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Apartamento em bairro nobre da Serra era usado para esconder arsenal de guerra

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Parte do arsenal encontrado no apartamento em Colina de Laranjeiras, na Serra. Crédito: Divulgação/Sesp.
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A Polícia Civil do Espírito Santo (PCES), por meio do Departamento Especializado em Narcóticos (Denarc), deflagrou na manhã de terça-feira (16) uma operação na Serra, Cariacica e Vila Velha que terminou com a prisão de dois suspeitos de fornecer armas a organizações criminosas. Entre o arsenal apreendido estão fuzis, pistolas, munições, acessórios táticos e um carro equipado com giroflex oculto, usado pela dupla para se passar por viatura descaracterizada.

A ação é desdobramento de uma investigação anterior do Denarc, que havia identificado uma família que usava um sítio em Viana para armazenar e distribuir drogas na região metropolitana. Ao aprofundar o trabalho, os investigadores chegaram a duas quadrilhas distintas que abasteciam essa família: uma fornecia drogas, outra fornecia armas. A partir daí, o foco da operação se voltou para os fornecedores de armamento.

Como aconteceu a prisão

Com provas reunidas, o Denarc representou pela prisão preventiva dos dois fornecedores e solicitou mandados de busca e apreensão em seis endereços ligados a eles. Um dos suspeitos, de 40 anos, foi preso em flagrante em um apartamento de 50m² no bairro Colina de Laranjeiras, na Serra, foi lá que a polícia encontrou a maior parte do arsenal, incluindo fuzis com numeração raspada. O outro, de 39 anos, foi preso na região de Porto Novo, em Vila Velha, também com arma de fogo e munição.

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No apartamento do primeiro suspeito, em Colina, os policiais também apreenderam um iPhone com restrição de furto, o que levou a um novo flagrante por receptação. Segundo o Denarc, ele já tinha passagem criminal por furto. Em outro ponto da ação, uma pistola foi encontrada dentro de um carro estacionado na garagem do condomínio. O veículo estava equipado com um giroflex escondido, dispositivo que simula luzes de viatura policial, e algemas. A suspeita da polícia é que o carro fosse usado para transportar armas sem chamar atenção, se passando por um veículo oficial.

Segundo a polícia, um dos detidos trabalha formalmente em uma empresa de energia elétrica e o outro tem uma distribuidora de gás, atividades que seriam paralelas ao esquema de venda de armas.

Investigação aponta fuzil de uso em competição

Entre as armas apreendidas, chamou atenção um fuzil de origem turca, modelo usado em competições de tiro, avaliado em cerca de R$ 30 mil no mercado formal. No mercado clandestino, segundo a polícia, esse tipo de fuzil pode chegar a valores entre R$ 40 mil e R$ 60 mil.

As armas serão submetidas a exame metalográfico para tentar recuperar a numeração raspada e identificar a origem do armamento. Em parceria com o Departamento de Homicídios e a Polícia Científica, os investigadores também vão verificar se alguma das armas já foi usada em crimes anteriores. De acordo com o Denarc, os fornecedores vendiam para qualquer comprador, sem vínculo fixo com uma facção específica, mas há indícios de relação com a região da Grande Santa Rita.

O delegado-geral da Polícia Civil, Jordano Bruno, destacou que retirar armamento pesado de circulação é uma das diretrizes centrais da atual gestão do Denarc. Segundo ele, fuzis como os apreendidos têm alcance de até 2 km e capacidade de perfurar paredes e lataria de veículos, o que aumenta o risco para moradores em casos de confronto. Jordano Bruno afirmou ainda que esse tipo de arma é frequentemente usado em disputas territoriais entre facções, com impacto direto nos números de homicídio do Espírito Santo.

O delegado Ricardo Almeida, chefe do Denarc, explicou que a dupla presa funcionava como fornecedora paralela da família detida na operação em Viana, vendendo armas que depois chegavam a traficantes de diferentes municípios da Grande Vitória.

Foto de Mari Nascimento

Mari Nascimento

Mari Nascimento é repórter do Tempo Novo há 24 anos. Atualmente, a jornalista escreve para diversas editorias do portal, principalmente para a de Política.

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