Quem cai num golpe do Pix tem, agora, mais ferramentas para tentar recuperar o dinheiro, mas o tempo continua sendo o fator decisivo. Por isso, o Banco Central reforçou as regras de segurança do sistema, com mudanças na Instrução Normativa BCB nº 766, que alteram o funcionamento do Mecanismo Especial de Devolução, conhecido como MED.
A principal novidade é o rastreamento ampliado. Antes, o banco só conseguia seguir o dinheiro até a primeira conta que recebeu a transferência. Agora, porém, o chamado MED 2.0 identifica o fluxo em múltiplas contas subsequentes, o que dificulta a ação de quadrilhas que pulverizam o valor roubado em vários destinos.
O que fazer logo depois de perceber o golpe
O primeiro passo é acionar o banco imediatamente. Desde fevereiro de 2026, o cliente consegue registrar o alerta de fraude direto pelo aplicativo, sem precisar ligar para a central de atendimento, o que acelera o início do rastreamento.
Além disso, o Banco Central ampliou o prazo para contestar uma devolução feita pelo MED a partir de 1º de setembro de 2026. Assim, a vítima ganha mais tempo para reunir provas e formalizar a denúncia junto à instituição financeira.
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Novas travas para dificultar o golpe
O Banco Central também criou barreiras para tornar o golpe menos vantajoso. Em aparelhos ainda não cadastrados pelo cliente, por exemplo, as transações têm limites mais restritos até que a instituição valide o dispositivo.
Já as transferências feitas entre 20h e 6h passaram a ter limites reduzidos, medida que visa conter casos de coação, como sequestros-relâmpago. Antes desse pacote de regras, os bancos recuperavam menos de 10% dos valores roubados via Pix. Com o bloqueio automático em cascata, a autoridade monetária espera elevar esse percentual.
O que ainda vem por aí
O Banco Central planeja lançar novas normas até novembro. Uma delas é o bloqueio cautelar, que vai permitir à instituição financeira reter o dinheiro suspeito por até 72 horas enquanto analisa o caso. Dessa forma, a expectativa é aumentar a chance de recuperação para quem foi vítima de fraude.
Está prevista, ainda, a notificação obrigatória de infração. Além disso, o Banco Central quer lançar uma nova funcionalidade para consultar informações da chave Pix antes de fazer a transferência, o que ajuda o usuário a identificar sinais de golpe antes de perder o dinheiro.
Apesar do reforço tecnológico, o Banco Central reforça que o papel do usuário continua central. Portanto, ficar atento a pedidos urgentes de transferência, descontos suspeitos e contatos desconhecidos ainda é a melhor forma de evitar cair no golpe.