financeiras de saída.

O movimento ganhou apoio de organizações sindicais internacionais, que manifestaram solidariedade aos profissionais brasileiros.

Mesmo assim, a Parker continuou com o plano de fechar a instalação, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Indenização para funcionários

Um dos pontos mais importantes da negociação foi a diferença entre a primeira proposta apresentada pela multinacional e o valor efetivamente conquistado pelos trabalhadores.

Segundo o sindicato, a oferta inicial da empresa previa apenas R$ 2 mil de indenização social por empregado.

A quantia foi considerada insuficiente pelos representantes dos funcionários, especialmente diante do encerramento definitivo dos postos de trabalho.

Com o avanço das discussões, a Parker aumentou a proposta para R$ 20 mil. Entretanto, os trabalhadores decidiram manter a pressão por condições mais favoráveis.

O entendimento definitivo ocorreu após uma mediação conduzida no Tribunal Regional do Trabalho da 15ª Região, em Campinas.

Ao final dos 38 dias de greve, os empregados aprovaram um acordo que elevou a compensação individual para R$ 35 mil.

O resultado representa um aumento de R$ 33 mil em relação à primeira proposta da multinacional.

O valor corresponde a uma indenização social adicional negociada para os trabalhadores atingidos pelo fechamento, sem substituir as verbas rescisórias previstas na legislação trabalhista.

Gigante americana também terá que manter benefícios

A compensação financeira não foi a única conquista dos empregados.

O acordo também estabeleceu que a Parker Hannifin deverá continuar oferecendo determinados benefícios durante 12 meses após o encerramento dos contratos, de acordo com as condições negociadas.

Entre as garantias estão:

  • Plano de saúde: manutenção da assistência médica pelo período estabelecido no acordo.
  • Plano odontológico: continuidade da cobertura por mais um ano.
  • Vale-alimentação: preservação do benefício durante 12 meses, conforme os critérios acertados.

A negociação também contemplou proteções específicas para funcionários com doenças relacionadas ao trabalho ou sequelas de acidentes profissionais.

Essas condições buscam reduzir os impactos imediatos da perda do emprego, principalmente para trabalhadores que dependiam da assistência médica fornecida pela companhia.

Multinacional registra faturamento bilionário nos Estados Unidos

O encerramento da fábrica brasileira aconteceu em um período de resultados financeiros expressivos para a Parker Hannifin.

A companhia tem sede em Cleveland, no estado americano de Ohio, e atua no fornecimento de soluções de movimento e controle para diferentes setores industriais.

Seus produtos atendem fabricantes de máquinas, equipamentos agrícolas, sistemas hidráulicos e componentes utilizados também pela indústria aeroespacial.

No ano fiscal encerrado em junho de 2026, a empresa registrou aproximadamente US$ 21,5 bilhões em vendas, superando os cerca de US$ 19,85 bilhões contabilizados no exercício anterior.

O lucro líquido também alcançou um patamar elevado, ficando próximo de US$ 3,65 bilhões no período.

Portanto, a desativação da unidade paulista ocorreu enquanto o grupo apresentava receitas e lucros bilionários em suas operações internacionais.

Os resultados financeiros, porém, não foram suficientes para levar a companhia a rever sua decisão sobre a fábrica de Jacareí.

Gigante americana continuará operando no Brasil?

Apesar da desativação da fábrica, a Parker Hannifin não anunciou uma saída completa do mercado brasileiro.

A multinacional mantém outras atividades no país, incluindo operações na região de São José dos Campos, também no interior paulista.

O encerramento atingiu especificamente a instalação de Jacareí, responsável pela fabricação de componentes utilizados por diferentes segmentos industriais.

Para os cerca de 100 trabalhadores afetados, o fechamento representou o fim dos vínculos empregatícios com a unidade.

A mobilização não conseguiu impedir as demissões, mas modificou de maneira significativa as condições oferecidas pela empresa.

Com o acordo alcançado na Justiça do Trabalho, a gigante americana assumiu a obrigação de pagar R$ 35 mil de indenização social a cada funcionário abrangido pela negociação, além de manter benefícios essenciais durante mais um ano.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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