A Nestlé iniciou uma das maiores reorganizações de sua estrutura global dos últimos anos. A multinacional pretende eliminar cerca de 16 mil postos de trabalho, cortar despesas, ampliar a automação e concentrar sua produção em fábricas consideradas mais competitivas.
Além das demissões, a companhia começou a reduzir sua estrutura industrial. Uma fábrica centenária já parou de produzir em 2026. Enquanto isso, outra unidade tradicional de chocolates encerrará suas atividades até dezembro.
A mudança atinge a fabricante de marcas mundialmente conhecidas, como Nescau, Nescafé, KitKat, Maggi, Purina, Smarties e Milkybar.
No entanto, o Brasil vive uma situação diferente. Enquanto a Nestlé reduz operações em alguns mercados, a empresa mantém um programa de R$ 7 bilhões em investimentos no país. Além disso, inaugurou neste ano uma nova fábrica que recebeu R$ 2,5 bilhões.
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Nestlé corta 16 mil postos de trabalho
A companhia anunciou seu plano de redução de custos em outubro de 2025, sob o comando do CEO Philipp Navratil.
Ao todo, a Nestlé pretende retirar aproximadamente 16 mil posições de sua estrutura mundial ao longo de dois anos. Esse número equivale a cerca de 5,8% do quadro global que a empresa mantinha quando apresentou o plano.
A maior parte da redução atingirá escritórios e estruturas corporativas. A Nestlé pretende eliminar aproximadamente 12 mil cargos administrativos e profissionais em diferentes países e departamentos.
Além disso, a empresa prevê reduzir outras 4 mil posições principalmente nas áreas de fabricação e cadeia de suprimentos.
Para atingir a meta, a companhia simplifica processos, amplia o uso da automação e concentra determinadas atividades em serviços compartilhados. Ao mesmo tempo, o grupo busca eliminar estruturas que considera duplicadas.
Com isso, a Nestlé elevou a meta de economia do programa Fuel for Growth. Agora, a multinacional quer alcançar 3 bilhões de francos suíços em economias até o final de 2027, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Fábrica centenária já parou de produzir
A reorganização também chegou às fábricas da empresa.
Na Alemanha, a Nestlé decidiu encerrar uma unidade industrial que funcionava havia mais de 100 anos.
A fábrica ficava em Neuss, perto de Düsseldorf, e empregava aproximadamente 145 trabalhadores. No local, a companhia produzia principalmente óleo, maionese e mostarda da marca Thomy.
Por fim, a unidade produziu seu último item em 9 de junho de 2026.
Logo depois, a companhia iniciou a retirada e a desmontagem dos equipamentos industriais.
Segundo a Nestlé, vários fatores contribuíram para a decisão. Entre eles aparecem o aumento dos custos, a queda nos volumes fabricados, a capacidade industrial ociosa e a maior preocupação dos consumidores com os preços.
Entretanto, parte dos produtos continuou no mercado. Para isso, a empresa transferiu linhas para outras instalações.
Nestlé transfere produção para outra unidade
Uma parte importante dos tubos de maionese e mostarda que saíam de Neuss passou para Lüdinghausen, também na Alemanha.
Além disso, a Nestlé anunciou cerca de € 13 milhões em investimentos na fábrica que recebeu a produção.
A companhia também abriu aproximadamente 30 posições no local. Dessa forma, alguns trabalhadores afetados pelo encerramento de Neuss ganharam a possibilidade de buscar uma vaga na outra operação.
Assim, a reorganização segue uma estratégia clara. A empresa reduz estruturas em determinados locais e, ao mesmo tempo, concentra recursos nas instalações que considera mais eficientes.
Outra fábrica de chocolates encerrará produção
Pouco depois, a multinacional confirmou outra mudança importante.
Em julho de 2026, a Nestlé anunciou que encerrará a produção na fábrica de Diósgyőr, na Hungria.
A unidade possui aproximadamente 220 funcionários e continuará operando até dezembro de 2026.
A fábrica concentra sua atividade principalmente em chocolates ocos e produtos sazonais ligados a períodos como Páscoa e Natal.
Entre os itens fabricados no complexo aparecem produtos relacionados a marcas como KitKat, Smarties e Milkybar.
Além disso, a fábrica atende mercados fora da Hungria. Os produtos chegam a mais de 20 países.
A unidade possui aproximadamente 64 anos de história. Mesmo assim, a Nestlé concluiu que não fazia mais sentido manter a operação nesse formato.
Procura por chocolates pesou na decisão
No caso da fábrica húngara, a Nestlé apontou um motivo específico para a mudança.
A procura por chocolates sazonais diminuiu. Consequentemente, a fábrica passou a produzir volumes menores.
Atualmente, a unidade de Diósgyőr responde por menos de 3% da receita da Nestlé na Hungria. Além disso, representa somente 0,4% do volume industrial da companhia no país.
Por isso, a multinacional decidiu abandonar a fabricação direta naquela instalação.
Entretanto, os chocolates não necessariamente desaparecerão das lojas.
A estratégia prevê transferir a fabricação para uma empresa externa. Esse produtor deverá seguir os padrões definidos pela Nestlé para os produtos.
Empresa procura comprador para fábrica
Apesar do fim da produção própria, a unidade ainda pode continuar funcionando.
A Nestlé busca um investidor interessado em assumir o complexo industrial de Diósgyőr e manter algum tipo de produção no local.
Inclusive, as negociações já estavam avançadas quando a empresa anunciou sua saída.
Caso encontre um comprador, a fábrica poderá continuar operando sob outro controlador. Além disso, um eventual acordo poderá preservar parte dos empregos atuais.
A própria Nestlé já adotou uma solução semelhante em outra fábrica europeia.
Outra fábrica escapou do fechamento
Em março de 2025, a companhia anunciou que deixaria a unidade de Conow, na Alemanha.
O local fabricava itens das marcas Maggi e Garden Gourmet e contava com aproximadamente 80 trabalhadores.
Inicialmente, a Nestlé planejava retirar sua produção da instalação e levá-la para outras fábricas europeias.
No entanto, a empresa conseguiu encontrar um comprador.
Em novembro daquele ano, a Nestlé anunciou a venda do complexo para o grupo alemão Sprehe. Posteriormente, o novo proprietário assumiu a unidade em 1º de janeiro de 2026.
Além disso, cerca de 70 funcionários passaram para o novo controlador.
Por esse motivo, a fábrica de Conow não entra na lista de unidades efetivamente fechadas. A Nestlé abandonou a operação, mas outra empresa manteve a atividade industrial no local.
Nestlé continua lucrativa apesar dos cortes
As 16 mil reduções e os fechamentos não significam que a Nestlé esteja perto de uma falência.
Pelo contrário, a multinacional continua registrando bilhões em vendas e lucro.
No primeiro semestre de 2026, a companhia alcançou aproximadamente 43,1 bilhões de francos suíços em vendas.
Além disso, obteve lucro líquido de cerca de 3,47 bilhões de francos suíços.
O valor caiu 31,4% em comparação com o mesmo período de 2025. Ainda assim, a empresa terminou o semestre com resultado positivo.
Ao mesmo tempo, as vendas orgânicas cresceram 3,6%.
Portanto, a companhia busca principalmente aumentar a eficiência, reduzir despesas e melhorar suas margens. Além disso, pretende direcionar mais recursos para negócios e mercados com maior potencial de crescimento.
Brasil recebe R$ 7 bilhões em investimentos
Enquanto a Nestlé reduz algumas operações no exterior, o Brasil segue em outra direção.
A companhia anunciou um pacote de R$ 7 bilhões em investimentos no mercado brasileiro entre 2025 e 2028.
O plano inclui expansão da capacidade produtiva, modernização das fábricas, inovação e projetos ligados à sustentabilidade.
Além disso, a Nestlé coloca o Brasil entre seus três mercados mais importantes no mundo.
Por isso, diferentes fábricas brasileiras receberam ou receberão novos aportes.
No Espírito Santo, por exemplo, a empresa amplia sua unidade de Vila Velha. A companhia adiciona novas linhas para chocolates, bombons e produtos que combinam biscoitos e chocolate.
Entre as marcas beneficiadas aparecem Serenata de Amor e Caribe.
São Paulo e Minas Gerais também ganham investimentos
A expansão da Nestlé não para no Espírito Santo.
Em Montes Claros, Minas Gerais, a companhia aumenta a estrutura destinada à produção de Nescafé Dolce Gusto.
Além disso, a empresa investe na fábrica de Ituiutaba. Essa unidade trabalha com produtos de nutrição ligados a marcas e linhas como Ninho, Nestogeno e Nestonutri.
Já em Araras, no interior de São Paulo, a Nestlé instala uma nova linha de extração de café solúvel.
Dessa maneira, a companhia mostra duas estratégias diferentes dentro da mesma reorganização.
Por um lado, reduz fábricas e estruturas que apresentam menor eficiência. Por outro, investe bilhões onde identifica potencial de crescimento.
Nova fábrica recebeu R$ 2,5 bilhões
O maior exemplo dessa expansão brasileira apareceu em março de 2026.
Naquele mês, a Nestlé Purina inaugurou uma nova fábrica em Vargeão, Santa Catarina.
A companhia investiu aproximadamente R$ 2,5 bilhões no projeto.
A instalação concentra a produção de alimentos úmidos para cães e gatos. Quando atingir sua capacidade total, a fábrica poderá quase dobrar a capacidade brasileira da Purina nesse segmento.
Além de abastecer o mercado nacional, a fábrica também mira consumidores de outros países.
A unidade já começou a enviar produtos para o Chile. Além disso, a Nestlé pretende ampliar as exportações para outros mercados da América Latina.
Nova operação também criou empregos
Enquanto corta postos globalmente, a companhia aumentou seu quadro nessa nova operação brasileira.
A fábrica catarinense criou aproximadamente 140 empregos permanentes.
Além disso, a instalação reúne 44 posições indiretas e cerca de 200 trabalhadores terceirizados envolvidos na operação.
Durante as obras, aproximadamente 7,2 mil pessoas participaram das diferentes etapas da construção.
Assim, o contraste fica evidente. A Nestlé elimina milhares de posições em determinadas áreas do mundo, mas continua contratando e investindo onde pretende ampliar sua produção.
Nestlé mantém 18 fábricas no Brasil
A presença industrial da companhia continua relevante no país.
Quando anunciou o pacote de R$ 7 bilhões, a Nestlé informou que mantinha 18 unidades industriais em funcionamento no Brasil.
Além disso, a empresa operava 12 centros de distribuição.
A companhia também empregava diretamente mais de 30 mil pessoas no território brasileiro.
Até agora, porém, a Nestlé não apresentou uma distribuição dos 16 mil cortes por país.
Portanto, não existe base para afirmar que milhares das demissões anunciadas ocorrerão no Brasil.
O plano atinge diferentes países, áreas administrativas, fábricas e operações da multinacional.
Na prática, a Nestlé conduz dois movimentos ao mesmo tempo. Em operações que considera menos competitivas, corta custos, reduz postos, transfere produção e fecha fábricas. Entretanto, em mercados estratégicos, amplia capacidade e direciona bilhões para novos projetos.
Até o fim de 2027, a multinacional pretende eliminar aproximadamente 16 mil posições em sua estrutura global. Enquanto isso, a fábrica alemã de Neuss já encerrou a produção, e a unidade de chocolates de Diósgyőr deverá parar as máquinas em dezembro de 2026.
No Brasil, porém, o cenário segue diferente. A Nestlé mantém um ciclo bilionário de investimentos, expande fábricas e aumenta a produção em áreas consideradas estratégicas.