Mulheres somam 53% dos casos de estresse financeiro no Brasil

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Crédito: Shurkin_son/Freepik

No Brasil, o Dia das Mães costuma destacar o papel das mulheres no cuidado com a família e na administração da rotina da casa. Mas, quando o assunto é planejamento financeiro, os dados mostram um cenário preocupante: além de concentrarem grande parte das responsabilidades domésticas, as mulheres também estão entre as mais pressionadas financeiramente no país.

Uma pesquisa divulgada pela Fundação Getulio Vargas (FGV), com base em dados do IBGE, aponta que mais de 41 milhões de lares brasileiros são chefiados por mulheres. Embora esse dado represente avanço em autonomia e participação econômica, também evidencia o acúmulo de responsabilidades enfrentado por elas.

Segundo o estudo Raio X do Investidor Brasileiro 2026, realizado pela ANBIMA em parceria com o Datafolha, as mulheres representam 53% das pessoas em situação de maior estresse financeiro no país. Além disso, são maioria entre os brasileiros que gastam mais do que ganham, comportamento que reduz a capacidade de poupar e investir.

Na prática, isso significa maior vulnerabilidade financeira. Hoje, 64% da população brasileira não investe e mais da metade não consegue guardar dinheiro regularmente. Entre as mulheres, o cenário costuma ser agravado pela prioridade dada às necessidades da família.

Muitas mães direcionam recursos para educação, saúde e bem-estar dos filhos, deixando em segundo plano o próprio planejamento financeiro e até mesmo a aposentadoria. Dados da ANBIMA mostram que apenas 16% dos brasileiros começaram a investir pensando nesse objetivo.

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Outro fator que contribui para esse cenário é a desigualdade estrutural. Mulheres ainda recebem, em média, salários menores do que os homens e acumulam mais tarefas domésticas e de cuidado com filhos. Segundo o IBGE, elas dedicam quase o dobro de horas semanais a essas atividades.

Além disso, o acesso à educação financeira ainda é limitado. Apenas 21% da população participou de cursos ou atividades sobre finanças, segundo a ANBIMA. Entre quem não investe, esse índice cai para 14%.

Apesar das dificuldades, especialistas apontam que a presença feminina no mercado financeiro vem crescendo. Dados da B3 mostram aumento no número de mulheres investidoras, inclusive em aplicações de renda variável. No Espírito Santo, atualmente, mais de 33 mil mulheres investem na Bolsa de Valores.

Para Cecília Perini, economista especialista em investimentos, o primeiro passo é transformar o planejamento financeiro em hábito. “Existe uma sobrecarga invisível. Muitas mulheres organizam toda a vida financeira da família, mas acabam adiando o próprio planejamento de longo prazo. Com organização e constância, é possível mudar esse cenário”, afirma.

Orientações

A especialista listou uma série de orientações ao Jornal Tempo Novo sobre os primeiros passos para construir a segurança financeira. Confira abaixo:

Entre as principais orientações estão:

●        Criar uma reserva de emergência: priorizar um valor que cubra de três a seis meses de despesas, com liquidez e baixo risco;

●        Separar finanças pessoais das familiares: garantir que a mulher também tenha um planejamento próprio, além das despesas da casa;

●        Começar por investimentos simples: produtos de renda fixa, como Tesouro Selic e CDBs, podem ser porta de entrada;

●        Automatizar o hábito de investir: programar transferências mensais, mesmo que com valores baixos;

●        Buscar informação confiável: evitar decisões baseadas apenas em redes sociais e procurar orientação especializada.

Foto de Jady Oliveira

Jady Oliveira

Jady Oliveira é repórter do Portal Tempo Novo, onde cobre temas variados com foco em notícias policiais e acontecimentos do dia a dia na cidade da Serra.

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