Uma iniciativa desenvolvida no Espírito Santo voltada à inclusão de pessoas indígenas com deficiência será apresentada na principal conferência mundial sobre os direitos das pessoas com deficiência, promovida pela Organização das Nações Unidas (ONU). O projeto será levado à 19ª Conferência dos Estados Partes da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência (COSP19), que acontece entre os dias 9 e 11 de junho, em Nova York, nos Estados Unidos.
Conforme apurado pelo Jornal Tempo Novo, a experiência será apresentada por Vanderson Gaburo, diretor social da Federação das Apaes do Estado do Espírito Santo (Feapaes-ES) e integrante da delegação brasileira no evento. A conferência reúne representantes de governos, organizações internacionais, especialistas e entidades da sociedade civil para discutir políticas públicas e estratégias de inclusão em todo o mundo.
Neste ano, a COSP19 marca os 20 anos da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência, documento considerado uma referência global na promoção da acessibilidade, da inclusão e da garantia de direitos.
Segundo Gaburo, a participação no encontro internacional representa uma oportunidade de compartilhar experiências que têm produzido resultados concretos no território capixaba.
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“Além de participar dos debates internacionais, teremos a oportunidade de apresentar experiências que nasceram nos territórios, dialogam com diferentes realidades e demonstram que a inclusão acontece quando transformamos direitos em ações concretas”, afirmou.
O projeto que será apresentado foi desenvolvido em Aracruz e tem como foco a inclusão e o fortalecimento dos direitos das pessoas indígenas com deficiência. A iniciativa ganhou destaque nacional após a realização do seminário “Direito, inclusão e visibilidade: reflexões e trocas de saberes para o Bem Viver das pessoas indígenas com deficiência”, realizado em 2025 na Aldeia Pau Brasil.
O encontro reuniu lideranças indígenas, especialistas, representantes do poder público, profissionais da rede Apae e famílias, promovendo debates sobre acessibilidade, acolhimento e garantia de direitos para uma população historicamente pouco contemplada nas discussões sobre deficiência.
Além do seminário, o trabalho desenvolvido em Aracruz contribuiu para aproximar os serviços especializados das comunidades indígenas, ampliando o acesso ao atendimento e fortalecendo ações adaptadas às especificidades culturais de cada povo.
“Vamos apresentar uma experiência real, construída a partir da escuta, do diálogo e do respeito à cultura dos povos indígenas. O trabalho desenvolvido em Aracruz mostrou que é possível ampliar o acesso a direitos e construir caminhos de inclusão que considerem as especificidades de cada comunidade. É uma honra levar essa experiência do Espírito Santo para um espaço global de discussão como a ONU”, destacou Gaburo.
Durante a conferência, os participantes também debaterão temas como prevenção da violência contra pessoas com deficiência, fortalecimento das redes de cuidado e ampliação da participação desse público nos espaços de decisão.