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Em meio a escândalo financeiro, maior plataforma de investimentos do ES pede recuperação judicial para não falir

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Fachada de vidro do edifício Apex Empresarial, sede do grupo Apex Partners, que pediu recuperação judicial
Sede da Apex Partners, grupo capixaba que pediu recuperação judicial com dívida perto de R$ 1 bilhão
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A Apex Partners, maior plataforma de investimentos do Espírito Santo, entrou com pedido de recuperação judicial na noite desta segunda-feira (14). O processo corre na Vara de Recuperação Judicial e Falência de Vitória. Segundo o processo, o prazo fixado pelo juiz Marcos Pereira Sanches vencia justamente nesta segunda. Assim, o grupo tenta evitar a falência. A empresa acumula dívidas perto de R$ 1 bilhão e reúne quase 8 mil investidores. Agora, a Justiça ainda vai analisar o pedido.

Em nota divulgada nas redes sociais, a companhia afirmou que a medida busca “criar as condições necessárias para uma reestruturação organizada”. Segundo o comunicado, o objetivo também é preservar os ativos e proteger investidores e credores. O grupo diz ainda que segue operando e mantém os projetos dos quais participa.

Recuperação judicial não é falência

Apesar do peso do anúncio, os dois institutos são bem diferentes. A falência encerra a empresa. Depois disso, os bens vão à venda para pagar quem tem valores a receber.

Já a recuperação judicial funciona como uma tentativa de sobrevivência. Nela, a companhia ganha proteção contra cobranças e continua funcionando. Enquanto isso, negocia um plano de pagamento com os credores sob supervisão do Judiciário.

Na prática, portanto, a Apex pede à Justiça o direito de se reorganizar antes que a conta estoure. Caso o plano não avance, aí sim a falência volta ao horizonte.

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Como começou a crise na Apex Partners

O caso veio a público em 6 de agosto. Naquele dia, lideranças do Partnership, grupo de sócios da casa, comunicaram a identificação de “inconsistências financeiras”. Em seguida, afastaram o fundador Fernando Antonio Kulnig Cinelli da presidência. Eduardo Siqueira, então diretor financeiro, também perdeu o cargo.

No dia seguinte, o grupo recorreu à Justiça e obteve uma tutela cautelar antecedente. A decisão suspendeu por 60 dias execuções, protestos e cobranças contra 178 empresas do conglomerado. Ao mesmo tempo, o juiz deu 30 dias para o pedido formal de recuperação judicial. Esse prazo venceu nesta segunda.

Na petição inicial, a empresa declarou passivo preliminar de R$ 985,6 milhões, com base em 30 de junho. Os valores, no entanto, ainda passam por auditoria externa. Por isso, podem mudar até o fim da apuração contábil.

Investigações e pedido de prisão do ex-presidente

Enquanto tenta se reorganizar, a Apex também move uma ofensiva contra o antigo comando. O grupo levou ao Ministério Público do Espírito Santo indícios de apropriação indébita, uso irregular de bens e lavagem de dinheiro. Além disso, pediu a prisão preventiva de Cinelli.

Segundo documento apresentado pela companhia, mais de R$ 33 milhões saíram das empresas para contas pessoais do ex-presidente. Descontadas as devoluções, o saldo líquido chega a R$ 27,3 milhões.

A Polícia Federal já abriu inquérito sobre suspeitas de crimes contra o sistema financeiro nacional. O Ministério Público Federal no Espírito Santo confirmou a informação. A abertura da investigação, porém, não significa comprovação de crime.

Por outro lado, a defesa de Cinelli classificou o pedido de prisão como “descabido”. Para os advogados, a empresa usa factoides e tenta escapar da responsabilidade dos próprios gestores. Eles afirmam ainda que o ex-presidente rejeita as suspeitas e quer o esclarecimento dos fatos.

O que muda para os investidores

Se o juiz aceitar o pedido, começa um processo coletivo com regras próprias. O procedimento reúne todos os credores em uma mesma lista. Depois, vêm os prazos para habilitação e contestação de créditos. Mais adiante, uma assembleia vota o plano apresentado pela empresa.

O caminho, contudo, ainda tem obstáculos. A administradora judicial Laspro já apontou ao Judiciário a falta de documentos em 123 das 178 sociedades listadas pela Apex. São quase 70% do total. Sem esse material, a análise do processo trava.

Com sede na Praia do Suá, em Vitória, a Apex cresceu rápido nos últimos anos. Tornou-se um dos principais acionistas da CVC e um nome forte no mercado imobiliário capixaba. Agora, depende da Justiça para saber se consegue se reerguer ou se caminha para o fim.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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