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Congo da Serra recebe R$ 150 mil para fortalecer bandas, festas e preservação cultural

Recurso de R$ 150 mil financiará festas, transporte, instrumentos e manutenção das atividades de 19 Bandas de Congo da Serra.
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Congo da Serra
O recurso financiará atividades do Ciclo Folclórico da Serra e também ajudará na manutenção da sede da entidade durante 2026 e 2027. Crédito: Divulgação
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A tradição do Congo da Serra ganhou um novo reforço para manter festas, bandas e ações de preservação cultural. A Associação das Bandas de Congo da Serra (ABC-Serra) formalizou um Termo de Fomento de R$ 150 mil com a Prefeitura da Serra.

O recurso financiará atividades do Ciclo Folclórico da Serra e também ajudará na manutenção da sede da entidade durante 2026 e 2027. Atualmente, a associação representa 19 bandas adultas e mirins espalhadas por diferentes comunidades do município.

Além disso, parte do investimento chegará diretamente aos grupos. O dinheiro ajudará a custear transporte, alimentação e materiais usados na produção e conservação dos instrumentos tradicionais.

O novo termo também ocorre em um momento importante para o Congo capixaba. A manifestação cultural avançou no processo que busca seu reconhecimento como Patrimônio Cultural do Brasil.

R$ 150 mil para as Bandas de Congo da Serra

A Prefeitura da Serra e a ABC-Serra firmaram o Termo de Fomento nº 162/2026, ligado ao Processo nº 24.583/2026.

O acordo permitirá executar o projeto “Realização do Ciclo Folclórico da Serra e Manutenção das Atividades da Sede da Associação das Bandas de Congo da Serra – ABC-SERRA”.

De acordo com a entidade, a maior parcela do recurso atenderá diretamente às necessidades das Bandas de Congo.

Entre as despesas previstas estão a contratação de ônibus para transportar os grupos, alimentação durante as atividades e compra de materiais destinados à confecção e à manutenção de instrumentos.

Dessa forma, o investimento ajudará na realização dos festejos e na continuidade das atividades desenvolvidas pelas bandas ao longo do ano.

Sede recebeu mais de 5 mil estudantes

Outra parte dos R$ 150 mil ajudará a manter a sede da ABC-Serra. O espaço possui despesas permanentes com água, energia elétrica, internet e outros serviços necessários ao funcionamento.

No entanto, a sede vai além da parte administrativa. O local funciona como espaço de memória, pesquisa, formação, convivência e transmissão dos conhecimentos relacionados ao Congo.

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Entre 2024 e 2026, mais de 5 mil estudantes das redes municipal e estadual visitaram o espaço. Turistas, pesquisadores e outros visitantes também passaram pelo local nesse período.

Durante as visitas, o público conhece a história das Bandas de Congo, os instrumentos, as roupas tradicionais, as músicas, danças, personagens e manifestações religiosas ligadas à tradição.

Associação representa 19 bandas

A Serra concentra o maior número de Bandas de Congo do Espírito Santo. Atualmente, a ABC-Serra representa 19 grupos, entre bandas adultas e mirins.

As ações alcançam comunidades como Nova Almeida, Jacaraípe, Manguinhos, Bicanga, Santiago, Pitanga e Serra-Sede.

A associação apoia os grupos, participa da organização dos festejos, preserva registros históricos e trabalha para transmitir os conhecimentos dos mestres e mestras às novas gerações.

O Congo possui relação direta com a história, a religiosidade e a identidade cultural da população serrana. A manifestação possui reconhecimento como Patrimônio Cultural Imaterial da Serra e do Espírito Santo.

Ao longo das gerações, mestres, mestras, festeiros, rainhas, congueiros, dançarinas e comunidades mantêm vivas as tradições.

Recursos aumentaram ao longo dos anos

A parceria financeira entre o município e a associação existe há décadas. Segundo a ABC-Serra, o primeiro convênio oficial identificado recebeu autorização pela Lei Municipal nº 2.288/2000.

Naquele ano, o repasse chegou a R$ 100 mil. Desde então, a entidade recebeu outros recursos para manter e fortalecer suas atividades.

Veja os valores informados pela associação:

  • 2000: R$ 100 mil;
  • 2013: R$ 100 mil;
  • 2015: R$ 99.448,78;
  • 2016: R$ 64 mil;
  • 2020: R$ 58.638,15;
  • 2021: R$ 65 mil;
  • 2022: R$ 80 mil;
  • 2023: R$ 89.999,75;
  • 2025: R$ 90 mil;
  • 2026: R$ 150 mil, para atividades de 2026 e 2027.

Para a ABC-Serra, o histórico mostra o reconhecimento do poder público sobre a importância cultural do Congo. Entretanto, a entidade defende que os próximos repasses acompanhem o aumento dos custos e a expansão das atividades.

Presidente destaca importância do novo investimento

O presidente da ABC-Serra, Deivid Nascimento Soares, afirmou que o recurso ajudará a fortalecer as bandas e manter o trabalho realizado nas comunidades.

Segundo ele, as atividades relacionadas ao Congo acontecem praticamente durante todo o ano. A pausa ocorre na Quaresma, período no qual os grupos silenciam os tambores em respeito à tradição.

“Recebemos este novo Termo de Fomento com gratidão, responsabilidade e o compromisso de aplicar os recursos no fortalecimento das Bandas de Congo e na continuidade das atividades realizadas em nossa sede e nas comunidades congueiras”, afirmou.

Deivid também destacou o crescimento do trabalho da associação nas últimas décadas. “Agradecemos à Prefeitura da Serra por mais essa parceria, fundamental para a preservação da nossa tradição. Ao mesmo tempo, precisamos considerar que, no ano 2000, a ABC-Serra recebeu um repasse de R$ 100 mil e, 26 anos depois, o novo Termo de Fomento é de R$ 150 mil para atender às atividades de 2026/2027”, disse ao TN.

Segundo o presidente, durante esse período os custos aumentaram e o atendimento da entidade cresceu.

“É importante que os próximos investimentos acompanhem o crescimento das atividades e a dimensão cultural desse patrimônio. A Serra reúne o maior número de Bandas de Congo do Espírito Santo e possui uma responsabilidade histórica com a proteção, a valorização e a continuidade dessa manifestação”, completou.

Congo avança em busca de reconhecimento nacional

Além do novo investimento, o Congo capixaba vive outra etapa considerada importante pelas entidades culturais.

Nesta quarta-feira (26), Deivid Nascimento Soares participará de uma reunião relacionada ao processo que busca reconhecer o Congo como Patrimônio Cultural do Brasil.

O processo passou pela Câmara do Patrimônio Imaterial e recebeu aprovação para continuar sua tramitação.

Agora, a ABC-Serra busca contribuir para que o tema chegue à pauta da reunião do Conselho Consultivo do Patrimônio Cultural, prevista para os dias 1º e 2 de dezembro de 2026.

Para a associação, um eventual reconhecimento nacional poderá fortalecer as ações de proteção, valorização, salvaguarda e transmissão dos conhecimentos preservados pelas comunidades.

A entidade afirma que continuará trabalhando para manter viva a memória do Congo e ampliar o contato das novas gerações com essa manifestação cultural.

Na Serra, a tradição permanece presente nos festejos, nas comunidades, nas escolas e na rotina das bandas. Para a ABC-Serra, preservar o Congo significa proteger uma parte fundamental da história e da identidade cultural do município e do Espírito Santo.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

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