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Fabricante de pneus com 8 mil funcionários fecha fábrica no Brasil e demite trabalhadores

Fabricante de pneus com 8 mil funcionários no Brasil fecha fábrica.
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Fabricante de pneus no Brasil
Fabricante de pneus com 8 mil funcionários no Brasil fecha fábrica. Crédito: Divulgação
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Uma gigante mundial da fabricação de pneus, com mais de 8 mil funcionários em suas operações brasileiras à época do anúncio, encerrou definitivamente as atividades de uma de suas unidades industriais. A decisão provocou o desligamento de aproximadamente 350 trabalhadores e colocou fim a uma fábrica com décadas de história.

O encerramento aconteceu depois que a multinacional enfrentou dificuldades para manter seus produtos competitivos diante da entrada de mercadorias estrangeiras mais baratas. Mesmo após avaliar alternativas para preservar a produção, a empresa decidiu fechar as instalações.

A fabricante responsável pela decisão é a Michelin, multinacional francesa que ocupa posição de destaque no mercado internacional de pneus. O fechamento atingiu a antiga fábrica da Levorin, localizada em Guarulhos, na Grande São Paulo.

A companhia anunciou a decisão em junho de 2025 e realizou a desativação gradualmente. Em dezembro daquele ano, a unidade encerrou definitivamente suas operações, afetando centenas de trabalhadores.

Fabricante de pneus fecha fábrica no Brasil e demite funcionários

A instalação industrial mantinha uma produção diversificada e atendia diferentes segmentos do setor de pneus, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Entre os itens fabricados estavam câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, pneus industriais e componentes semiacabados que abasteciam outras operações produtivas.

Entretanto, a empresa passou a enfrentar dificuldades para sustentar os custos de fabricação. O avanço da concorrência internacional reduziu a competitividade dos produtos nacionais, principalmente no segmento de câmaras de ar.

Diante desse cenário, a Michelin decidiu interromper a produção e encerrar as atividades industriais da unidade.

A medida atingiu aproximadamente 350 empregados, que integravam o quadro de mais de 8 mil trabalhadores mantido pela multinacional no Brasil na época do anúncio.

Para reduzir os impactos das demissões, a fabricante anunciou negociações com o sindicato da categoria. A proposta incluía compensações financeiras e serviços de orientação profissional aos funcionários.

Além disso, a companhia destacou que o fechamento não estava relacionado ao desempenho dos trabalhadores, mas às dificuldades econômicas enfrentadas pela operação.

Apesar das medidas de apoio, a empresa manteve a decisão e concluiu a desativação da fábrica em dezembro de 2025.

Por que a fabricante de pneus decidiu fechar a unidade?

A principal justificativa apresentada pela Michelin envolve o crescimento das importações, especialmente de produtos fabricados em países asiáticos.

Segundo a multinacional, a chegada de grandes quantidades de mercadorias estrangeiras provocou um excesso de oferta no mercado brasileiro.

Ao mesmo tempo, parte dos produtos importados passou a disputar consumidores com preços que, conforme a empresa, ficavam abaixo dos custos de fabricação enfrentados pela indústria nacional.

Essa diferença comprometeu principalmente o mercado de câmaras de ar para motocicletas e bicicletas, uma das especialidades da unidade encerrada.

A Michelin afirmou que estudou diferentes possibilidades para recuperar a competitividade da instalação. Contudo, nenhuma das alternativas analisadas apresentou condições econômicas suficientes para garantir a continuidade da produção.

Por isso, a companhia considerou o fechamento a última alternativa disponível.

Pneus importados pressionaram fabricante

O fechamento da fábrica aconteceu em meio a uma transformação no mercado nacional de pneus.

Dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip) mostram que as fabricantes brasileiras enfrentam dificuldades para recuperar espaço diante dos produtos importados.

Em 2025, as empresas instaladas no país comercializaram aproximadamente 37,7 milhões de pneus de passeio e carga, uma redução de 5,8% em comparação com 2024.

Além disso, em dezembro daquele ano, os produtos estrangeiros chegaram a representar 68% das vendas no mercado de reposição, enquanto os pneus nacionais ficaram com 32%.

O cenário continuou preocupante em 2026.

De acordo com informações divulgadas pela Anip em setembro, as importações de pneus cresceram 58,3% entre janeiro e agosto de 2026, na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Nesse intervalo, as vendas de pneus nacionais destinados ao mercado de reposição recuaram 13,3%.

Outro indicador chama a atenção: os pneus importados passaram a responder por 70% desse mercado, deixando apenas 30% para os produtos fabricados no Brasil.

Segundo a entidade, a situação ameaça empregos, investimentos e a manutenção da estrutura industrial brasileira.

Fábrica fechada pertencia a uma marca brasileira com mais de 80 anos

A unidade desativada pela Michelin estava diretamente ligada à história da Levorin, uma das marcas tradicionais do setor de pneus no Brasil.

Fundada em 1943, a empresa construiu sua trajetória atendendo principalmente os mercados de motocicletas e bicicletas.

Durante décadas, seus produtos conquistaram espaço entre consumidores brasileiros, enquanto a companhia ampliava suas atividades industriais.

Em 2016, a multinacional francesa Michelin comprou a Levorin e incorporou suas operações ao grupo.

A aquisição incluiu instalações em Guarulhos, no estado de São Paulo, e Manaus, no Amazonas.

Após a negociação, a fábrica paulista permaneceu ativa, produzindo câmaras de ar, pneus industriais e outros componentes.

Entretanto, quase uma década depois da aquisição, a Michelin decidiu encerrar a produção naquela instalação.

Assim, o fechamento de dezembro de 2025 marcou o fim de uma longa trajetória industrial associada à antiga fabricante brasileira.

Fabricante de pneus também fechou fábricas na França e anunciou cortes em outros países

As mudanças na estrutura industrial da Michelin não aconteceram exclusivamente no Brasil.

A multinacional também anunciou o encerramento de unidades em outros países, alegando dificuldades relacionadas aos custos de fabricação, à concorrência e às transformações do mercado.

Na França, a fabricante decidiu fechar duas instalações, localizadas nas cidades de Cholet e Vannes.

Juntas, as fábricas reuniam aproximadamente 1.250 trabalhadores.

Enquanto a unidade de Cholet fabricava principalmente pneus para veículos comerciais leves, a instalação de Vannes produzia componentes metálicos utilizados em outras operações.

A empresa também promoveu uma reestruturação industrial na Alemanha.

Além disso, anunciou o fechamento de uma fábrica em Querétaro, no México. Nesse caso, a Michelin apontou mudanças na demanda dos consumidores como um dos motivos para a decisão.

Segundo a companhia, o mercado passou a procurar pneus de dimensões maiores, enquanto a instalação mexicana produzia modelos diferentes dos mais procurados.

Como a modernização exigiria investimentos elevados, a fabricante optou por descontinuar aquela operação.

Fabricante de pneus mantém outras fábricas no Brasil

Apesar do encerramento da unidade de Guarulhos, a Michelin não anunciou sua saída do Brasil.

A fabricante manteve outras operações industriais e comerciais no território nacional, incluindo atividades em diferentes estados.

Na época do anúncio, a multinacional informou que empregava mais de 8 mil pessoas no país e reafirmou seu compromisso com o mercado brasileiro.

Inclusive, em junho de 2026, informações que associavam o fechamento da unidade paulista à saída completa da Michelin do Brasil circularam nas redes sociais.

Entretanto, verificações realizadas pela imprensa esclareceram que essa interpretação era enganosa.

O encerramento aconteceu especificamente na antiga fábrica da Levorin, em dezembro de 2025, sem representar o fim das demais atividades da companhia.

Portanto, a decisão reduziu a presença industrial da Michelin no país e provocou a perda de centenas de empregos, mas a multinacional continuou atuando no mercado brasileiro.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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