Clientes de bancos devem ficar atentos ao atendimento presencial nesta quinta-feira (20). Bancários aprovaram uma paralisação nacional de 24 horas e a mobilização pode fechar agências e interromper o atendimento ao público em diferentes cidades de todas as regiões do Brasil.
A paralisação deixou de ser apenas uma possibilidade após assembleias realizadas pelos sindicatos. Segundo a Confederação Nacional dos Trabalhadores do Ramo Financeiro (Contraf-CUT), cerca de 90% dos bancários que participaram das votações aprovaram o movimento marcado para esta quinta-feira.
A decisão ocorre em meio ao impasse da Campanha Nacional dos Bancários de 2026. Mesmo depois de uma nova rodada de negociação com a Federação Nacional dos Bancos (Fenaban), os trabalhadores afirmam que ainda não receberam uma proposta de reajuste salarial considerada suficiente.
Por isso, o Comando Nacional dos Bancários manteve o dia nacional de paralisação para 20 de agosto. A orientação das entidades é ampliar o movimento em agências e unidades bancárias de todas as regiões do país.
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Bancos recuam, mas paralisação está mantida
A oitava rodada de negociação ocorreu nesta terça-feira (18) e trouxe mudanças na proposta apresentada anteriormente pelos bancos.
Após a reação dos trabalhadores, a Fenaban retirou a ideia de criar reajustes diferentes conforme a faixa salarial. Também recuou da proposta de congelar o piso de ingresso de novos bancários e de diferenciar os valores dos vales alimentação e refeição entre cidades maiores e menores.
No entanto, segundo a Contraf, os bancos não apresentaram um índice de reajuste salarial durante a reunião.
Com isso, os bancários decidiram manter a mobilização nacional desta quinta-feira, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Ainda de acordo com a Contraf, 97% dos trabalhadores que participaram das assembleias rejeitaram a proposta apresentada anteriormente pela Fenaban. Já aproximadamente 90% votaram favoravelmente à paralisação.
Paralisação será de 24 horas
O movimento está programado para durar 24 horas na quinta-feira (20).
Em São Paulo, por exemplo, 89,34% dos bancários participantes da votação aprovaram a paralisação. Além disso, 97,66% rejeitaram a proposta apresentada pelos bancos.
Sindicatos de outras regiões também aprovaram a mobilização. Em Belo Horizonte e região, 93% dos participantes votaram favoravelmente à paralisação de 24 horas.
A Contraf classifica o movimento como um “dia nacional de paralisação” e convocou os trabalhadores a participarem em todas as regiões brasileiras.
Por isso, clientes que precisam resolver questões presencialmente nas agências devem ficar atentos. O impacto poderá variar conforme a adesão dos funcionários em cada banco e município.
Pix e aplicativos dos bancos devem funcionar
A paralisação atinge principalmente os trabalhadores e, consequentemente, pode afetar o atendimento presencial nas agências.
Entretanto, canais automáticos e digitais não dependem do funcionamento normal dos caixas e demais funcionários das unidades.
Pix, aplicativos, internet banking, pagamentos e transferências devem permanecer disponíveis. Caixas eletrônicos também poderão continuar operando normalmente.
Portanto, mesmo em locais onde as agências não tenham atendimento presencial, os clientes poderão utilizar os principais canais digitais.
Além disso, a paralisação não altera automaticamente os vencimentos de contas. Quem tiver boletos ou outros compromissos com vencimento nesta quinta-feira deve observar normalmente a data de pagamento e, se necessário, utilizar os canais digitais.
Por que os bancários decidiram parar?
A categoria cobra principalmente aumento real, ou seja, reajuste acima da inflação.
Entre as reivindicações estão:
- aumento real dos salários;
- valorização do piso salarial;
- reajuste maior para vale-alimentação e vale-refeição;
- valorização da Participação nos Lucros e Resultados (PLR);
- contratação de mais funcionários;
- redução da sobrecarga de trabalho;
- combate às metas consideradas abusivas;
- melhores condições de trabalho;
- proteção dos empregos diante das mudanças tecnológicas.
A Contraf também afirma que os bancos registraram lucro de R$ 171 bilhões em 2025 e usa o desempenho financeiro do setor para defender ganhos reais para os trabalhadores.
Fenaban tentou evitar greve nos bancos
Durante a negociação desta terça-feira, a Fenaban questionou a manutenção do movimento marcado para quinta-feira.
Segundo a Contraf, os representantes dos bancos chegaram a informar que só prosseguiriam com a negociação naquele momento caso a categoria desistisse da paralisação.
O Comando Nacional dos Bancários recusou a condição e manteve a mobilização.
Com isso, a negociação terminou sem definição de um índice salarial.
Nova negociação acontecerá após paralisação
A paralisação desta quinta-feira também funcionará como uma forma de pressão para que os bancos apresentem uma nova proposta econômica.
Após o impasse desta semana, uma nova reunião entre o Comando Nacional dos Bancários e a Fenaban ficou marcada para segunda-feira, 24 de agosto.
Até lá, a categoria mantém o calendário de mobilização.
Assim, nesta quinta-feira (20), clientes podem encontrar agências fechadas ou com atendimento reduzido em diferentes cidades brasileiras. O impacto efetivo dependerá da adesão dos trabalhadores em cada local.

