Uma gigante centenária da indústria de doces encerrou sua produção no Brasil após cerca de dez anos de operação. A companhia fechou sua única fábrica no país e também deixou de manter produção industrial em toda a América Latina. Cerca de 150 trabalhadores foram afetados pela decisão.
Enquanto encerra esse ciclo brasileiro, a multinacional segue um caminho diferente nos Estados Unidos. A empresa mantém uma fábrica construída a partir de um investimento de aproximadamente US$ 300 milhões e, em 2026, anunciou uma nova fase de crescimento no mercado norte-americano.
A empresa em questão é a Haribo, multinacional alemã conhecida mundialmente pelos tradicionais ursinhos de gelatina Goldbears. No Brasil, sua fábrica funcionava em Bauru, no interior de São Paulo. A companhia anunciou o encerramento em abril e definiu julho de 2026 como prazo para concluir a produção.
Com o fechamento, o Brasil deixa de produzir os doces da Haribo. A empresa, porém, não anunciou uma saída completa do mercado brasileiro. A intenção é continuar vendendo seus produtos no país por meio de um novo modelo de abastecimento.
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Gigante mundial dos doces fecha única fábrica no Brasil
A unidade de Bauru começou a produzir em 2016 e ocupava uma posição importante na história da multinacional. Na época de sua implantação, tornou-se a primeira fábrica da Haribo fora da Europa.
Além de abastecer consumidores brasileiros, a fábrica participou da estratégia internacional da companhia. Produtos fabricados em Bauru chegaram, inclusive, a ser exportados para os Estados Unidos.
Dez anos depois, a situação mudou completamente.
Em abril de 2026, a Haribo confirmou sua decisão de encerrar as atividades fabris no Brasil. A companhia classificou a decisão como definitiva e iniciou um processo gradual de desmobilização da unidade.
A produção continuou durante o período de transição. Posteriormente, em julho, a empresa reafirmou que pretendia concluir a fabricação até o final daquele mês.
Dessa forma, a Haribo encerrou aproximadamente uma década de produção brasileira, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Trabalhadores da fábrica serão demitidos
O fechamento também provocou impacto no mercado de trabalho de Bauru.
A fábrica contava com aproximadamente 150 funcionários quando a Haribo anunciou a decisão. O Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias de Alimentação de Bauru e Região apontou um número mais específico: 154 trabalhadores diretos.
Além disso, prestadores de serviços de áreas como limpeza e portaria também poderiam sofrer os efeitos do encerramento.
A situação da fábrica já preocupava representantes dos trabalhadores antes do anúncio. Segundo informações divulgadas pelo sindicato, a unidade chegou a empregar cerca de 350 pessoas em períodos anteriores, mas vinha reduzindo sua produção.
Em 2025, a queda da atividade industrial já chamava atenção. Portanto, quando a Haribo confirmou o fechamento em abril do ano seguinte, o sindicato afirmou que a decisão não chegou a surpreender completamente.
Por que a gigante mundial dos doces decidiu deixar de produzir no Brasil?
A Haribo não atribuiu o encerramento a um único motivo e também não apresentou publicamente um balanço apontando eventual prejuízo específico da fábrica.
Ao explicar a decisão, a multinacional mencionou fatores relacionados ao ambiente de negócios, competitividade e sustentabilidade da operação no longo prazo.
A companhia também citou fatores externos que afetaram o ambiente de negócios nos meses anteriores ao anúncio.
Por outro lado, a Haribo não detalhou quais seriam esses fatores. Dessa maneira, não é possível atribuir o fechamento exclusivamente a impostos, custos trabalhistas, câmbio ou decisões do governo brasileiro.
O fato concreto é que a empresa concluiu que manter sua estrutura industrial brasileira não atendia mais à estratégia definida para o negócio.
Haribo amplia presença nos Estados Unidos
Enquanto encerra sua produção brasileira, a Haribo vive um cenário diferente nos Estados Unidos.
A multinacional inaugurou em Pleasant Prairie, no estado de Wisconsin, sua primeira fábrica norte-americana em 2023. O empreendimento recebeu aproximadamente US$ 300 milhões em investimentos e representou o maior investimento individual da história da companhia naquele momento.
A estratégia não terminou com a inauguração.
A Haribo projetou a operação norte-americana em diferentes fases. A companhia anunciou planos para ampliar capacidade, incorporar novas tecnologias e aumentar sua estrutura produtiva no país.
Em agosto de 2026, enquanto a operação industrial brasileira já caminhava para seu encerramento definitivo, a Haribo anunciou oficialmente uma “nova fase de crescimento” nos Estados Unidos.
A estratégia inclui novos investimentos em inovação e relacionamento com consumidores, além da expansão da presença física da marca no mercado norte-americano. A empresa também anunciou suas primeiras lojas próprias nos Estados Unidos, incluindo unidades em Nova York e Massachusetts.
Assim, os movimentos mostram estratégias distintas nos dois mercados: fim da produção industrial no Brasil e continuidade da expansão da companhia nos Estados Unidos.
Investimento nos EUA não significa transferência da fábrica brasileira
Apesar do contraste, não há evidências de que a Haribo tenha transferido diretamente a produção de Bauru para Wisconsin.
A fábrica norte-americana começou a operar anos antes do fechamento brasileiro. Além disso, quando inaugurou a unidade dos Estados Unidos, a companhia informou que aquela produção atenderia o próprio mercado norte-americano.
Portanto, não é correto afirmar que máquinas, funcionários ou linhas produtivas brasileiras tenham sido transferidos para os Estados Unidos.
O que pode ser afirmado é que a Haribo encerrou sua estrutura industrial no Brasil enquanto mantém investimentos e uma estratégia de crescimento no mercado americano.
Brasil continuará recebendo produtos da gigante mundial dos doces
O fechamento da fábrica também não significa necessariamente o desaparecimento dos ursinhos de gelatina das lojas brasileiras.
A Haribo informou que pretende continuar presente comercialmente no Brasil. Após anunciar o encerramento da fábrica, a companhia disse que avaliava alternativas para encontrar um modelo sustentável e competitivo para continuar atendendo consumidores brasileiros.
Inicialmente, a empresa poderia utilizar estoques existentes enquanto reorganizava a operação.
Sem uma fábrica nacional, porém, a continuidade das vendas passa a depender de produtos fabricados fora do Brasil.
Até o momento, a Haribo não anunciou oficialmente qual país ou unidade industrial ficará responsável pelo abastecimento permanente do mercado brasileiro.
Por isso, também não é possível afirmar que os doces vendidos no Brasil passarão a vir dos Estados Unidos.
Fábrica brasileira chegou a produzir para os Estados Unidos
Um detalhe da história torna o contraste ainda maior.
Antes de a Haribo inaugurar sua própria fábrica norte-americana, a unidade de Bauru chegou a fabricar produtos destinados aos Estados Unidos.
Em 2018, por exemplo, a Prefeitura de Bauru destacava a expansão da companhia e a produção destinada tanto ao mercado nacional quanto às exportações.
Naquele período, executivos discutiam investimentos e ampliação das atividades brasileiras. Poucos anos depois, a trajetória tomou outra direção.
A Haribo inaugurou sua grande operação industrial americana em 2023. Já no Brasil, a fábrica perdeu força até a empresa anunciar seu encerramento definitivo em 2026.
Gigante mundial dos doces tem mais de 100 anos
Fundada em 1920, em Bonn, na Alemanha, a Haribo se transformou em uma das fabricantes de doces mais conhecidas do mundo.
O próprio nome Haribo nasceu da combinação de Hans Riegel Bonn — nome do fundador e da cidade alemã onde surgiu a companhia.
A empresa ganhou projeção internacional principalmente com os Goldbears, seus tradicionais ursinhos de gelatina.
Atualmente, a multinacional comercializa seus produtos em dezenas de países e mantém uma ampla estrutura industrial internacional.
O Brasil, entretanto, deixou de fazer parte dessa rede de produção.
Depois de aproximadamente dez anos fabricando no interior paulista, a multinacional encerrou sua única fábrica brasileira. Ao mesmo tempo, mantém uma operação industrial de centenas de milhões de dólares e uma estratégia anunciada de crescimento nos Estados Unidos.
