Uma multinacional conhecida no setor de construção e isolamento vai encerrar uma operação industrial histórica no Brasil. A decisão muda o destino de uma fábrica que funcionou por décadas em São Paulo e encerra uma fase importante da produção nacional da companhia.
O fechamento da atividade industrial atinge uma unidade tradicional de Santo Amaro, na zona Sul da capital paulista. O local fabricava lã de vidro, material usado em obras, indústrias, veículos, galpões, projetos agrícolas e sistemas de isolamento térmico e acústico.
A mudança chama atenção porque envolve uma empresa de grande porte. A unidade pertence à Isover, marca do Grupo Saint-Gobain, gigante internacional presente em dezenas de países e com mais de 12 mil funcionários no Brasil, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Agora, após cerca de 70 anos de operação no endereço, a fábrica deixará de produzir. A empresa vai transformar o espaço em um centro de distribuição, encerrando a fase industrial da unidade.
Leia também
Multinacional vai desligar fábrica em São Paulo
A decisão faz parte de um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo. Pelo documento, a Isover deve encerrar a fabricação de lã de vidro na unidade até 4 de julho de 2026.
Depois disso, a companhia terá outro prazo importante. O forno de fusão de vidro, considerado uma das estruturas centrais da operação, deverá ser desligado até 31 de julho de 2026.
Com esse movimento, a fábrica deixa de funcionar como unidade produtiva. Na prática, o endereço continua ligado à empresa, mas perde a função de fabricar os materiais.
A Isover informou que seguirá no Brasil e que o espaço de Santo Amaro passará a atuar como centro de distribuição. Mesmo assim, a decisão marca o fim de uma trajetória industrial antiga na região.
Fechamento preocupa trabalhadores e famílias
O fim da produção deve afetar mais de 100 famílias de trabalhadores diretos. Além disso, a paralisação da fábrica também causa preocupação entre prestadores de serviço, fornecedores, transportadores e profissionais que dependiam da rotina industrial da unidade.
A empresa afirmou que usará o período de transição para reduzir os impactos sociais da mudança. Ainda assim, funcionários e moradores acompanham o caso com apreensão, já que a fábrica deixa de exercer sua principal atividade econômica.
O acordo também prevê obrigações ambientais. A companhia terá que cumprir medidas ligadas à gestão de áreas contaminadas, tratamento de resíduos e destinação correta dos materiais existentes no local.
Ou seja, o encerramento não se limita ao desligamento das máquinas. A empresa ainda precisará executar uma série de etapas antes de concluir a transformação definitiva da área.
Moradores reclamavam de fábrica da multinacional
A saída da produção industrial ocorre depois de anos de reclamações de moradores do entorno. Pessoas que vivem perto da fábrica relatavam incômodo com fumaça, odor forte e ruídos, principalmente durante a noite.
Entre os problemas citados pela comunidade estavam ardência nos olhos, irritação na pele, dificuldade para respirar e desconforto provocado pelo funcionamento contínuo da unidade.
A pressão dos moradores ganhou força em 2023. Naquele ano, a população protocolou uma petição na Companhia Ambiental do Estado de São Paulo e pediu providências sobre as emissões da fábrica.
Depois disso, o Ministério Público passou a acompanhar o caso com mais atenção. O tema também entrou em audiências públicas e reuniões com órgãos municipais e estaduais.
Durante esses encontros, moradores afirmaram que a fábrica funcionava inclusive de madrugada e que a chaminé emitia fumaça e cheiro forte em diferentes períodos do dia.
Empresa diz que seguia regras ambientais
A Isover afirmou, em nota enviada ao Estadão, que sempre operou no local de acordo com a legislação. A companhia também declarou que seguia critérios de sustentabilidade e segurança da saúde humana definidos por entidades nacionais e internacionais.
A empresa disse ainda que adotou um Plano de Melhoria Ambiental. Entre as ações citadas estão investimentos em isolamento acústico, tecnologias para reduzir a emissão de vapor de água e iniciativas de comunicação com a comunidade do entorno.
Mesmo com essas medidas, o acordo definiu o encerramento da produção industrial em Santo Amaro. A partir de agora, autoridades, empresa e moradores devem acompanhar os próximos passos da desativação e o cumprimento das exigências ambientais.
Com isso, uma multinacional de atuação global encerra a fabricação em uma unidade histórica no Brasil e transforma uma antiga fábrica em centro de distribuição.