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Nestlé confirma demissão de 16 mil funcionários e fechamento de fábricas, mas se pronuncia sobre o Brasil

Nestlé confirmou fechamento de fábricas e demissões, mas afirma que no Brasil mantém investimentos bilionários.
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Nestlé se pronunciou sobre investimentos que mantém no Brasil. Crédito: Divulgação
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Uma das maiores multinacionais de alimentos do planeta confirmou uma profunda reorganização de suas operações. A Nestlé pretende eliminar cerca de 16 mil postos de trabalho no mundo, reduzir custos e concentrar a produção em estruturas consideradas mais eficientes.

O movimento também chegou às fábricas. Uma unidade centenária na Alemanha já encerrou a produção, enquanto outra fábrica de chocolates, localizada na Hungria, tem o fechamento produtivo programado para dezembro de 2026.

As decisões levantaram dúvidas sobre o futuro da companhia em outros mercados importantes. No Brasil, porém, a Nestlé afirma que a situação segue diferente. Procurada, a multinacional informou que mantém normalmente suas operações brasileiras, incluindo todas as 18 fábricas instaladas no país.

Além disso, a empresa reafirmou um pacote de R$ 7 bilhões em investimentos até 2028. O Brasil ocupa atualmente a posição de terceira maior operação da Nestlé no mundo.

Nestlé confirma demissão de 16 mil funcionários

A Nestlé anunciou o plano de redução de funcionários em outubro de 2025. A companhia pretende concluir a maior parte dos cortes até o fim de 2027.

Dos aproximadamente 16 mil postos atingidos, cerca de 12 mil correspondem a funções administrativas e profissionais espalhadas por diferentes países e setores da multinacional, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Outros 4 mil empregos entram em programas de produtividade que atingem principalmente fabricação e cadeia de suprimentos.

Na época do anúncio, os cortes correspondiam a aproximadamente 5,8% do quadro global da Nestlé.

A companhia quer simplificar sua estrutura, reduzir atividades duplicadas, ampliar serviços compartilhados e acelerar o uso de automação em diferentes áreas.

Com essas mudanças, a Nestlé aumentou para 3 bilhões de francos suíços sua meta de economia dentro do programa Fuel for Growth até o fim de 2027.

Fábrica centenária da Nestlé fecha as portas

A reestruturação não ficou restrita aos escritórios.

Na Alemanha, a Nestlé encerrou a produção de sua fábrica localizada em Neuss, próxima a Düsseldorf. A unidade produzia itens da marca Thomy, incluindo maionese, mostarda e óleo.

Cerca de 145 trabalhadores atuavam no local.

A fábrica produziu seu último item em 9 de junho de 2026. Depois disso, começou o processo de retirada e desmontagem dos equipamentos.

A decisão encerrou uma história industrial de mais de 100 anos naquele endereço.

Entre os motivos apresentados pela companhia estavam os custos elevados de produção, queda nos volumes, capacidade ociosa e consumidores mais atentos aos preços.

Parte da fabricação saiu de Neuss e migrou para outras unidades da companhia.

A Nestlé direcionou grande parte da produção de tubos de maionese e mostarda para Lüdinghausen, também na Alemanha. A multinacional anunciou aproximadamente € 13 milhões em investimentos nessa fábrica.

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A unidade também abriu 30 oportunidades destinadas a trabalhadores afetados pelo encerramento de Neuss.

Nestlé também fecha produção em fábrica de chocolates

Outra mudança ocorrerá na Hungria.

A Nestlé confirmou em julho de 2026 que encerrará, em dezembro, a produção de sua fábrica de Diósgyőr.

A unidade possui aproximadamente 220 funcionários e se especializou na fabricação de figuras ocas de chocolate, principalmente produtos sazonais vendidos durante períodos como Natal e Páscoa.

O complexo participa da fabricação de produtos ligados a marcas conhecidas internacionalmente, como KitKat, Smarties e Milkybar.

A unidade possui cerca de 64 anos de história e exporta produtos para mais de 20 países.

No entanto, a queda na procura por chocolates sazonais reduziu a importância da fábrica dentro da estrutura da Nestlé.

Segundo informações divulgadas sobre a operação, Diósgyőr responde por menos de 3% da receita da companhia na Hungria e somente 0,4% do volume industrial da Nestlé no país.

Chocolates continuarão sendo produzidos

O fechamento da produção não significa que os produtos feitos atualmente na unidade desaparecerão das lojas.

A Nestlé pretende transferir parte da fabricação para uma empresa terceirizada, que deverá seguir os padrões estabelecidos pela multinacional.

Ao mesmo tempo, a companhia tenta encontrar um comprador para a fábrica.

A intenção é permitir que outra empresa continue produzindo no complexo industrial. Caso a negociação avance, parte dos empregos também poderá permanecer no local.

Outra unidade foi vendida e evitou fechamento definitivo

A Nestlé já adotou estratégia semelhante em outra fábrica alemã.

Em março de 2025, a multinacional anunciou que encerraria suas operações em Conow, unidade ligada a produtos das marcas Maggi e Garden Gourmet.

Cerca de 80 trabalhadores estavam envolvidos inicialmente na operação.

Em vez de simplesmente fechar o complexo, porém, a Nestlé encontrou um comprador. O grupo alemão Sprehe adquiriu a unidade e assumiu o controle em 1º de janeiro de 2026.

Aproximadamente 70 funcionários também passaram para a nova empresa.

Por esse motivo, a Nestlé deixou a operação de Conow, mas o complexo continuou funcionando sob outro proprietário.

Nestlé não está em processo de falência

A redução de 16 mil postos e as mudanças industriais fazem parte de uma estratégia global de corte de custos e ganho de produtividade. O cenário não representa um processo de falência da companhia.

A Nestlé continua registrando bilhões em vendas e lucro.

No primeiro semestre de 2026, a multinacional alcançou vendas de 43,1 bilhões de francos suíços. O lucro líquido ficou próximo de 3,47 bilhões de francos suíços.

Apesar de permanecer positivo, o lucro apresentou queda de 31,4% na comparação com o mesmo período do ano anterior.

Por outro lado, as vendas orgânicas avançaram 3,6%.

A administração busca melhorar margens, acelerar decisões e direcionar recursos para produtos e mercados considerados estratégicos.

E o que acontece com a Nestlé no Brasil?

Enquanto reduz estruturas em determinados mercados internacionais, a Nestlé mantém uma estratégia de expansão no Brasil.

A companhia anunciou R$ 7 bilhões em investimentos no país entre 2025 e 2028.

Os recursos incluem expansão de capacidade produtiva, modernização das fábricas, inovação, tecnologia e projetos ligados à sustentabilidade.

Diante das notícias envolvendo as demissões globais e o fechamento de unidades no exterior, a Nestlé também se pronunciou especificamente sobre sua operação brasileira.

Em nota oficial, a companhia afirmou:

“A Nestlé esclarece que suas operações no Brasil seguem normalmente e que a companhia mantém seu plano de investimentos de R$ 7 bilhões no país até 2028, atualmente em plena execução. O Brasil é a terceira maior operação da Nestlé no mundo, e todas as 18 fábricas da companhia no país seguem em funcionamento, incluindo a unidade de Caçapava (SP), responsável pela produção de KITKAT.”

Nestlé investe bilhões em fábricas brasileiras

O pacote bilionário já alcança diferentes estados.

No Espírito Santo, a empresa amplia sua fábrica em Vila Velha. O projeto envolve novas linhas destinadas à fabricação de chocolates, bombons e produtos que combinam biscoito e chocolate.

Marcas como Serenata de Amor e Caribe fazem parte desse movimento industrial.

Em Minas Gerais, a companhia amplia a capacidade relacionada ao Nescafé Dolce Gusto em Montes Claros e realiza investimentos em Ituiutaba, onde produz itens ligados à nutrição.

Já em Araras, no interior de São Paulo, a Nestlé investe em uma nova linha destinada à extração de café solúvel.

Nova fábrica recebeu investimento de R$ 2 bilhões

Outra demonstração da estratégia brasileira ocorreu em Santa Catarina.

Em março de 2026, a Nestlé Purina inaugurou uma nova fábrica em Vargeão após aplicar cerca de R$ 2,5 bilhões no empreendimento.

A planta industrial produz alimentos úmidos destinados a cães e gatos.

Quando atingir sua capacidade completa, a unidade poderá praticamente dobrar a capacidade brasileira da Purina nesse segmento.

A fábrica também possui foco nas exportações. Produtos fabricados em Santa Catarina já começaram a seguir para o Chile, e a empresa pretende ampliar o atendimento a outros mercados da América Latina.

O empreendimento criou aproximadamente 140 empregos permanentes, além de postos indiretos e terceirizados. Durante as obras, milhares de trabalhadores participaram de diferentes etapas da construção.

Nestlé mantém 18 fábricas funcionando no Brasil

A Nestlé reforça que todas as suas 18 fábricas brasileiras continuam funcionando.

A companhia também mantém 12 centros de distribuição e uma extensa estrutura operacional no país.

Até agora, a multinacional não apresentou uma divisão pública mostrando quantos dos 16 mil cortes globais correspondem a cada país. Por isso, não há base para afirmar que o Brasil receberá uma parcela específica dessas demissões.

O que a empresa confirma oficialmente é a continuidade de suas operações brasileiras e do plano de R$ 7 bilhões em investimentos até 2028.

Assim, a Nestlé segue duas estratégias simultâneas pelo mundo: corta custos, postos de trabalho e capacidade industrial onde considera necessário, enquanto direciona novos investimentos para mercados classificados como estratégicos.

No Brasil, terceiro maior mercado da companhia no planeta, a sinalização oficial continua sendo de manutenção das 18 fábricas e execução do maior ciclo recente de investimentos da multinacional no país.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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