Dois homens foram condenados a penas que somam mais de 90 anos de prisão pelo assassinato da operadora de caixa Nauzeti Honorino Manuel, de 46 anos, morta durante um tiroteio em um supermercado na Serra em janeiro de 2022. A sessão do Tribunal do Júri foi realizada na última segunda-feira (18).
Diógenes Souza da Silva, conhecido como Coroa, foi condenado a 46 anos e 8 meses de reclusão. Mateus Vitor Rodrigues, o Morcego, apontado como o atirador que disparou os tiros que mataram Nauzeti, recebeu pena de 47 anos, 11 meses e 15 dias. Ambos cumprirão as penas em regime inicial fechado.
A condenação foi obtida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal da Serra.
Os dois foram condenados por homicídio triplamente qualificado: motivo torpe, recurso que dificultou a defesa da vítima e meio que gerou perigo comum. Além de tentativa de homicídio contra o segurança Diego Pereira dos Santos e disparo de arma de fogo em via pública.
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O que aconteceu
Na tarde de 15 de janeiro de 2022, um grupo de quatro homens foi ao Supermercado Nossa Rede, no bairro Nova Carapina II, com o objetivo de matar Diego, segurança do estabelecimento. A motivação era uma retaliação: o cunhado de um dos acusados havia sido assassinado em dezembro de 2021, e Diego seria suspeito de envolvimento no crime.
Os criminosos efetuaram os primeiros disparos de dentro de um veículo ao avistarem o segurança. Após ser baleado, Diego correu para o interior do supermercado, mas o grupo entrou no estabelecimento e continuou atirando. Nauzeti, que trabalhava como caixa e estava nos fundos da loja, foi atingida por dois tiros. Ela foi socorrida, mas morreu ao dar entrada na UPA da Serra Sede. A mãe de dois filhos não tinha nenhuma relação com o conflito que motivou o crime.
O segurança sobreviveu e foi atendido no Hospital Estadual de Urgência e Emergência (HEUE), em Vitória.
“Foi um crime difícil até para ouvir os familiares que estão traumatizados. A dona Nauzeti era uma pessoa íntegra, honesta e mãe de família. Ela trabalhava como caixa do supermercado e no dia do crime, ela teria ido até os fundos do estabelecimento molhar um pano para limpar o seu caixa. Ao retornar para o supermercado e por ter problema de audição, que foi o fato que a impossibilitou de ouvir com precisão os disparos que estavam ocorrendo no local, ela foi alvejada por dois tiros. Um atingiu o braço esquerdo e o outro a axila, atingindo o pulmão dela, o que ocasionou a sua morte. Foi uma atitude inconsequente desses indivíduos, que destruíram não só os sonhos delas, mas de toda a família e colocaram em risco a vida de tantas outras pessoas que se encontravam naquele local”, disse o delegado Rodrigo Sandi Mori, na época dos fatos.
Confissões e prisões
As investigações foram conduzidas pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa da Serra (DHPP). Mateus, o Morcego, foi preso em 8 de fevereiro de 2022 e confessou ter efetuado os disparos que mataram Nauzeti. Diógenes, o Coroa, foi preso em 21 de janeiro e também confessou sua participação, era ele quem levou o grupo ao local e garantiu a fuga após o crime. Um terceiro preso, Rogério Silva Carvalho, foi detido em 18 de janeiro e é apontado como responsável por fornecer a pistola calibre .40 usada no crime.
Outros réus
Outros dois acusados ainda não foram julgados. Rogério permanece preso preventivamente, à espera da análise de um recurso. Já Fábio Silva Barros segue foragido.

