Imagine abrir o aplicativo do banco e descobrir que mais de R$ 15 bilhões apareceram na sua conta de uma hora para outra. Foi exatamente isso que aconteceu com um trabalhador brasileiro após um erro bancário transformar seu saldo em uma fortuna.
Em vez de tentar movimentar o dinheiro, ele entrou em contato com o banco e informou que o valor não lhe pertencia. A atitude permitiu que a instituição identificasse o erro e começasse o processo para retirar a quantia.
No entanto, a situação ganhou um novo capítulo. Mesmo depois de comunicar espontaneamente o depósito bilionário, o trabalhador ficou temporariamente sem conseguir movimentar normalmente o próprio dinheiro.
O caso acabou na Justiça. O cliente pediu indenização pelos transtornos e alegou que enfrentou constrangimento, gastos e dificuldades depois que o banco restringiu o acesso à conta.
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Trabalhador recebeu R$ 15 bilhões por engano
O protagonista do caso é Jairo Xavier Evangelista, que trabalhava como cobrador de ônibus e morava em Valparaíso de Goiás.
Em abril de 2019, Jairo consultou a conta que mantinha na Caixa Econômica Federal e encontrou um saldo completamente fora da realidade: aproximadamente R$ 15 bilhões.
O valor havia aparecido por causa de uma operação realizada por engano.
Ao perceber o problema, Jairo procurou a Caixa e avisou que não era dono daquele dinheiro. O banco reconheceu a inconsistência e informou que faria a regularização no próximo dia útil.
O trabalhador, portanto, não tentou sacar nem gastar os bilhões. Pelo contrário, comunicou o erro e colaborou para que a instituição recuperasse o valor.
Conta ficou bloqueada depois de aviso ao banco
O problema surgiu durante o processo de correção.
Segundo os relatos apresentados no processo, Jairo ficou sem conseguir utilizar normalmente o cartão e movimentar seus próprios recursos por aproximadamente dois dias.
Ele descobriu a restrição quando tentou pagar uma compra em um posto de combustível e teve o cartão recusado.
O trabalhador afirmou que o episódio provocou constrangimento e atrapalhou sua rotina durante aquele fim de semana.
Depois disso, precisou procurar uma agência da Caixa para resolver pessoalmente a situação.
Homem precisou percorrer cerca de 40 quilômetros
Jairo relatou que saiu de Valparaíso de Goiás e percorreu cerca de 40 quilômetros até Taguatinga, no Distrito Federal, para regularizar o problema.
Além do deslocamento, ele disse que passou parte da manhã tentando solucionar uma situação provocada por uma falha da própria instituição financeira.
A quantia bilionária acabou retirada da conta, mas os transtornos levaram o trabalhador a procurar a Justiça.
Trabalhador processou banco após receber R$ 15 bilhões
Em 2020, Jairo entrou com uma ação contra a Caixa Econômica Federal.
Ele pediu R$ 10 mil de indenização por danos morais.
Na ação, o trabalhador alegou que o erro do banco ultrapassou um simples problema administrativo. Entre os argumentos apresentados estavam o bloqueio temporário, a recusa do cartão, o deslocamento até uma agência e os transtornos enfrentados para solucionar o caso.
A Caixa apresentou defesa e contestou parte das alegações, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Mesmo assim, a Justiça entendeu que houve falha na prestação do serviço.
Justiça reconheceu erro do banco
O processo passou pela Justiça Federal, na Subseção Judiciária de Luziânia, ligada ao Tribunal Regional Federal da 1ª Região.
A sentença foi proferida em agosto de 2022.
O juiz reconheceu que o depósito de R$ 15 bilhões representou um erro operacional evidente da instituição financeira.
Além disso, o magistrado considerou que a situação causou transtornos ao correntista, principalmente porque ele ficou temporariamente impedido de utilizar normalmente o cartão.
Por outro lado, a Justiça considerou que Jairo não apresentou provas suficientes de todos os prejuízos que afirmou ter sofrido.
Trabalhador será indenizado
Embora o trabalhador tenha pedido R$ 10 mil, a Justiça fixou a indenização por danos morais em R$ 1 mil.
O entendimento considerou principalmente o período relativamente curto em que o cliente ficou impossibilitado de usar o cartão.
Jairo, porém, não concordou com o valor.
Ele recorreu da sentença por considerar que R$ 1 mil não compensava adequadamente os transtornos provocados pelo episódio.
Reportagem publicada posteriormente informou que ele ainda não havia recebido a quantia justamente porque o processo continuava em discussão após o recurso.
Homem não ficou com nenhum centavo dos bilhões
Apesar do tamanho do depósito, Jairo não ficou milionário.
Os R$ 15 bilhões não pertenciam ao trabalhador e retornaram ao controle da instituição financeira depois que o erro foi identificado.
O caso ganhou repercussão justamente pelo contraste entre o comportamento do cliente e o problema enfrentado depois.
Jairo encontrou uma fortuna na própria conta, avisou imediatamente o banco e ajudou na devolução. Mesmo assim, acabou temporariamente sem acesso normal ao próprio dinheiro e precisou procurar a Justiça para discutir os prejuízos.
O episódio também mostra que depósitos feitos por engano não transformam automaticamente o correntista em proprietário dos valores. Quando uma quantia desconhecida aparece na conta, a orientação é não movimentar o dinheiro e comunicar a instituição financeira.
No caso de Jairo, o depósito bilionário desapareceu da conta. O que permaneceu foi uma disputa judicial provocada pelos transtornos enfrentados para corrigir um erro que ele próprio ajudou o banco a identificar.

