A onda de demissões e fechamento de lojas da Casas Bahia ganhou um capítulo emocionante nas redes sociais. Depois de 21 anos trabalhando para a varejista, um funcionário desligado da empresa gravou um vídeo de despedida e não conteve a emoção ao falar sobre o fim de sua trajetória profissional.
O trabalhador é Edson Silva, que atuava em uma unidade da Casas Bahia em Ponta Porã, no Mato Grosso do Sul. Nas imagens publicadas em seu perfil nas redes sociais, ele aparece emocionado ao comunicar o encerramento de um período que definiu como um dos capítulos mais importantes de sua vida.
A despedida acontece justamente no momento em que a Casas Bahia promove uma grande redução de sua estrutura no Brasil. A varejista iniciou o fechamento de 298 lojas e aproximadamente 2 mil funcionários foram atingidos pelos cortes.
Funcionário se emociona ao falar dos 21 anos na Casas Bahia
Durante a gravação, Edson relembrou as mais de duas décadas dedicadas à empresa. Segundo ele, foram anos marcados por muito trabalho, aprendizado, conquistas e amizades.
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O agora ex-funcionário também destacou as pessoas que conheceu durante a trajetória. Além disso, agradeceu pelas oportunidades recebidas ao longo dos 21 anos.
Emocionado, Edson afirmou que encerra esse ciclo com o “coração cheio de gratidão”. Ele também classificou os anos vividos dentro da Casas Bahia como “incríveis”.
O vídeo repercutiu justamente por mostrar o lado humano da grande reestruturação promovida pela empresa. Por trás dos números de lojas fechadas e postos de trabalho eliminados, funcionários que construíram carreiras de décadas começam agora uma nova fase profissional.

Casas Bahia fecha quase 300 lojas
A despedida ocorre em meio a uma das maiores reduções recentes da rede física da Casas Bahia.
A companhia decidiu encerrar 298 pontos de venda, o equivalente a aproximadamente 28,7% das pouco mais de mil lojas que mantinha no país.
Ao mesmo tempo, cerca de 1,9 mil trabalhadores foram desligados em meio à reorganização da operação. Os cortes ocorreram durante uma fase de forte pressão financeira sobre a varejista.
A Casas Bahia enfrenta sucessivos prejuízos e tenta diminuir despesas para melhorar sua geração de caixa. Em 2025, por exemplo, a companhia acumulou prejuízo de aproximadamente R$ 3 bilhões.
Além disso, fatores como juros elevados, crédito mais caro e endividamento das famílias vêm afetando diretamente o varejo de móveis e eletrodomésticos, conforme apurado pelo Portal Tempo Novo.
Empresa passa por forte reestruturação
Os problemas financeiros da Casas Bahia não começaram agora.
Em 2024, a companhia recorreu a uma recuperação extrajudicial para reorganizar parte de suas dívidas. Na ocasião, a empresa conseguiu avançar em um acordo com credores e bancos.
Entretanto, a varejista continuou enfrentando dificuldades para voltar a registrar lucros de maneira consistente.
Agora, a estratégia passa por uma operação mais enxuta. Por isso, além de fechar lojas, a empresa reduz despesas, estoques, investimentos e o número de funcionários.
A companhia também admite avaliar novas alternativas para reorganizar suas obrigações financeiras, incluindo uma nova recuperação extrajudicial ou até uma recuperação judicial.
Sindicato cobra explicações sobre as demissões
Enquanto funcionários começam a deixar a companhia, entidades sindicais também passaram a cobrar esclarecimentos sobre a condução dos cortes.
O Sindicato dos Empregados no Comércio de Osasco e Região (Secor) informou que recebeu relatos de trabalhadores surpreendidos com o encerramento repentino de operações da varejista.
Segundo a entidade, alguns funcionários procuraram o sindicato em busca de informações sobre desligamentos e direitos trabalhistas.
Entre as principais dúvidas estão pagamento das verbas rescisórias, saque do FGTS, acesso ao seguro-desemprego e demais valores relacionados ao fim do contrato de trabalho.
O presidente do Secor, Luciano Pereira Leite, afirmou que o sindicato acompanha a situação e pretende adotar as medidas necessárias para garantir os direitos dos trabalhadores afetados.
Enquanto a Casas Bahia tenta reduzir custos e reorganizar suas finanças, histórias como a de Edson Silva mostram outro impacto da crise: profissionais que passaram décadas dentro da empresa agora precisam se despedir e recomeçar a carreira após anos dedicados à mesma loja.