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Caminhoneiros ameaçam greve geral e querem parar todo o Brasil a partir desta semana

Os caminhoneiros estão ameaçando realizar greve geral em todo o Brasil.
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Greve dos caminhoneiros
Os caminhoneiros estão ameaçando realizar greve geral em todo o Brasil. Crédito: Divulgação
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Uma nova mobilização dos caminhoneiros pode afetar o transporte de cargas em diferentes regiões do Brasil a partir desta semana. Lideranças da categoria convocaram motoristas para interromper atividades e pressionar o Congresso Nacional a votar uma proposta considerada essencial para o setor.

A orientação inicial pede que os profissionais evitem iniciar novas viagens. Além disso, o movimento pretende concentrar as primeiras ações nos portos, locais estratégicos para a entrada e a saída de mercadorias do país.

Entretanto, ainda não existe confirmação de que todos os caminhoneiros aderiram à convocação. Também não há, até o momento, um levantamento nacional que mostre quantos portos, transportadoras ou motoristas já suspenderam as atividades.

Mesmo assim, os representantes do movimento afirmam que podem ampliar a paralisação caso o Senado não analise a Medida Provisória 1.343/2026. A proposta reúne mudanças no piso mínimo do frete, nas multas e nas regras de trabalho do transporte rodoviário de cargas, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Paralisação de caminhoneiros começou a ser convocada para esta semana

A primeira orientação previa o início da mobilização à meia-noite desta segunda-feira, 13 de julho. Segundo o presidente da Associação Brasileira de Condutores de Veículos Automotores (Abrava), Wallace Landim, conhecido como Chorão, a categoria decidiu começar pelos portos.

Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele afirmou que os representantes dos caminhoneiros tentam garantir a votação da medida há cerca de duas semanas. Por isso, anunciou que “os portos irão parar” e pediu que os motoristas não saiam para viajar enquanto aguardam uma definição do Senado.

A estratégia funciona como uma forma de pressão sobre o presidente do Senado, Davi Alcolumbre. Os caminhoneiros querem que ele inclua a proposta na pauta antes do fim do prazo de validade.

O movimento espera uma definição até esta terça-feira, 14 de julho. Caso o Senado não vote o texto, as lideranças afirmam que poderão ampliar a paralisação e acompanhar a adesão em diferentes pontos do país.

Caminhoneiros ameaçam ampliar greve pelo Brasil

Embora a convocação inicial esteja concentrada nos portos, representantes da categoria falam em um movimento nacional. A orientação também alcança caminhoneiros que atuam nas estradas e em operações de transporte de mercadorias.

Por enquanto, o pedido não prevê bloqueios obrigatórios nas rodovias. A principal recomendação é que os profissionais permaneçam em casa, nos postos ou nos locais onde estiverem e não iniciem novas viagens.

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Assim, o impacto dependerá diretamente da adesão dos motoristas autônomos, dos trabalhadores contratados por transportadoras e das empresas do setor.

Caso o movimento ganhe força, a paralisação pode atingir a distribuição de alimentos, combustíveis, medicamentos, matérias-primas e produtos industriais. No entanto, ainda não existe confirmação de desabastecimento ou de interrupção generalizada do transporte no Brasil.

Medida pode perder a validade nesta semana

A mobilização está ligada à Medida Provisória 1.343/2026. O Governo Federal publicou o texto em março para alterar as regras de fiscalização do piso mínimo do frete e tornar obrigatório o registro das operações por meio do Código Identificador da Operação de Transporte, o CIOT.

Depois disso, deputados e senadores apresentaram centenas de mudanças. A comissão mista aprovou um novo texto, relatado pelo deputado federal Zé Trovão.

A Câmara dos Deputados aprovou a proposta em 17 de junho. Com as alterações, o texto seguiu para o Senado como Projeto de Lei de Conversão 6/2026.

De acordo com o Congresso Nacional, a medida precisa ser analisada até quinta-feira, 16 de julho. Se o Senado não aprovar a proposta dentro do prazo, a MP perde a validade. Na última atualização legislativa disponível, o texto aparecia como “aguardando leitura” no Senado.

Caso os senadores façam novas alterações, a proposta também precisará retornar à Câmara. Portanto, o prazo apertado aumentou a preocupação dos caminhoneiros.

O que muda para os caminhoneiros

A versão aprovada pela Câmara vai além da fiscalização do frete. O texto incorporou reivindicações trabalhistas, operacionais e financeiras apresentadas por representantes do transporte rodoviário.

Uma das principais mudanças cria um piso salarial nacional de R$ 5 mil para motoristas contratados pelo regime da Consolidação das Leis do Trabalho, a CLT, em operações de longa distância.

A regra alcançaria os trabalhadores que permanecem fora de casa ou da base da empresa por mais de 24 horas. A proposta também determina que acordos e convenções coletivas respeitem esse valor mínimo.

Além disso, o projeto reforça que empresas e contratantes não podem pagar valores abaixo da tabela mínima da Agência Nacional de Transportes Terrestres, a ANTT.

A agência deverá considerar despesas como combustível, manutenção, pneus, seguros, tributos, salários, depreciação do caminhão e tempo gasto na carga e na descarga. A tabela deverá passar por atualização semestral.

Quando o preço dos combustíveis variar pelo menos 5%, a ANTT terá até três dias úteis para divulgar novos valores.

Multas poderão virar advertências para caminhoneiros

Outro trecho que mobiliza a categoria trata das penalidades aplicadas pelo descumprimento do piso mínimo do frete.

Pelo texto, multas administrativas aplicadas antes da publicação da futura lei poderão virar advertências. A mudança alcança processos ainda em andamento, penalidades sem decisão definitiva e valores que ainda não foram pagos.

Por outro lado, motoristas e empresas não terão direito a receber de volta as multas já quitadas. A conversão também não valerá em casos de fraude, falsificação de documentos ou tentativa deliberada de enganar a fiscalização.

A proposta ainda permite que a ANTT suspenda temporariamente o registro de empresas que pagarem fretes abaixo do piso de forma repetida. Nos casos mais graves, a agência poderá cancelar o registro no RNTRC por até 24 meses.

Texto inclui anistia por manifestações

A versão aprovada pela Câmara também concede anistia a motoristas, transportadores e empresas multados por participação em bloqueios de rodovias realizados após as eleições presidenciais de 2022.

Esse trecho não fazia parte da medida original publicada pelo Governo Federal. O relator incluiu a anistia durante a análise da proposta no Congresso.

O perdão alcança determinadas sanções civis e administrativas relacionadas às manifestações. Contudo, esse ponto pode enfrentar resistência durante a votação no Senado.

Caso os senadores retirem ou modifiquem o trecho, a Câmara precisará analisar novamente a proposta antes do encerramento do prazo.

Autônomos ganham espaço nas contratações públicas

Outra mudança cria uma participação específica para Transportadores Autônomos de Cargas nas contratações públicas federais.

A administração federal deverá buscar a participação dos autônomos em até 30% dos serviços de transporte rodoviário de cargas. Para isso, os profissionais precisarão passar por credenciamento e cumprir os requisitos definidos nos editais.

O texto também reforça o uso do CIOT em todas as operações remuneradas. O sistema deverá impedir digitalmente o registro e o pagamento de fretes abaixo do piso mínimo.

Além disso, a proposta estabelece prazo de até 30 dias úteis para o pagamento do serviço e prevê adiantamento do valor aos caminhoneiros autônomos.

Categoria aguarda decisão do Senado

As lideranças afirmam que já receberam uma sinalização sobre uma possível votação nesta terça-feira. Entretanto, a inclusão da matéria na pauta precisa ser confirmada oficialmente.

Até que isso aconteça, a orientação do movimento é manter os caminhoneiros mobilizados e evitar o início de novas viagens.

Portanto, os próximos dias serão decisivos. Se o Senado votar a medida dentro do prazo, a categoria poderá suspender a paralisação. Caso contrário, os representantes ameaçam ampliar o movimento e levar a interrupção para outras atividades do transporte de cargas.

A dimensão da possível greve, porém, dependerá da adesão real dos caminhoneiros em cada estado. Por isso, ainda não é possível afirmar que todo o transporte rodoviário do país será interrompido.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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