O salário mínimo 2027 deve subir para R$ 1.741, valor previsto no projeto de Orçamento que o governo federal enviou ao Congresso Nacional em 31 de agosto. São R$ 120 a mais por mês em relação aos R$ 1.621 pagos em 2026, um reajuste de 7,4%. Esse número, porém, ainda não é definitivo: o valor final só aparece em dezembro.
A proposta veio acima da estimativa anterior. Em abril, no projeto de diretrizes orçamentárias, o governo trabalhava com R$ 1.717. Essa diferença de R$ 24 representa pressão adicional de cerca de R$ 9,9 bilhões nas despesas obrigatórias de 2027.
Quanto o salário mínimo 2027 coloca a mais no bolso
Para quem vive do piso nacional, a conta é direta. Com R$ 120 a mais por mês, o ganho chega a R$ 1.440 ao longo de doze meses. Somando o 13º salário, a diferença sobe para R$ 1.560 no ano. Já em uma casa onde duas pessoas recebem o mínimo, a renda mensal cresce R$ 240.
Quando o novo valor começa a valer
O piso corrigido passa a valer em 1º de janeiro de 2027. Na prática, porém, o dinheiro demora um pouco mais para chegar. Como o salário de janeiro cai no começo de fevereiro, o primeiro pagamento com o valor novo aparece apenas no segundo mês do ano. Aposentados e pensionistas seguem a mesma lógica, conforme o calendário do INSS.
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Por que o salário mínimo 2027 ainda pode mudar
Nada está fechado. O número do Orçamento é uma projeção, e o valor que será realmente praticado em 2027 depende do INPC acumulado em 12 meses até novembro, resultado que só sai em dezembro. Além disso, o Congresso ainda precisa analisar e votar a proposta antes do fim do ano. Ou seja, R$ 1.741 é o cenário mais provável hoje, não uma garantia.
Como funciona a conta do reajuste
A regra em vigor desde 2024 combina dois fatores. Primeiro, a inflação medida pelo INPC nos 12 meses até novembro. Depois, o crescimento do PIB de dois anos antes, no caso os 2,3% registrados em 2025, com ganho real limitado a 2,5%. Pela conta embutida na proposta, o governo trabalha com inflação projetada em torno de 5%. Se os preços subirem mais que isso até novembro, o piso fica maior. Se subirem menos, fica menor.
Quem sente o reajuste além de quem ganha o piso
O alcance vai muito além da folha de pagamento. Cerca de 45% dos benefícios do Regime Geral de Previdência Social seguem o salário mínimo, o que inclui aposentadorias, pensões e o BPC pago a idosos e pessoas com deficiência. Seguro-desemprego e abono salarial também usam o piso como referência. Ao todo, o valor serve de base para a renda de 61,9 milhões de brasileiros, segundo levantamento do Dieese.
A distância entre o piso e o custo de vida real
Mesmo com aumento acima da inflação, o mínimo segue longe do necessário para sustentar uma casa. Em agosto de 2026, o Dieese calculou em R$ 7.565,86 o salário mínimo necessário para manter uma família de quatro pessoas, o equivalente a 4,67 vezes o piso vigente. Em julho, o valor estimado era de R$ 7.687,01. O cálculo considera alimentação, moradia, saúde, educação, transporte e outras despesas previstas na Constituição.
O trabalhador, portanto, ganha mais a cada ano, mas a distância entre o salário e o custo de vida continua ampla. Enquanto isso, o número oficial de 2027 segue em aberto até o último mês deste ano.