O cenário dos supermercados está mudando em diferentes cidades brasileiras. Endereços que durante anos foram associados ao Carrefour ou à bandeira Nacional estão passando para as mãos de concorrentes, que reformam os espaços e colocam novas marcas nas fachadas.
Entre as redes que avançaram sobre antigos pontos do Carrefour estão Muffato, Festval, Nicolini, Zaffari e grupos regionais que aproveitaram a oportunidade para ampliar suas operações.
As mudanças são resultado de diferentes negociações realizadas nos últimos anos. Uma das maiores começou oficialmente em dezembro de 2024, quando o Grupo Carrefour Brasil decidiu se desfazer de dezenas de supermercados das bandeiras Nacional e Bompreço.
Naquele momento, o Carrefour colocou 64 unidades no plano de desinvestimento e estimou arrecadar aproximadamente R$ 400 milhões com o conjunto das operações.
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Desde então, alguns supermercados fecharam, enquanto outros passaram diretamente para concorrentes. Há ainda pontos que estão sendo reformados para receber novas redes de supermercados.
Carrefour colocou 64 supermercados em negociação
O plano anunciado pelo Carrefour alcançou 47 supermercados Nacional, concentrados principalmente na Região Sul, além de 17 unidades Bompreço no Nordeste.
Parte dessas operações havia entrado para o grupo após a aquisição do Grupo BIG, concluída em 2022.
Nos meses seguintes, o Carrefour avançou com a integração das operações. Até 2023, segundo informações divulgadas pelo próprio grupo, 129 lojas provenientes do BIG já tinham passado por processos de conversão.
Depois dessa etapa, entretanto, a companhia decidiu rever sua presença em alguns mercados e iniciou a saída das bandeiras Nacional e Bompreço.
Assim, em dezembro de 2024, o Carrefour colocou dezenas de unidades em negociação.
Negociações do Carrefour abriram espaço para novas redes de supermercados
O Carrefour calculava que poderia levantar cerca de R$ 400 milhões com as alienações previstas.
Esse montante, porém, representava a estimativa para o conjunto das negociações e não o preço de uma única venda.
Além disso, as operações tinham características diferentes.
Das 64 unidades previstas no plano do Carrefour, somente 11 estavam instaladas em imóveis pertencentes ao próprio grupo. As outras 53 funcionavam em imóveis alugados.
Por esse motivo, cada ponto exigiu um modelo próprio de negociação, envolvendo venda de operações, transferência de contratos, encerramento de atividades ou repasse de determinados ativos.
Para os concorrentes, entretanto, os antigos supermercados do Carrefour abriram uma oportunidade de expansão.
Em muitos casos, novas redes de supermercados puderam entrar em locais conhecidos pelos consumidores, com estrutura pronta, áreas de estacionamento, estoque e boa localização comercial.
Redes substituem Carrefour em antigos supermercados
Curitiba se tornou um dos exemplos mais claros dessa mudança.
Em dezembro de 2024, oito supermercados Nacional da capital paranaense passaram para novos operadores.
O Grupo Muffato ficou com quatro unidades, enquanto o Festval assumiu outras quatro.
As operações fizeram parte do processo iniciado pelo Carrefour para reduzir sua exposição às antigas bandeiras do Grupo BIG.
O Carrefour não informou publicamente o valor específico pago pelas oito unidades.
Dessa forma, os aproximadamente R$ 400 milhões divulgados naquele período não correspondem somente aos supermercados de Curitiba, mas à estimativa de arrecadação com todo o plano.
Rede de supermercados assumiu antigas lojas do Carrefour
No Rio Grande do Sul, diversos endereços anteriormente ocupados pela bandeira Nacional também começaram a mudar de mãos.
Uma das negociações mais relevantes envolveu o Grupo Nicolini.
Inicialmente, Carrefour e Nicolini anunciaram uma operação envolvendo 11 supermercados no estado. A transação passou pela análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica.
Posteriormente, questões envolvendo contratos e pontos comerciais modificaram a quantidade efetivamente incorporada.
Atualmente, o próprio Grupo Nicolini informa ter recebido oito antigas unidades Nacional.
Com isso, locais tradicionalmente conhecidos pela antiga bandeira controlada pelo Carrefour passaram a operar com outra identidade.
Antigas lojas do Carrefour foram reformadas antes da reabertura
A mudança de operador também trouxe investimentos em algumas unidades.
Em Santa Maria, por exemplo, um antigo supermercado Nacional passou por reformas antes de voltar a atender os clientes sob uma nova administração.
A loja recebeu alterações na estrutura e na identidade visual.
Após a transformação, o supermercado passou a contar com aproximadamente 2,7 mil metros quadrados de área de vendas e cerca de 150 trabalhadores.
Esse tipo de situação mostra que o fechamento de uma bandeira ligada ao Carrefour não necessariamente representa o fim definitivo da atividade supermercadista naquele endereço.
Em vários locais, apenas o nome na fachada muda, enquanto o ponto continua atendendo consumidores sob o comando de outra rede de supermercados.
Novas redes de supermercados ocupam antigos pontos do Carrefour
A substituição das operações avançou por diferentes cidades do Sul do país.
Em Novo Hamburgo, uma antiga unidade Nacional passou para o Supermercados Kern.
Já em São Leopoldo, outra loja anteriormente ligada à bandeira foi assumida pelo Viezzer.
Dessa forma, redes de supermercados regionais passaram a ocupar espaços que antes faziam parte da estrutura controlada pelo Grupo Carrefour.
Esse movimento também permite que empresas locais cresçam sem precisar construir novas lojas do zero.
Antigo hipermercado Carrefour passou para outra rede de supermercados
Nem todas as mudanças envolvem somente supermercados da bandeira Nacional.
Um antigo hipermercado Carrefour de São Leopoldo, por exemplo, também ganhou outro destino.
O Grupo Andreazza adquiriu o ponto como parte de seus planos de expansão na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Nesse caso, portanto, um endereço que carregava diretamente a marca Carrefour passou para o controle de uma rede de supermercados concorrente.
Carrefour deixou shopping
Outra mudança importante ocorreu no Shopping Center Norte, em São Paulo.
O Carrefour encerrou as atividades no empreendimento em 21 de dezembro de 2024.
Esse caso, entretanto, possui uma origem diferente do plano envolvendo as 64 unidades Nacional e Bompreço.
Segundo informações divulgadas pelo próprio Carrefour, a administração do shopping solicitou a devolução do imóvel.
Por isso, a saída daquela unidade não deve ser considerada parte da mesma operação de desinvestimento anunciada para as demais lojas.
Mesmo assim, o endereço também passará por uma troca importante no setor supermercadista.
Rede de supermercados ocupará antigo espaço do Carrefour
O Grupo Zaffari está entre as empresas escolhidas para ocupar a antiga área utilizada pelo Carrefour no Center Norte.
O espaço passa por um novo projeto comercial conduzido pelo próprio shopping.
Nesse caso, é importante separar os valores envolvidos.
Os investimentos anunciados para transformar a antiga área pertencem ao projeto de revitalização do empreendimento e não representam dinheiro pago diretamente ao Carrefour pela saída do local.
Portanto, embora o resultado seja novamente a substituição de uma operação ligada ao Carrefour por outra rede de supermercados, a negociação possui características diferentes.
Rede de supermercados também assumirá loja
A expansão do Zaffari sobre antigos pontos ligados ao Carrefour também chegará a Porto Alegre.
No Shopping Praia de Belas, uma área anteriormente ocupada por um supermercado Nacional será utilizada pela rede.
Assim, o endereço passará por mais uma troca de bandeira decorrente das mudanças iniciadas depois que o Carrefour incorporou as operações do Grupo BIG.
Para os consumidores, a transformação será percebida principalmente pela chegada de uma nova rede de supermercados ao local.
Carrefour esperava receber R$ 400 milhões
Quando apresentou o plano de venda das operações Nacional e Bompreço, o Carrefour informou que esperava arrecadar aproximadamente R$ 400 milhões.
Na época do anúncio, 15 supermercados já contavam com compromissos firmes de negociação.
O grupo havia avançado com sete unidades Bompreço e oito lojas Nacional.
Entretanto, como grande parte dos imóveis não pertencia ao Carrefour, o processo não representava simplesmente a venda de 64 propriedades.
Cada negociação dependia da situação contratual e operacional de cada supermercado.
Mudanças do Carrefour começaram antes
Embora algumas substituições de bandeira continuem aparecendo atualmente, o plano do Carrefour não começou em 2026.
O grupo anunciou oficialmente a alienação das 64 unidades em dezembro de 2024 e previa concluir boa parte do processo durante o primeiro semestre de 2025.
Por isso, as novas fachadas, reformas e inaugurações vistas posteriormente representam consequências de decisões e negociações iniciadas nos anos anteriores.
Em alguns endereços, a substituição já terminou. Em outros, novas redes de supermercados ainda trabalham para concluir reformas e iniciar as atividades.
Carrefour continua com diferentes operações no Brasil
A venda desses pontos também não significa uma saída do Carrefour do mercado brasileiro.
O grupo continua presente no país por meio de diferentes formatos, entre eles hipermercados Carrefour, Carrefour Bairro e Carrefour Express.
Além disso, mantém operações importantes com as bandeiras Atacadão e Sam’s Club.
A estratégia, portanto, envolve mudanças no portfólio e na utilização de determinados pontos comerciais, e não o encerramento de todas as atividades do Carrefour no país.
Novas redes de supermercados substituem Carrefour em várias cidades
Na prática, consumidores de diferentes regiões já começaram a perceber a transformação.
Supermercados que carregaram durante anos as bandeiras Carrefour ou Nacional agora aparecem com nomes como Muffato, Festval, Nicolini, Zaffari, Andreazza, Kern e Viezzer.
Cada caso possui características próprias e nem todas as operações fazem parte exatamente do mesmo pacote de vendas.
Ainda assim, o movimento aponta para uma mudança importante no varejo alimentar brasileiro.
Depois de colocar dezenas de unidades em negociação e projetar aproximadamente R$ 400 milhões com o plano de desinvestimento, o Carrefour abriu espaço para que novas redes de supermercados ocupassem antigos pontos, reformassem lojas e ampliassem sua presença em diferentes cidades do Brasil.