O ex-policial militar, Lucas Torrezani de Oliveira, foi condenado a 30 anos de reclusão e 2 anos de detenção pelo assassinato do músico Guilherme Rocha, morto em abril de 2023 em um condomínio de Jardim Camburi, em Vitória (ES). O julgamento, realizado na última quarta-feira (20) pelo Tribunal do Júri da capital, durou quase 15 horas.
Lucas foi considerado culpado por homicídio qualificado, com as agravantes de motivo fútil e de ter agido de forma que dificultou a defesa da vítima, além de abuso de autoridade por ter usado a condição de agente público durante o crime. As penas serão cumpridas separadamente, com a de reclusão iniciando em regime fechado. O júri também determinou o pagamento de R$ 500 mil de indenização à família de Guilherme. A defesa já recorreu da decisão.
Provas e motivação
A condenação foi obtida pelo Ministério Público do Espírito Santo (MPES), com atuação dos promotores Rodrigo Monteiro e Bruno de Oliveira. O promotor Rodrigo Monteiro classificou a motivação do crime como “ridícula” e “inexpressiva”, e destacou o peso das evidências reunidas.
“São muitas provas: vídeos, depoimentos, laudos e elementos produzidos no processo administrativo da Polícia Militar”, afirmou. Segundo ele, o fato de o crime ter sido cometido com arma da corporação agravou ainda mais a situação.
Leia também
“Esta condenação reforça que crimes dessa natureza não podem ficar impunes. O resultado não vai trazer a vítima de volta, mas traz à família o conforto de que a Justiça foi feita”, completou o promotor.
O que aconteceu
Na madrugada de 17 de abril de 2023, Guilherme Rocha foi à área comum do condomínio reclamar do barulho de um grupo reunido no local, situação que já gerava conflitos recorrentes entre moradores. A discussão escalou, Lucas sacou uma arma, se identificou como policial militar e efetuou o disparo que atingiu o músico. Guilherme tentou sair do local, mas caiu próximo à entrada do condomínio e morreu em decorrência do ferimento.
Da corporação ao presídio comum
Lucas Torrezani foi preso logo após o crime e ficou detido no presídio da Polícia Militar, no Quartel da PM, em Vitória. Após ser expulso da corporação em dezembro de 2024, foi transferido para a Penitenciária de Segurança Média 1, em Viana.
Amigo presente no crime é inocentado
Jordan Ribeiro de Oliveira, amigo de Lucas que estava no local no momento do crime e participou da discussão, também chegou a responder por homicídio, mas em liberdade. Em dezembro de 2024, a Justiça entendeu que não havia provas suficientes para levá-lo a júri popular.
Antes de entrar para PM, réu tentou ser Guarda da Serra
Lucas Torezani Oliveira tentou ser Guarda Municipal da Serra, mas foi reprovado em uma das etapas do concurso público. De acordo com informações do Tribunal de Justiça, o policial não aceitou a reprovação no certame e entrou com uma ação na Justiça, da qual também perdeu.
O Jornal Tempo Novo apurou que, no processo judicial, o soldado alegou ter sido aprovado em todas as etapas acima ao teste físico do concurso, mas foi considerado inapto por ter realizado apenas duas flexões em barra fixa, apesar de ter declarado ter feito cinco. Além disso, Lucas afirmou ter tentado apresentar recurso, mas teria sido impedido por um erro do sistema.
A ação judicial foi contra a Fundação Professor Carlos Augusto Bittencort (FUNCAB) e a Prefeitura da Serra, respectivamente, organizadora e realizadora do concurso público em 2016.
No processo, o então candidato solicitou uma liminar para garantir seu direito de participar das demais etapas do certame e, consequentemente, ter sua avaliação física novamente. A liminar foi indeferida.
O juiz que analisou o caso entendeu que Lucas Torezani não apresentou provas o suficiente que comprovariam suas acusações. Além disso, decidiu que o autor não passou na avaliação física e que, portanto, não poderia ser aprovado no concurso. A ação foi julgada improcedente e os réus foram absolvidos.
Dois anos depois, Lucas prestou concurso público para a Polícia Militar e foi aprovado. Na madrugada desta segunda-feira (17), matou um vizinho com disparo de arma de fogo em Jardim Camburi, na capital Vitória.

