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Após 75 anos no Brasil, multinacional fecha fábrica e decide retirar produção do país

Multinacional fechou fábrica de 75 anos no Brasil.
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A multinacional fechou uma fábrica de 75 anos no Brasil. Crédito: Divulgação
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Uma multinacional presente em dezenas de países encerrou uma operação industrial histórica no Brasil depois de 75 anos de atividade. A fábrica deixou definitivamente de produzir em 2026 e agora passa por uma transformação completa para assumir outra função dentro da companhia.

O encerramento põe fim a uma produção iniciada ainda em 1951. Durante mais de sete décadas, a unidade fabricou materiais utilizados em residências, prédios comerciais, indústrias, veículos e grandes projetos de infraestrutura.

Além da paralisação das linhas industriais, a empresa desligou o forno responsável por uma das principais etapas do processo produtivo. A mudança também atingiu trabalhadores diretos e profissionais ligados indiretamente à operação da unidade.

A multinacional é a Isover, empresa pertencente ao grupo francês Saint-Gobain. A fábrica fica em Santo Amaro, na Zona Sul de São Paulo, e era responsável pela fabricação de lã de vidro para isolamento térmico e acústico.

Com a paralisação, a Isover encerra sua atividade industrial de produção de lã de vidro no país. Entretanto, a companhia não está deixando o Brasil e continuará comercializando seus produtos normalmente.

Fábrica encerrou produção depois de 75 anos

A história da Isover no Brasil começou em 1951.

Desde então, a companhia manteve sua produção em Santo Amaro e se tornou uma das principais fabricantes de materiais para isolamento térmico e acústico do mercado brasileiro.

A fábrica produzia principalmente lã de vidro, utilizada para melhorar o conforto térmico e reduzir ruídos em diferentes tipos de construções.

Entre os produtos ligados à operação estavam feltros, mantas, painéis, forros e tubos destinados a projetos residenciais, comerciais e industriais.

A atividade atravessou diferentes fases da industrialização brasileira e acompanhou a transformação da própria região de Santo Amaro.

Entretanto, em 2026, esse ciclo industrial chegou definitivamente ao fim.

Produção na fábrica terminou em julho

O cronograma estabeleceu duas datas importantes para o encerramento.

A Isover interrompeu a produção de lã de vidro em 4 de julho de 2026. Depois disso, iniciou a etapa final de desativação dos equipamentos industriais.

Já o forno utilizado para a fusão do vidro teve seu desligamento definitivo previsto até 31 de julho.

Esse equipamento representava uma peça central da produção. Sem ele, a unidade deixou de realizar as etapas industriais necessárias para fabricar a lã de vidro.

Assim, julho marcou efetivamente o fim de uma trajetória de aproximadamente 75 anos de fabricação no endereço paulista.

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O que será feito com a antiga fábrica?

O encerramento da produção não significa que a Isover abandonará o imóvel.

A empresa decidiu transformar a antiga unidade industrial em um centro de distribuição, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.

Dessa maneira, o local continuará ligado às operações da marca, mas deixará de fabricar os produtos.

O espaço será utilizado para armazenar e distribuir materiais destinados aos clientes brasileiros, ajudando a manter o abastecimento da cadeia comercial.

Portanto, a Isover continuará presente no mercado nacional.

O que termina é a atividade industrial que funcionava naquele endereço desde a década de 1950.

Produtos continuarão sendo vendidos no Brasil

A mudança também exige um esclarecimento importante para os consumidores.

O fechamento da fábrica não representa o fim dos produtos Isover nas lojas brasileiras.

A companhia informou que continuará atuando no país e que o novo centro de distribuição garantirá o fornecimento de produtos para sua cadeia de clientes.

Isso significa que materiais como lã de vidro e outras soluções de isolamento térmico e acústico continuarão chegando ao mercado.

Entretanto, a empresa não detalhou publicamente para onde transferiu a fabricação destinada a abastecer o Brasil.

Fechamento afeta trabalhadores

O fim da atividade industrial também provoca impactos sobre os funcionários.

Quando o encerramento foi definido, a unidade contava com aproximadamente 100 trabalhadores diretos e outros 50 indiretos, segundo informações apresentadas durante o processo.

Assim, cerca de 150 postos ligados direta ou indiretamente à fábrica entraram no processo de reorganização.

Isso não significa, porém, que todos os 150 trabalhadores tenham necessariamente recebido demissão.

A própria Isover afirmou que conduziu a transição de forma gradual e que buscou minimizar os impactos sobre os funcionários.

Por isso, o mais correto é dizer que aproximadamente 150 empregos foram afetados pela desativação industrial, e não afirmar que houve 150 demissões.

Multinacional possui operação global

Apesar do encerramento brasileiro, a Isover mantém uma grande estrutura internacional.

Segundo dados institucionais da própria companhia, a marca reúne mais de 9 mil colaboradores, atua em 39 países e possui aproximadamente 60 fábricas distribuídas por 28 países.

A Isover faz parte da Saint-Gobain, multinacional francesa que atua em materiais para construção, indústria e soluções de alto desempenho.

O grupo possui uma presença ainda maior.

A Saint-Gobain informa ter aproximadamente 160 mil colaboradores em 79 países. No Brasil, suas diferentes empresas e marcas mantêm dezenas de fábricas, centros de distribuição, lojas e outras estruturas.

Portanto, o fechamento em Santo Amaro não representa a saída da Saint-Gobain do Brasil.

Por que a fábrica da multinacional fechou?

O motivo do encerramento aparece em um processo iniciado após anos de discussões envolvendo a operação industrial e moradores da região.

A Isover firmou, em dezembro de 2025, um Termo de Ajustamento de Conduta com o Ministério Público de São Paulo e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb).

O acordo estabeleceu o encerramento gradual das atividades industriais da fábrica.

Antes disso, moradores do entorno haviam apresentado reclamações relacionadas principalmente a odores, ruídos, fumaça e emissões provenientes da operação industrial.

As denúncias levaram o Ministério Público a abrir um inquérito e ampliaram o acompanhamento da fábrica por órgãos ambientais.

Entre 2023 e 2025, a empresa também recebeu autos de infração da Cetesb relacionados, entre outros pontos, à emissão de odores perceptíveis fora dos limites do imóvel e a ocorrências envolvendo poluentes atmosféricos.

Multinacional diz que adotou medidas antes do encerramento

A Isover apresentou sua própria posição durante o processo.

A companhia afirmou que sempre buscou cumprir a legislação e declarou ter adotado dezenas de medidas para reduzir os impactos da operação sobre a vizinhança.

Entre as ações citadas estavam melhorias no isolamento acústico, mudanças tecnológicas para diminuir emissões, interrupção de determinadas atividades nos fins de semana e fim de descarregamentos durante a noite.

A empresa também sustentou que não havia comprovação de danos à saúde de seus funcionários relacionada à operação industrial, citando documentos médicos e ocupacionais apresentados durante o processo.

Mesmo após essas medidas, companhia, Ministério Público e Cetesb chegaram ao acordo que estabeleceu o fim da atividade industrial.

Área ainda passará por processo de desmobilização

O fim da produção não encerra imediatamente todas as obrigações ligadas à antiga fábrica.

O acordo prevê etapas posteriores de desmontagem dos equipamentos, gerenciamento de resíduos e acompanhamento ambiental do terreno.

A desmobilização completa da estrutura industrial deverá avançar até 2028.

Durante esse período, a empresa deverá continuar cumprindo obrigações relacionadas à área, enquanto o imóvel assume sua nova função como centro de distribuição.

O acordo também contempla investigação e, quando necessário, medidas relacionadas à recuperação ambiental do terreno.

Produção industrial chega ao fim, mas empresa permanece no país

O encerramento encerra um dos capítulos mais longos da história industrial da Isover no Brasil.

A fábrica de Santo Amaro atravessou 75 anos de funcionamento, mas deixou definitivamente de fabricar lã de vidro em julho de 2026.

A mudança transforma uma antiga instalação industrial em estrutura logística.

Apesar disso, a Isover continuará atendendo o mercado brasileiro e distribuindo seus produtos normalmente.

Assim, o fechamento não representa a saída da multinacional do Brasil, mas marca o fim de uma produção industrial mantida no país desde 1951, encerrando uma trajetória que atravessou mais de sete décadas.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos do Brasil e temas de interesse público nacional.

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