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Pazolini é um fato. Mas se compromete com pautas que vão contra o ES

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Lorenzo Pazolini e Flávio Bolsonaro lado a lado durante evento do bolsonarismo no Espírito Santo. Crédito: divulgação.
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O noivado selado entre o pré-candidato a governador Lorenzo Pazolini (Republicanos) e o bolsonarismo, neste fim de semana, transformou o ex-prefeito de Vitória em um fato eleitoral. Não que ele já não fosse. A partir de agora, porém, ele absorve uma força capaz de levá-lo para além da sua própria capacidade eleitoral, até aqui concentrada na Grande Vitória.

Pazolini vinha bem nas pesquisas, mas estagnado. A união com o bolsonarismo é o fato novo que pode alçá-lo. Neste fim de semana, ele esteve com o pré-candidato a presidente Flávio Bolsonaro e noivou com o bolsonarismo.

No evento, Pazolini se comprometeu com a eleição ao Senado da filha do senador Magno Malta, praticamente dono do PL capixaba. Também se comprometeu com a candidatura do filho 01 de Jair Bolsonaro à Presidência e, com isso, abraçou as pautas bolsonaristas. São bandeiras que nem sempre dizem respeito ao Espírito Santo e que, muitas vezes, vão de encontro aos interesses institucionais do estado. O risco maior está na pauta ideológica aplicada à economia.

O Espírito Santo é, sem dúvida, um exemplo institucional do que deu certo no Brasil neste terceiro milênio. Viramos os anos 2000 imersos em crises profundas, com a política em frangalhos e a economia derretida. As coisas mudaram, e ainda há muito caminho de oportunidades pela frente.

Essas oportunidades passam pela relação capixaba com o mundo, em especial com a China. Em seu discurso, ao citar Milei, na Argentina, e Trump, nos Estados Unidos, Magno deixou claro que o bolsonarismo capixaba não enxerga a economia pelo lado pragmático, e sim pelo ideológico. Isso é um problema econômico, porque o dinheiro muda de destino quando é tratado sob critérios tão subjetivos quanto a ideologia de um grupo.

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E Pazolini, ao noivar com essas ideias, se compromete também com pautas que vão na contramão do Espírito Santo. Trump, visto como uma espécie de salvador da pátria pelas alas mais extremistas do bolsonarismo, é o mesmo que aplicou um novo tarifaço sobre o Brasil. No Espírito Santo, essa medida atingiu setores estratégicos, como o de rochas.

A Serra é a maior exportadora de rochas do país, com um amplo arranjo de beneficiamento de mármore e granito, e tem nos Estados Unidos o seu maior cliente. Defender esse arranjo, os tributos que ele paga e os empregos que gera é um exemplo de pauta capixaba.

Por outro lado, o sentimento antichina, tão presente no bolsonarismo, é uma ameaça real ao estado. Hoje o Espírito Santo é a maior porta de entrada dos carros chineses no Brasil. E, mais do que isso, os chineses estão investindo bilhões por aqui. A GWM vai aplicar R$ 4 bilhões em Aracruz para erguer uma fábrica de carros eletrificados, com tecnologia de ponta, capaz de inserir o estado na Indústria 5.0. É a passagem do estado que vendia commodities para o estado que vai produzir 200 mil carros eletrificados por ano.

Essas são as pautas capixabas. Elas envolvem se relacionar economicamente com o mundo, sejam os EUA, seja a China, seja qualquer outro país, incluindo a Argentina, governada por Milei ou por qualquer outro presidente que os hermanos escolherem.

A pauta capixaba não é ideológica. Ela está no eixo petrolífero do litoral sul e no novo complexo logístico, portuário e industrial do litoral norte. Está no avanço do agro no interior. Está no comércio exterior, na logística, no retorno da Samarco e nos projetos estratégicos da ArcelorMittal, Vale e Suzano, por exemplo. Está na indústria capixaba, na emergência de  avançar em termos de infraestrutura; no turismo, no comércio e na forma como a Grande Vitória se comunica e se relaciona com tudo isso, centralizando o poder econômico e as decisões estratégicas para transformar essas oportunidades em benefício do seu povo.

Pazolini pode estar usando as baboseiras ideológicas apenas como trampolim. E deve ser mesmo o caso, já que, enquanto ele avança com o bolsonarismo, interlocutores se encarregam de amaciar o terreno. É o caso do deputado Evair de Melo, que esteve recentemente na sede da Apex, um dos locais por onde passa o poder econômico do Espírito Santo. Mas, ao selar o noivado com o bolsonarismo, ele inevitavelmente acaba afastando de si o Espírito Santo de verdade. Se der certo, ótimo para ele. Mas tem um custo.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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