O Carrefour começou a ser substituído por novas redes de supermercados em diferentes cidades do Brasil após uma sequência de vendas, fechamentos e negociações envolvendo antigos pontos comerciais do grupo. Em vários endereços, lojas que durante anos carregaram as bandeiras Carrefour ou Nacional já ganharam novos operadores.
O movimento envolve principalmente unidades que deixaram de fazer parte da estratégia do Grupo Carrefour Brasil após a integração do antigo Grupo BIG. A empresa decidiu reduzir o número de bandeiras, simplificar sua estrutura e vender dezenas de supermercados considerados menos estratégicos.
As negociações movimentaram cifras milionárias e abriram espaço para redes regionais ampliarem rapidamente sua presença. Em vez de construir novos supermercados do zero, essas empresas compraram ou passaram a ocupar imóveis já conhecidos pelos consumidores e localizados em regiões de grande circulação.
Um dos maiores planos de desinvestimento envolveu 64 lojas das bandeiras Nacional e Bompreço, que pertenciam ao Carrefour. A companhia estimou inicialmente levantar entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões com as vendas.
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Carrefour colocou dezenas de supermercados à venda
Boa parte das lojas incluídas nessa reorganização chegou ao controle do Carrefour depois da aquisição do Grupo BIG.
Com o negócio, a companhia passou a administrar várias bandeiras diferentes. Além de Carrefour e Atacadão, o grupo incorporou marcas como Nacional e Bompreço.
Com o passar do tempo, porém, a empresa decidiu concentrar esforços principalmente em Carrefour, Atacadão e Sam’s Club.
Assim, algumas unidades do Nacional foram convertidas para outras bandeiras do próprio grupo. Outras entraram em negociações com concorrentes. Também houve lojas encerradas definitivamente.
Esse processo criou uma disputa por pontos comerciais já consolidados em grandes cidades.
Tradicional hipermercado em São Paulo terá nova bandeira
Um dos exemplos mais simbólicos acontece na cidade de São Paulo.
O Carrefour encerrou sua histórica operação no Shopping Center Norte, na Zona Norte da capital paulista. A unidade funcionou durante décadas no empreendimento e ocupava uma área expressiva.
Agora, parte do antigo espaço receberá uma unidade do Grupo Zaffari.
O Shopping Center Norte prepara a área para a chegada do supermercado e de uma nova operação de entretenimento. O empreendimento informou investimento de aproximadamente R$ 65 milhões nas mudanças.
Assim, consumidores que durante anos encontravam o Carrefour naquele endereço passarão a ter uma nova rede supermercadista no mesmo complexo.
A mudança também representa um avanço importante da empresa gaúcha no mercado paulista, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Lojas do Carrefour passaram para concorrentes
A maior quantidade de substituições envolve supermercados que operavam sob a bandeira Nacional.
Apesar do nome diferente, essas unidades faziam parte do Grupo Carrefour desde a compra do antigo Grupo BIG.
No Rio Grande do Sul, o Nacional chegou a manter dezenas de lojas espalhadas por diferentes municípios.
Com a decisão de reduzir essa operação, vários pontos passaram para concorrentes regionais.
As novas empresas reformaram os imóveis, trocaram fachadas e, em muitos casos, reabriram os supermercados com suas próprias marcas.
Uma única negociação envolveu 11 lojas do Carrefour
Um dos maiores negócios ocorreu no Rio Grande do Sul.
O Carrefour chegou a negociar 11 antigos supermercados Nacional com o Grupo Nicolini.
As unidades estavam distribuídas por municípios como Alegrete, Bagé, Camaquã, Dom Pedrito, Pelotas, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa e São Borja.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica autorizou a operação.
Inicialmente, informações de mercado apontaram que o negócio ficou abaixo de R$ 50 milhões. Posteriormente, ajustes relacionados aos contratos dos imóveis reduziram o número de pontos efetivamente incorporados pelo comprador.
Atualmente, o próprio grupo comprador informa ter incorporado oito antigas unidades.
Supermercados já reabriram depois da troca
Parte das antigas lojas já voltou a receber consumidores com outras marcas nas fachadas.
Em Santa Maria, por exemplo, uma antiga unidade do Nacional no bairro Medianeira passou por reforma antes de reabrir.
O estabelecimento ganhou aproximadamente 2,7 mil metros quadrados de área de vendas e passou a empregar cerca de 150 trabalhadores.
Outras cidades também acompanharam a substituição das antigas cores do Nacional por novas identidades visuais.
Isso mostra que o encerramento de uma bandeira nem sempre representa o fechamento definitivo do supermercado.
Em muitos casos, outra empresa simplesmente assume o ponto e continua explorando o mesmo mercado consumidor.
Oito lojas do Carrefour mudaram de mãos em uma única capital
Outra grande negociação aconteceu em Curitiba.
O Carrefour vendeu oito lojas que funcionavam como Nacional na capital paranaense.
Os pontos foram divididos entre dois grupos supermercadistas regionais. O Muffato ficou com quatro unidades, enquanto o Festval assumiu outras quatro.
Entre os endereços estavam supermercados localizados em vias importantes, incluindo as avenidas Sete de Setembro e Erasto Gaertner, além de pontos nas ruas Comendador Araújo e João Gualberto.
Com a operação, empresas locais reforçaram sua presença justamente em regiões onde o Carrefour decidiu diminuir sua exposição.
Outros pontos ganharam novas marcas
A substituição também aconteceu fora das grandes negociações.
Em Novo Hamburgo, uma antiga unidade do Nacional passou para o Supermercados Kern.
Em São Leopoldo, outro supermercado foi assumido pelo Viezzer.
Já em outras cidades do Rio Grande do Sul, redes como Curitibanos, Madi, Índio, Mombach, SuperBom, Gauchão e Popular também assumiram antigos pontos vinculados ao Grupo Carrefour.
Somente no estado gaúcho, dezenas de endereços passaram a ter novos operadores depois da reorganização.
A pulverização mostra que o processo beneficiou tanto empresas maiores quanto supermercados regionais de menor porte.
Antigo hipermercado também foi vendido
Nem todos os casos envolvem apenas a bandeira Nacional.
Em São Leopoldo, um imóvel que funcionava diretamente como hipermercado Carrefour também mudou de mãos.
O Grupo Andreazza comprou o antigo ponto para ampliar sua atuação na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A aquisição ajudou a empresa a alcançar a marca de 50 unidades.
Nesse caso, a troca ocorre de maneira direta: um endereço que carregava a marca Carrefour passou para um concorrente regional.
Outro grande ponto será ocupado
O movimento de substituição também chegou ao Shopping Praia de Belas, em Porto Alegre.
O espaço ocupado anteriormente por uma operação vinculada ao Grupo Carrefour receberá um novo supermercado.
A nova loja será do Grupo Zaffari e deverá utilizar uma área ainda maior dentro do shopping.
A mudança reforça um padrão que aparece em várias cidades: pontos deixados pelo Carrefour continuam atraentes para concorrentes devido à localização, estrutura pronta e fluxo já consolidado de consumidores.
Algumas unidades continuam dentro do próprio grupo
Nem todas as lojas foram vendidas.
Em determinados endereços considerados estratégicos, o Grupo Carrefour preferiu manter a operação e apenas trocar a bandeira.
Alguns antigos supermercados Nacional começaram a ser transformados em Carrefour Bairro, modelo voltado principalmente a compras de proximidade.
Assim, o processo possui três caminhos principais.
Parte das lojas passou para concorrentes. Outra parcela continuou sob controle do Carrefour com nova bandeira. E alguns pontos encerraram definitivamente suas atividades.
Por que o Carrefour decidiu reduzir a operação?
A reorganização começou principalmente depois da integração do Grupo BIG.
A compra aumentou significativamente o número de lojas e marcas administradas pelo Carrefour no Brasil.
Entretanto, a companhia passou a avaliar que manter tantas bandeiras diferentes aumentava custos e tornava a operação mais complexa.
Por isso, decidiu concentrar investimentos nas marcas consideradas prioritárias.
A estratégia atual coloca maior peso sobre Atacadão, Carrefour e Sam’s Club, enquanto outras operações foram vendidas, convertidas ou encerradas.
Isso não significa que o Carrefour esteja deixando o Brasil.
A companhia continua com uma presença gigantesca no varejo nacional e mantém centenas de unidades espalhadas pelo país.
Negociações movimentaram centenas de milhões
A dimensão financeira da operação ajuda a explicar o interesse dos concorrentes.
Quando colocou as 64 lojas Nacional e Bompreço no processo de desinvestimento, o Carrefour projetou receber entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões.
Além do preço pago pelos pontos, os novos operadores também investem em reformas, fachadas, equipamentos, estoques e modernização.
No Shopping Center Norte, apenas a adaptação do antigo espaço do Carrefour envolve dezenas de milhões de reais.
Portanto, todo o processo movimenta uma quantia muito superior ao valor das vendas iniciais.
Consumidores encontrarão novas redes onde havia Carrefour
As mudanças devem ficar cada vez mais visíveis.
Endereços que durante anos operaram com as bandeiras Carrefour ou Nacional já começaram a receber novas redes de supermercados, principalmente no Sul e Sudeste.
Em alguns locais, o estabelecimento ficou fechado por meses antes de ganhar nova operação. Em outros, a transição ocorreu de forma mais rápida.
Para as redes regionais, a reorganização representou uma oportunidade de crescer usando pontos comerciais já consolidados.
Para o Carrefour, significa concentrar recursos nas bandeiras consideradas mais estratégicas.
Assim, enquanto a gigante reduz determinadas operações, concorrentes avançam sobre os espaços deixados por ela e promovem uma verdadeira troca de bandeiras no varejo brasileiro após negociações que movimentaram centenas de milhões de reais.
