Consumidores que durante anos fizeram compras em unidades ligadas ao Carrefour estão começando a encontrar novas redes de supermercados nos mesmos endereços. A mudança já ocorre em diferentes cidades brasileiras e envolve antigos pontos do Carrefour e, principalmente, da bandeira Nacional.
O movimento ganhou força depois que o Grupo Carrefour Brasil iniciou uma ampla reorganização de suas operações. Dezenas de supermercados entraram em processos de venda, conversão ou encerramento, abrindo espaço para concorrentes interessados em imóveis já consolidados.
Boa parte dessas lojas chegou ao controle do Carrefour após a aquisição do Grupo BIG. Com a integração, o grupo passou a administrar diferentes bandeiras e decidiu posteriormente simplificar sua estrutura.
Nesse processo, redes regionais encontraram uma oportunidade para crescer rapidamente. Em vez de construir novos supermercados do zero, elas passaram a assumir pontos já conhecidos pelos consumidores.
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Um dos maiores planos de desinvestimento envolveu 64 supermercados das bandeiras Nacional e Bompreço. O Carrefour estimou inicialmente arrecadar entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões com as negociações.
Carrefour colocou dezenas de supermercados à venda
A reorganização começou principalmente depois da incorporação do antigo Grupo BIG.
A compra aumentou de forma significativa a quantidade de supermercados e bandeiras administradas pelo Carrefour no Brasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Além de Carrefour e Atacadão, o grupo incorporou operações como Nacional e Bompreço, que possuíam forte presença regional.
Com o passar do tempo, porém, a companhia decidiu reduzir a complexidade do negócio e concentrar seus esforços nas marcas consideradas mais estratégicas.
Por isso, 47 supermercados Nacional localizados no Sul e outras 17 unidades Bompreço no Nordeste entraram no plano de desinvestimento.
Ao todo, 64 supermercados ficaram disponíveis para venda ou negociação.
Supermercados do Carrefour despertaram interesse de concorrentes
Os imóveis deixados pelo grupo chamaram a atenção de outras empresas do varejo alimentar.
Isso acontece porque muitos desses supermercados funcionam em pontos privilegiados, como grandes avenidas, bairros populosos e centros comerciais consolidados.
Além disso, vários imóveis já possuem estacionamento, áreas de estoque, câmaras frias, docas e estrutura pronta para operações de grande porte.
Dessa forma, assumir um antigo supermercado do Carrefour pode representar uma expansão muito mais rápida do que construir uma nova loja.
Esse cenário estimulou negociações com redes regionais de diferentes tamanhos.
Antigo Carrefour em São Paulo terá novo supermercado
Um dos casos mais simbólicos acontece na cidade de São Paulo.
O Carrefour encerrou a operação que mantinha no Shopping Center Norte, na Zona Norte da capital paulista.
Durante décadas, o hipermercado ocupou uma grande área dentro do empreendimento e se tornou uma das operações mais conhecidas do local.
Agora, parte do antigo espaço do Carrefour receberá um supermercado do Grupo Zaffari.
O empreendimento prepara uma ampla transformação da área, que também receberá uma nova operação de entretenimento.
O investimento anunciado para as mudanças no espaço gira em torno de R$ 65 milhões.
Assim, consumidores que durante anos encontravam o Carrefour naquele endereço passarão a ter uma nova rede de supermercados no mesmo complexo.
Carrefour vendeu oito supermercados em Curitiba
Outro movimento importante ocorreu em Curitiba.
O Carrefour negociou oito supermercados que funcionavam sob a bandeira Nacional na capital paranaense.
Os pontos foram divididos entre duas grandes redes regionais.
O Grupo Muffato assumiu quatro supermercados. Já o Festval ficou com outras quatro unidades.
Os endereços estavam localizados em regiões importantes da cidade, incluindo áreas próximas às avenidas Sete de Setembro e Erasto Gaertner e às ruas Comendador Araújo e João Gualberto.
Com isso, o Carrefour reduziu sua presença nesses pontos enquanto concorrentes ampliaram suas operações.
Supermercados foram negociados em várias cidades
O Rio Grande do Sul concentra uma das maiores quantidades de mudanças.
Durante anos, a bandeira Nacional manteve dezenas de supermercados espalhados pelo estado.
Apesar do nome diferente, esses estabelecimentos faziam parte do Grupo Carrefour desde a aquisição do BIG.
Quando a companhia decidiu reduzir a operação do Nacional, diversas redes começaram a negociar os pontos.
As mudanças envolveram supermercados em municípios do interior e também na Região Metropolitana de Porto Alegre.
Em muitos casos, os imóveis continuaram funcionando como supermercados, mas com novas marcas nas fachadas.
Carrefour negociou 11 supermercados com uma única rede
Uma das maiores operações envolveu o Grupo Nicolini.
O Carrefour chegou a negociar 11 antigos supermercados Nacional com a empresa gaúcha.
As unidades estavam localizadas em municípios como Alegrete, Bagé, Camaquã, Dom Pedrito, Pelotas, Rosário do Sul, Santa Cruz do Sul, Santa Maria, Santa Rosa e São Borja.
O Conselho Administrativo de Defesa Econômica autorizou a operação.
Posteriormente, questões envolvendo contratos e imóveis alteraram parte do negócio. Atualmente, o grupo comprador informa ter incorporado oito antigas unidades.
Mesmo assim, a negociação representa um dos maiores exemplos da transferência de supermercados ligados ao Carrefour para uma rede regional.
Antigos supermercados Carrefour já reabriram
Parte das lojas negociadas já voltou a receber consumidores.
Em Santa Maria, por exemplo, um antigo supermercado Nacional passou por reforma antes de reabrir sob nova administração.
A loja ganhou aproximadamente 2,7 mil metros quadrados de área de vendas e passou a contar com cerca de 150 trabalhadores.
Outros municípios também registraram reformas, mudanças de fachadas e inaugurações.
Isso mostra que o encerramento de uma operação do Carrefour nem sempre significa que o supermercado desaparecerá daquele endereço.
Em muitos casos, apenas ocorre a troca de empresa responsável pela unidade.
Antigo hipermercado Carrefour ganhou nova rede
São Leopoldo também passou por uma mudança direta.
Um imóvel que funcionou como hipermercado Carrefour foi adquirido pelo Grupo Andreazza.
A empresa aproveitou o antigo ponto para ampliar sua presença na Região Metropolitana de Porto Alegre.
A nova loja abriu as portas em junho de 2026 e ajudou o grupo a alcançar a marca de 50 unidades.
O estabelecimento utiliza uma área superior a 3 mil metros quadrados destinada ao supermercado.
Nesse caso, um endereço que durante anos carregou diretamente a marca Carrefour passou para um concorrente regional.
Outros supermercados ligados ao Carrefour mudaram de bandeira
A lista de substituições não termina nas maiores negociações.
Diversos supermercados regionais assumiram pontos que anteriormente faziam parte das operações do Carrefour ou do Nacional.
Entre as empresas que avançaram sobre esses endereços estão redes como Kern, Viezzer, Curitibanos, Madi, Índio, Mombach, SuperBom, Gauchão e Popular.
Em Novo Hamburgo, por exemplo, uma antiga unidade Nacional passou para o Supermercados Kern.
Em São Leopoldo, outro ponto foi assumido pelo Viezzer.
Dessa forma, o processo não beneficiou apenas grandes grupos. Supermercados menores e empresas regionais também aproveitaram a reorganização do Carrefour.
Supermercado substituirá operação em shopping
Outro endereço importante passa por mudança em Porto Alegre.
O espaço anteriormente ocupado por uma operação ligada ao Grupo Carrefour no Shopping Praia de Belas receberá uma unidade do Grupo Zaffari.
A chegada da nova rede exige mudanças na estrutura interna do shopping e ampliará a presença do grupo gaúcho na capital.
Mais uma vez, a localização aparece como um dos principais atrativos.
Grandes áreas dentro de shoppings e centros comerciais dificilmente ficam disponíveis por longos períodos, principalmente quando já possuem histórico de operação supermercadista.
Por isso, antigos pontos do Carrefour continuam despertando interesse.
Carrefour também transforma supermercados sem vender
Nem todas as antigas lojas foram repassadas para concorrentes.
Em alguns endereços, o próprio Carrefour decidiu manter a operação e apenas alterar a bandeira.
Parte dos antigos supermercados Nacional passou a ser convertida para Carrefour Bairro.
Esse formato atende principalmente consumidores que realizam compras de proximidade e procuram unidades menores do que os grandes hipermercados.
Assim, a reorganização possui diferentes caminhos.
Alguns supermercados foram vendidos. Outros permaneceram dentro do Carrefour com novas bandeiras. Também existem pontos que encerraram definitivamente as atividades.
Por que o Carrefour está reduzindo alguns supermercados?
A principal explicação está na integração do Grupo BIG.
Depois da aquisição, o Carrefour ficou responsável por um número muito maior de lojas, formatos e marcas.
Essa variedade aumentou a complexidade da operação.
Por isso, o grupo decidiu simplificar o portfólio e direcionar mais recursos para bandeiras consideradas prioritárias.
Atacadão, Carrefour e Sam’s Club passaram a ocupar o centro dessa estratégia.
Enquanto isso, operações consideradas menos estratégicas foram vendidas, transformadas ou encerradas.
Rede de supermercados não está deixando o Brasil
Apesar da venda de dezenas de supermercados, o Carrefour continua com uma presença gigantesca no mercado brasileiro.
A companhia mantém centenas de lojas e diferentes formatos espalhados pelo país.
Portanto, o movimento não significa uma saída do Brasil.
O que está acontecendo é uma reorganização da operação após a compra do Grupo BIG.
Em determinados mercados, o grupo prefere reduzir sua presença. Em outros, mantém supermercados e realiza conversões para suas principais bandeiras.
Negociações dos supermercados movimentam milhões
Os valores envolvidos ajudam a mostrar o tamanho da transformação.
Quando anunciou o processo envolvendo 64 supermercados Nacional e Bompreço, o Carrefour estimou receber entre R$ 400 milhões e R$ 450 milhões com o desinvestimento.
No entanto, o impacto financeiro vai muito além do valor das vendas.
As redes que assumem esses pontos precisam investir em reformas, novas fachadas, estoques, equipamentos, sistemas e adaptação das lojas.
No Shopping Center Norte, por exemplo, a transformação do antigo espaço ocupado pelo Carrefour envolve aproximadamente R$ 65 milhões.
Somados todos esses investimentos, a troca de bandeiras movimenta cifras ainda maiores.
Novas redes substituem supermercados do Carrefour
As mudanças já estão cada vez mais visíveis para os consumidores.
Em diferentes cidades, supermercados que durante anos operaram com as marcas Carrefour ou Nacional passaram a exibir novas bandeiras.
Muffato, Festval, Nicolini, Andreazza, Zaffari e diversas empresas regionais aproveitaram os espaços deixados pelo grupo.
Para essas redes, a reorganização criou uma oportunidade rara de expansão em pontos comerciais já consolidados.
Para o Carrefour, o movimento permite concentrar recursos nas operações consideradas mais importantes dentro de sua estratégia.
Assim, enquanto a companhia reduz algumas frentes, novas redes de supermercados avançam sobre antigos endereços e promovem uma ampla troca de bandeiras no varejo brasileiro após negociações que movimentam centenas de milhões de reais.

