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Conheça os candidatos a deputado federal ‘da Serra’ e o que está em jogo para a cidade

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Ilustração sobre os candidatos a deputado federal da Serra na eleição de 2026
Dez candidatos a deputado federal têm domicílio eleitoral na Serra em 2026. Imagem montagem/Tempo Novo
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A Serra tem um dos maiores orçamentos municipais do ES, mas essa força se dilui quando o dinheiro é dividido pela população. Por isso, obras que mudam a cidade dependem de recursos que vêm de Brasília, e é aí que entra o peso de eleger um deputado federal da terra. Dez candidatos com domicílio eleitoral na Serra disputam essa vaga em 2026. Conheça cada um.

Em valores absolutos, a Serra aparece na 2ª posição do ranking de orçamento do TC-ES em 2025, atrás apenas da capital. O tamanho, porém, engana. Na proporção entre orçamento e população, o município despenca para a 73ª posição. Ou seja: sobra pouco por habitante. Como resultado, investimentos estruturantes dependem fortemente de recursos que vêm de fora.

Esses recursos já chegam à cidade por vários caminhos. Só em transferências diretas, a Serra recebeu mais de R$ 500 milhões em 2025. Outros R$ 600 milhões foram destinados diretamente à população, via programas sociais e benefícios como aposentadorias e seguro-desemprego. Mas há uma terceira via, e é ela que dá peso à disputa por uma cadeira na Câmara: as emendas parlamentares.

O que um deputado federal pode destinar para a Serra

Cada deputado federal tem direito a cerca de R$ 37 milhões em emendas individuais no Orçamento da União. Boa parte pode ser transferida direto ao caixa da prefeitura, sem convênio nem indicação prévia de destino, o que dá ao parlamentar poder concreto de levar verba ao próprio município.

O potencial não para aí. Atuando em conjunto, os deputados acessam volumes maiores. As emendas de comissão, indicadas por colegiados temáticos da Câmara e do Senado, não são impositivas, mas passaram a concentrar cada vez mais recursos nos últimos anos.

Já as emendas de bancada, impositivas desde 2019, são definidas pelas bancadas estaduais e representam o naco mais robusto: em 2024, o total reservado a essa rubrica no país chegou a R$ 8,5 bilhões, com cada estado tendo direito a indicar cerca de R$ 316,9 milhões. Foi com esse tipo de recurso que se viabilizou o Contorno do Mestre Álvaro, uma das principais obras viárias da história da Serra.

É esse conjunto que transforma uma vaga de deputado federal em algo estratégico para a Serra. Mais do que representar a cidade em Brasília, quem ocupa a cadeira ganha a caneta para direcionar milhões em investimentos. Veja, a seguir, quem são os candidatos com domicílio eleitoral na Serra na disputa de 2026.

Um adendo

Não existe, na prática, um deputado federal “da Serra” ou de qualquer cidade específica. Uma vez eleitos, esses parlamentares representam o estado e o país, e muitos sequer atuam pela lógica da territorialidade, construindo votação em cima de segmentos, categorias profissionais ou bandeiras ideológicas, sem vínculo com um único município. Ainda assim, ter um representante nascido, criado ou com base política na cidade costuma pesar na hora de direcionar emendas e defender pautas locais, o que torna a origem do candidato um dado relevante para o eleitor da Serra.

Serginho Vidigal (Podemos), número 2026

Médico oftalmologista, Serginho Vidigal (Podemos) concorre pela primeira vez a um cargo eletivo, mas chega à disputa como um dos nomes mais fortes entre os candidatos com domicílio eleitoral na Serra. É filho do ex-prefeito Sérgio Vidigal, o prefeito mais longevo da história do município, e reúne apoio de lideranças de diversos segmentos na cidade. A candidatura está ligada ao grupo político que hoje governa a Serra, e o sobrenome pesa na base eleitoral.

Formado em Medicina pela Universidade Católica de Brasília, com residência em Oftalmologia no Rio de Janeiro e título de especialista pela Associação Médica Brasileira, Serginho atua como orientador no setor de catarata dos hospitais Cassiano Antônio Moraes, em Vitória, e Evangélico de Vila Velha. Domiciliado na Serra desde 2004, soma 15 anos de experiência no SUS. Casado, pai de três filhos e cristão, lançou recentemente um livro de devocionais escrito nos intervalos entre cirurgias.

No discurso de campanha, ele se apresenta como uma ponte entre a Serra e Brasília, argumentando que a representação direta do município no Congresso é decisiva para trazer recursos federais. Cita como exemplo o Hospital Materno Infantil e o Contorno do Mestre Álvaro, que segundo ele foram viabilizados com verbas federais captadas no período em que seus pais atuaram em Brasília.

Entre as propostas, defende a requalificação do SUS, com redução de filas e mais transparência na regulação, além de incentivo à medicina preventiva e atenção à saúde mental. Propõe também limitar o tempo de tela de crianças e adolescentes e endurecer o combate às apostas esportivas online, que classifica como ameaça à saúde pública e canal de financiamento do crime organizado.]

Na área econômica, defende a inclusão da Serra na Sudene, como compensação pela reforma tributária, e a criação de um aeroporto de cargas no município. Também menciona o potencial turístico do litoral serrano e do turismo religioso, além da construção do primeiro teatro municipal da Serra. Na declaração de bens, Serginho informou patrimônio total de R$ 1.962.785,90, entre imóveis, veículos, aplicações financeiras e participação em empresa.

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Amaro Neto (PP), número 1100

Apresentador de TV por anos à frente do Balanço Geral, na Record ES, Amaro Neto (PP) chega à eleição de 2026 buscando o terceiro mandato seguido na Câmara dos Deputados. Tem domicílio eleitoral na Serra desde abril de 2020, quando ensaiou ser candidato a prefeito, e concentra boa parte de sua votação na proximidade construída com o público através da televisão.

A trajetória eleitoral de Amaro é de vitórias consecutivas em disputas legislativas. Em 2014, foi eleito deputado estadual mais votado do Espírito Santo, com 55.408 votos. Em 2018, chegou à Câmara Federal como o mais votado do estado, com 181.813 votos. O único revés da carreira aconteceu em 2016, quando tentou a Prefeitura de Vitória e perdeu no segundo turno por cerca de 1.400 votos.

Já em 2022, a votação de Amaro despencou. Ele foi reeleito, mas com apenas 52.375 votos, queda de mais de 70% em relação ao pleito anterior, o que levanta a dúvida se 2018 foi um teto ligado à conjuntura daquele ano ou se o desgaste de imagem é mais profundo.

Nos quase quatro anos do atual mandato, Amaro apresentou volume expressivo de propostas, mas discursou apenas uma vez no Plenário. Atualmente, é titular da Comissão de Comunicação e da Comissão Especial sobre Competências Federativas em Segurança Pública, além de suplente nas comissões de Ciência, Tecnologia e Inovação e de Inteligência Artificial. Na declaração de bens para 2026, Amaro declarou patrimônio total de R$ 2.026.000,00, entre dois apartamentos, uma sala comercial, um veículo e dinheiro em espécie.

Agente Dias (Republicanos), número 1088

Vereador na Serra, Agente Dias (Republicanos) chega à disputa por uma vaga na Câmara Federal com o capital político construído dentro do próprio município. Ele integrou a primeira turma da Guarda Municipal da Serra, criada em 2017, e usou essa experiência como base para a carreira política.

Antes de tentar o mandato federal, foi eleito vereador em 2024, também pelo Republicanos, e se consolidou como uma das principais vozes de oposição à gestão do prefeito Weverson Meireles. O candidato tem na segurança pública sua bandeira central, tema que também marcou a trajetória dele como agente da Guarda Municipal.

Agente Dias se define como um político de direita, mas sem vínculo automático ao bolsonarismo. As redes sociais são um dos principais pilares da força política dele: são 318 mil seguidores no Instagram e 118 mil no TikTok, números que colocam o vereador entre os políticos capixabas com maior alcance digital. Na declaração de bens à Justiça Eleitoral, ele informou patrimônio total de R$ 10.000,00, em dinheiro em espécie.

Thiago Carreiro (União Brasil), número 4422

Thiago Carreiro (União Brasil) chega à disputa de 2026 como um dos nomes de oposição ao grupo político que hoje governa a Serra, do qual já fez parte. Natural de Jacaraípe, foi vice-prefeito do município entre 2021 e 2024, na chapa de Sérgio Vidigal, mas rompeu com o ex-prefeito e seu grupo político.

O racha ficou público na eleição municipal de 2024, quando Carreiro apoiou a candidatura de Pablo Muribeca à Prefeitura da Serra contra Weverson Meireles, lançado pelo próprio Vidigal. Antes de se apresentar como candidato a deputado federal em 2026, ele chegou a assessorar Muribeca.

Ele concorreu a deputado estadual em 2018, pelo PTB, sem sucesso. Em 2020, foi eleito vice-prefeito da Serra pelo PDT, na chapa de Vidigal. Depois do racha, tentou a Câmara Federal em 2022 e uma vaga de vereador em 2024, ambas pelo União Brasil, sem se eleger em nenhuma das duas disputas.

No campo político-ideológico, Carreiro se declara a favor de uma reforma administrativa no Supremo Tribunal Federal, contra o aborto, e afirma que votará em Flávio Bolsonaro. Em relação à Serra, ele se posiciona como um fiscalizador dos recursos que o município recebe do governo federal. Na declaração de bens para 2026, Carreiro informou patrimônio total de R$ 209.500,00, referente à participação societária em duas empresas do setor de tecnologia e informática.

Coronel Pimenta (PL), número 2210

Stefan de Oliveira Pimenta, o Coronel Pimenta (PL), é policial militar com 26 anos de carreira e tem domicílio eleitoral na Serra desde 2016. Ele concorre à Câmara Federal pela primeira vez e construiu sua candidatura em torno de um discurso alinhado ao bolsonarismo, com críticas diretas ao governo Lula e pautas voltadas à segurança pública.

Nas redes sociais, onde soma cerca de 90 mil seguidores no Instagram, Pimenta se descreve como militar, cristão, pastor, “legendário”, armamentista, patriota e conservador, e resume a campanha no lema “Deus, Pátria, Família e Liberdade”, também usado ao lado de “Ordem, fé e trabalho”. Segundo a Justiça Eleitoral, a candidatura dele está com a situação de partido e coligação deferida, mas a situação da candidatura ainda aguarda julgamento. Na declaração de bens, Coronel Pimenta informou patrimônio total de R$ 454.000,00, referente a um apartamento financiado na Serra.

Adriana Boas (Republicanos), número 1020

Adriana Bôas (Republicanos) é outro nome capixaba na disputa por uma vaga na Câmara Federal em 2026, mas chega à eleição sem nunca ter ocupado cargo eletivo. Administradora de formação, tem domicílio eleitoral na Serra desde agosto de 2023.

Esta não é a primeira tentativa de Adriana na política. Ela já disputou o cargo de deputada federal em 2018, pelo PSL, e em 2022, pelo PL, sem sucesso nas duas ocasiões. Em 2026, migrou para o Republicanos. Ela é ligada ao ex-prefeito de Vitória e candidato a governador, Lorenzo Pazolini (também do Republicanos).

Nas redes sociais, onde reúne cerca de 24 mil seguidores, e no site oficial de campanha, Adriana se apresenta como mãe atípica há 18 anos e associa sua candidatura à defesa de pessoas autistas e de suas famílias. Segundo o material de campanha, a proximidade com famílias que enfrentam dificuldades de acesso a direitos foi o que a aproximou da política. Na declaração de bens à Justiça Eleitoral, Adriana informou patrimônio total de R$ 100.000,00, referente a uma casa em Colatina.

Bombeiro Oliveira (Missão), número 1411

Felipe Oliveira dos Santos, o Bombeiro Oliveira (Missão), é sargento do Corpo de Bombeiros Militar do Espírito Santo, onde soma quase duas décadas de carreira. Natural de Vitória, tem domicílio eleitoral na Serra desde 2003 e concorre pela primeira vez a um cargo federal.

Antes de disputar a Câmara Federal, tentou uma vaga de vereador na Serra em 2024, pelo partido Novo, e obteve 79 votos, resultado que evidencia o desafio de construir uma base eleitoral competitiva na nova disputa.

Segundo o material de campanha, Bombeiro Oliveira é bacharel e pós-graduado em Direito e apresenta a segurança pública como eixo central da candidatura. Entre as propostas divulgadas em seu site estão o endurecimento penal para integrantes de facções, com a aplicação do que ele chama de “Direito Penal do Inimigo”, o fim de saídas temporárias e regalias a presos por crime organizado, e o enquadramento de financiadores e apoiadores do crime organizado nos mesmos moldes dos executores. Ele também defende medidas de combate ao que descreve como doutrinação ideológica nas escolas. Na declaração de bens à Justiça Eleitoral, Bombeiro Oliveira informou patrimônio total de R$ 105.261,07, distribuído entre aplicações financeiras, um apartamento de 41,6 m², uma motocicleta e valores em conta e poupança.

Mauro Junior (Missão), número 1427

Mauro Junior (Missão) vai estrear nas urnas como candidato a deputado federal com domicílio eleitoral na Serra, onde vive desde 2013. Almoxarife de profissão, tem 29 anos e concorre pela primeira vez a um cargo eletivo.

Ele não tem registro de disputas eleitorais anteriores, nem histórico de atuação política ou pública que anteceda a candidatura. No site oficial de campanha, as propostas aparecem em formato genérico, organizadas em oito eixos temáticos, como economia, segurança pública, educação e combate à corrupção, sem detalhamento de projetos concretos ou medidas específicas para a Serra. Na declaração de bens à Justiça Eleitoral, Mauro Junior informou patrimônio total de R$ 139.000,00, referente a um lote residencial e uma motocicleta.

Samira Oliveira (Missão), número 1401

Samira Oliveira (Missão) tem domicílio eleitoral na Serra desde 2021. Aos 24 anos, natural de Vila Velha, é formada em Serviço Social e atua como agente administrativa. Concorre pela primeira vez a um cargo eletivo.

Assim como Mauro Junior, também do Missão, Samira não tem histórico de disputas eleitorais anteriores nem passagem por cargos públicos ou entidades ligadas à política. A campanha dela é conduzida principalmente pelo Instagram, onde reúne pouco mais de mil seguidores e divulga pautas ligadas a bem-estar animal, além de arrecadar recursos para a candidatura por meio de doações via QR Code, modelo conhecido como “vaquinha” de campanha. Na declaração à Justiça Eleitoral, Samira não registrou bens.

Gabriel Costa (UP), número 8000

Gabriel Costa de Oliveira, candidato pela Unidade Popular (UP), é o mais jovem entre os postulantes a deputado federal no Espírito Santo em 2026. Nascido em 2005, tem domicílio eleitoral na Serra desde 2023. Estudante do quinto período de Geografia na Ufes, ele coordena o Movimento Correnteza, coletivo estudantil que atua na universidade em defesa do ensino público, gratuito e de qualidade.

Diferentemente da maioria dos concorrentes, Gabriel constrói a candidatura a partir da militância estudantil e de pautas historicamente associadas à esquerda. Entre as bandeiras da campanha estão o fim da escala de trabalho 6×1, a defesa dos direitos indígenas e da população LGBTQIAPN+, o aumento de 100% do salário mínimo e o combate às apostas esportivas online, as chamadas bets.

Nas redes sociais, onde tem cerca de 1.800 seguidores no Instagram, ele se apresenta como candidato pela Unidade Popular e integrante da UJR (União da Juventude Rebelião), além de coordenador geral do Correnteza. Na declaração à Justiça Eleitoral, Gabriel Costa não registrou bens.

Nota metodológica

O levantamento foi feito a partir do DivulgaCand, sistema do Tribunal Superior Eleitoral, com consulta individual a cada candidatura registrada no Espírito Santo, num total de 136 candidatos a deputado federal cadastrados. A verificação do domicílio eleitoral precisa ser feita nome a nome, o que abre margem para que algum candidato com domicílio na Serra tenha ficado de fora. Se esse for o caso, basta entrar em contato com o Tempo Novo para que a reportagem seja atualizada.

Foto de Yuri Scardini

Yuri Scardini

Yuri Scardini é diretor de jornalismo do Jornal Tempo Novo e colunista do portal. À frente da coluna Mestre Álvaro, aborda temas relevantes para quem vive na Serra, com análises aprofundadas sobre política, economia e outros assuntos que impactam diretamente a vida da população local. Seu trabalho se destaca pela leitura crítica dos fatos e pelo uso de dados para embasar reflexões sobre o município e o Espírito Santo.

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