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Coca-Cola fecha 2 fábricas, demite 900 funcionários e muda de vez a produção de bebidas

A Coca-Cola fechou 2 fábricas e mudou de vez a produção de bebidas.
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Fábrica da Coca-Cola
A Coca-Cola fechou 2 fábricas e mudou de vez a produção de bebidas. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores fabricantes de bebidas do planeta está promovendo uma ampla reorganização de sua estrutura industrial. A Coca-Cola fechou fábricas, reduziu centenas de postos de trabalho e começou a mudar a maneira como algumas bebidas famosas chegam aos consumidores.

Somando diferentes operações recentes do sistema Coca-Cola, mais de 900 trabalhadores entraram em processos de desligamento relacionados a fechamentos e reestruturações. Ao mesmo tempo, a companhia transferiu parte da fabricação para outras unidades e empresas parceiras.

As mudanças atingem fábricas que produziram bebidas de marcas conhecidas mundialmente, como Minute Maid, Powerade, Vitaminwater e Gold Peak. Além disso, uma tradicional categoria de bebidas da Minute Maid deixou definitivamente de ser produzida após décadas nas prateleiras.

Os movimentos acontecem principalmente nos Estados Unidos e na África do Sul. No primeiro mercado, duas fábricas diretamente ligadas à The Coca-Cola Company entraram em processo de fechamento. Já na África do Sul, uma grande engarrafadora do sistema Coca-Cola promoveu uma reestruturação envolvendo cerca de 680 postos e unidades industriais.

Duas fábricas da Coca-Cola encerram atividades

Um dos fechamentos aconteceu em American Canyon, na Califórnia.

A Coca-Cola encerrou a produção da unidade em 30 de junho de 2025. A decisão provocou o desligamento de aproximadamente 135 trabalhadores, enquanto um pequeno grupo permaneceu temporariamente para ajudar no encerramento da operação.

A fábrica produzia bebidas não gaseificadas de diferentes marcas.

Entre elas estavam Powerade, Minute Maid, Vitaminwater e Gold Peak Tea.

Em vez de simplesmente transferir todo o volume para outra fábrica própria, a Coca-Cola decidiu direcionar parte da fabricação para uma empresa terceirizada da região.

Outra unidade vai fechar definitivamente ainda neste ano 

A segunda fábrica fica em Northampton, no estado de Massachusetts.

A Coca-Cola confirmou que encerrará definitivamente a operação em 15 de dezembro de 2026, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

O fechamento está provocando aproximadamente 175 demissões. Os cortes começaram em 15 de agosto e seguem gradualmente até o final de novembro.

Somadas, as duas fábricas americanas representam 310 postos de trabalho atingidos diretamente.

A unidade de Northampton também possui ligação com produtos bastante conhecidos. A instalação fabrica principalmente bebidas não gaseificadas, incluindo produtos Minute Maid e Powerade.

Fábrica da Coca-Cola funcionou durante décadas

A unidade de Northampton possui uma longa história industrial.

A Coca-Cola já planejava encerrar aquela operação havia alguns anos. O fechamento havia sido anunciado anteriormente, mas a companhia adiou a decisão enquanto organizava a transferência da produção.

Agora, a empresa definiu dezembro de 2026 como a data final.

A mudança mostra uma estratégia que a Coca-Cola utiliza cada vez mais em algumas regiões: reduzir estruturas próprias e concentrar a fabricação em outras fábricas ou em parceiros industriais.

Assim, fechar uma unidade não significa necessariamente retirar as bebidas das lojas.

Mais de 600 trabalhadores deixam operação

Outra reorganização de grande porte aconteceu dentro do sistema Coca-Cola na África do Sul.

A Coca-Cola Beverages South Africa, conhecida pela sigla CCBSA, iniciou em setembro de 2025 um processo de reestruturação que poderia atingir mais de 680 empregos. A proposta também envolvia o fechamento de unidades industriais.

A empresa citou restrições financeiras e mudanças nas condições do setor como fatores para reorganizar sua estrutura.

O processo avançou rapidamente.

Em outubro de 2025, o sindicato dos trabalhadores informou que 609 funcionários já haviam assinado pacotes de desligamento, enquanto outros 71 permaneciam dentro do processo de negociação.

Além disso, o sindicato informou naquele momento que 15 trabalhadores seriam demitidos até o fim daquele mês.

Portanto, quando esses desligamentos são colocados ao lado dos 310 postos atingidos pelas duas fábricas americanas, mais de 900 trabalhadores foram alcançados pelas diferentes reestruturações.

Parte dos cortes ocorreu por pacotes de desligamento

Existe, porém, uma diferença importante dentro desse número.

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Os 609 trabalhadores da África do Sul aderiram a pacotes de desligamento, segundo o sindicato. Portanto, não se tratou de 609 demissões compulsórias tradicionais.

A entidade sindical chegou a questionar a forma como a empresa conduziu essas adesões e afirmou que os trabalhadores receberam os acordos diretamente.

Mesmo assim, na prática, esses trabalhadores deixaram a estrutura da companhia durante o processo de redução de pessoal.

Os outros empregados permaneceram envolvidos nas negociações sobre possíveis demissões e mudanças de função.

Fábrica também foi fechada

O plano não ficou apenas no papel.

Uma decisão da Justiça trabalhista publicada em 19 de março de 2026 confirmou que a Coca-Cola Beverages South Africa realizou uma reestruturação em consequência do fechamento da fábrica de Bloemfontein.

O documento judicial menciona expressamente que a empresa iniciou um processo de redução de funcionários após o encerramento do local de fabricação.

Portanto, existe hoje confirmação de que a unidade industrial efetivamente deixou de funcionar.

Segunda fábrica da Coca-Cola também entrou no plano

Outra instalação atingida fica em East London.

Quando apresentou sua reorganização, a Coca-Cola Beverages South Africa planejava fechar as fábricas de Bloemfontein e East London.

No caso de East London, porém, o processo passou por negociações e mudanças de cronograma.

Em outubro de 2025, o sindicato afirmava que a companhia avançava com a intenção de encerrar a unidade, mas alguns trabalhadores haviam recebido contratos temporários até dezembro daquele ano.

Por isso, enquanto Bloemfontein possui confirmação posterior de fechamento, o caso de East London exige mais cuidado.

A fábrica entrou oficialmente no processo de reestruturação, mas não é correto tratar seu encerramento como confirmado nas mesmas condições de Bloemfontein sem uma atualização definitiva da companhia.

Coca-Cola muda a maneira de produzir

Os fechamentos fazem parte de uma transformação mais ampla na maneira como o sistema Coca-Cola funciona.

A The Coca-Cola Company concentra grande parte de seus esforços no desenvolvimento das marcas, criação de produtos, marketing e produção dos concentrados.

Já uma parcela enorme da fabricação, engarrafamento e distribuição fica sob responsabilidade de empresas engarrafadoras e parceiros.

Esse modelo permite que a Coca-Cola reorganize a produção sem necessariamente retirar determinada bebida do mercado.

Quando uma fábrica fecha, o produto pode simplesmente passar a sair de outra unidade.

Produção foi transferida para terceiros

Foi justamente isso que aconteceu na Califórnia.

Depois de encerrar a fábrica de American Canyon, a empresa transferiu parte da fabricação para um parceiro terceirizado.

Consequentemente, bebidas como Powerade e Minute Maid continuam disponíveis.

O consumidor pode não perceber a mudança, mas por trás das embalagens existe uma nova organização industrial.

Essa estratégia reduz a necessidade de manter determinadas fábricas próprias, principalmente quando outras unidades ou parceiros conseguem produzir com custos menores.

Bebida famosa também parou de ser fabricada

A transformação não envolve apenas fábricas e funcionários.

Em 2026, a Coca-Cola confirmou que decidiu encerrar sua linha de produtos congelados Minute Maid nos Estados Unidos e Canadá.

A decisão colocou fim a produtos tradicionais que permaneceram durante décadas no mercado.

Entre eles estavam concentrados congelados utilizados para preparar bebidas como suco de laranja e limonada Minute Maid.

A retirada começou no primeiro trimestre de 2026.

Os produtos restantes permaneceriam disponíveis apenas enquanto durassem os estoques existentes nas lojas.

Mudança encerra tradição de décadas

A decisão possui forte peso histórico.

A Minute Maid nasceu justamente ligada à inovação dos concentrados congelados de suco na década de 1940.

Com o passar do tempo, porém, os hábitos de consumo mudaram.

Bebidas prontas para beber ganharam espaço, enquanto consumidores passaram a procurar produtos sem açúcar, opções funcionais e categorias consideradas premium.

Por isso, a Coca-Cola decidiu abandonar os congelados e direcionar seus investimentos para outros segmentos.

Minute Maid não vai acabar

Apesar da mudança, Minute Maid continuará existindo.

A Coca-Cola não anunciou o encerramento completo da marca.

O que terminou foi especificamente a fabricação e comercialização da linha congelada nos Estados Unidos e Canadá.

Outras bebidas Minute Maid continuam sendo produzidas e comercializadas.

Portanto, assim como acontece com as fábricas fechadas, a reorganização não significa que todas as marcas associadas às unidades deixarão de existir.

Coca-Cola também enfrenta mudanças no consumo de bebidas

A Coca-Cola continua sendo uma companhia extremamente lucrativa, mas enfrenta mudanças importantes no comportamento dos consumidores.

Em fevereiro de 2026, a empresa projetou crescimento orgânico de receita entre 4% e 5% para o ano. Ao mesmo tempo, reconheceu pressão sobre a demanda em alguns mercados e necessidade de acelerar a inovação.

O volume global ficou estável em 2025, enquanto mercados como América do Norte e partes da Ásia apresentaram desafios.

A própria direção da companhia destacou a necessidade de acompanhar rapidamente tendências como bebidas com menos açúcar e mudanças provocadas por novas preocupações dos consumidores com saúde e alimentação.

O que significam os fechamentos?

Apesar das fábricas fechadas e das centenas de trabalhadores desligados, a Coca-Cola não enfrenta uma situação de falência ou recuperação judicial.

A companhia continua entre as maiores empresas de bebidas do planeta.

As mudanças refletem principalmente uma estratégia para reduzir custos, concentrar a produção, simplificar estruturas e direcionar investimentos às categorias que apresentam maior crescimento.

O cenário é, portanto, diferente de empresas que fecham operações porque perderam capacidade de pagar suas dívidas.

E o que acontece com a Coca-Cola no Brasil?

No Brasil, a situação segue uma direção bastante diferente.

Até agora, não existe anúncio de uma onda semelhante de fechamento de fábricas Coca-Cola no país relacionada a essas decisões internacionais.

O Brasil continua sendo um dos mercados estratégicos da companhia.

O Sistema Coca-Cola opera por meio de diferentes grupos engarrafadores, que administram fábricas, centros de distribuição e estruturas comerciais espalhadas pelo território nacional.

Enquanto algumas operações estrangeiras passam por redução, os investimentos brasileiros continuam direcionados principalmente à ampliação e modernização da capacidade produtiva.

Brasil terá bilhões em novos investimentos

O Sistema Coca-Cola anunciou um ciclo de aproximadamente R$ 30 bilhões em investimentos no Brasil até 2030.

O plano envolve modernização e expansão das fábricas existentes, aumento da capacidade logística e implantação de novas estruturas.

A estratégia evidencia o contraste com os fechamentos registrados em outros mercados.

Enquanto instalações antigas deixam de produzir nos Estados Unidos e uma operação sul-africana reduz sua estrutura, o mercado brasileiro segue recebendo recursos para crescer.

Novas fábricas também estão nos planos

A expansão brasileira não deverá se limitar às instalações atuais.

Representantes da companhia já indicaram que o ciclo de investimentos contempla novas unidades industriais, além da ampliação das plantas existentes.

Isso significa que os fechamentos internacionais não representam uma retirada global da Coca-Cola da fabricação própria.

A empresa analisa cada mercado de maneira diferente.

Em regiões consideradas estratégicas e com potencial de crescimento, investe para aumentar a capacidade. Em outras, encerra instalações, terceiriza parte da fabricação ou concentra o volume em unidades maiores.

Consumidor brasileiro não terá bebidas afetadas

Até o momento, não existe anúncio de que Coca-Cola, Fanta, Sprite, Powerade ou outras grandes marcas deixarão de ser produzidas ou comercializadas no Brasil por causa desse processo.

A retirada dos produtos congelados Minute Maid é específica de Estados Unidos e Canadá.

Da mesma maneira, os fechamentos industriais citados acontecem no exterior.

Assim, o consumidor brasileiro seguirá encontrando normalmente as principais bebidas da companhia.

Reestruturação mostra nova estratégia da Coca-Cola

Os movimentos recentes deixam claro que a Coca-Cola está modificando sua estrutura.

Nos Estados Unidos, duas fábricas representam 310 postos de trabalho diretamente atingidos. Na África do Sul, aproximadamente 680 empregos entraram em um amplo processo de reestruturação, com 609 trabalhadores aderindo a pacotes de desligamento e outros funcionários enfrentando demissões ou negociações.

Além disso, uma fábrica sul-africana teve o fechamento posteriormente confirmado pela Justiça.

Ao mesmo tempo, a Coca-Cola encerrou uma histórica categoria de produtos Minute Maid e passou a concentrar recursos em outras bebidas.

Assim, a gigante combina fechamento de fábricas, mais de 900 desligamentos em diferentes operações e uma ampla mudança na produção, enquanto mantém investimentos bilionários nos mercados considerados prioritários.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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