Um motociclista morreu após um grave acidente registrado no início da noite desta segunda-feira (11), na Avenida Norte Sul, nas proximidades do Parque da Cidade, em Laranjeiras, na Serra. A colisão aconteceu por volta das 18h30, no sentido Vitória, em um dos horários de maior movimento na região.
Segundo informações do Departamento Operacional de Trânsito da Serra (DOT), o motociclista seguia pelo corredor entre os veículos quando um carro teria mudado de faixa e atingido a moto.
Com o impacto, o motociclista perdeu o controle e acabou batendo na traseira de outro veículo que estava à frente. As informações foram apuradas pelo Portal Tempo Novo.
A vítima, um homem, morreu no local. Equipes foram acionadas para atender a ocorrência, e o trânsito ficou parcialmente interditado no trecho, com apenas a faixa da esquerda liberada para circulação.
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Maioria das vítimas fatais no trânsito da Serra são motociclistas
O acidente volta a chamar atenção para a violência no trânsito da Serra, principalmente envolvendo motociclistas. O município tem registrado uma sequência preocupante de mortes nas vias nos últimos anos, com crescimento expressivo em 2024 e 2025.
Dados consolidados com base em informações da Secretaria de Estado da Segurança Pública (Sesp) mostram que a Serra registrou 62 mortes no trânsito em 2020. Em 2021, o número caiu para 53. Já em 2022, houve salto para 79 mortes. Em 2023, o índice recuou para 60, mas voltou a subir em 2024, com 69 mortes.
O pior resultado da série recente ocorreu em 2025, quando a cidade chegou a 88 mortes no trânsito, o maior número do período analisado. Já em 2026, até abril, foram registradas 15 mortes, número que indica queda em relação ao ritmo observado no ano anterior.
Serra teve alta maior que a média do Estado
A comparação entre a Serra e o Espírito Santo também mostra a gravidade do cenário. Enquanto o Estado passou de 986 mortes no trânsito em 2024 para 1.020 em 2025, crescimento de 3,45%, a Serra saiu de 69 para 88 mortes no mesmo período, aumento de 27,5%.
Na prática, o crescimento proporcional das mortes no trânsito da Serra foi cerca de oito vezes maior que o registrado em todo o Espírito Santo.
Especialistas em trânsito apontam que acidentes envolvendo motos costumam ter maior risco de gravidade, já que o motociclista fica mais exposto em caso de queda, colisão lateral ou impacto traseiro. Por isso, vias de fluxo intenso, como a Avenida Norte Sul, exigem atenção redobrada de motoristas e motociclistas, principalmente nos horários de pico.
Presença nas ruas e fiscalização podem reduzir mortes
A série histórica também mostra que a redução das mortes está ligada à presença operacional nas ruas, fiscalização, organização do fluxo viário e ações preventivas. Entre 2021 e 2023, a Serra teve alguns dos melhores resultados da série, mesmo sem grande aumento de efetivo.
Nesse período, a cidade registrou marcos importantes, como o ano de 2021, quando foram contabilizadas 53 mortes, o menor número da série recente. Também houve meses em que o município deixou de liderar o ranking estadual de mortes no trânsito.
Já em 2024 e 2025, apesar de avanços estruturais, como frota nova, valorização salarial e equipamentos, os números voltaram a crescer. A leitura técnica desses dados indica que estrutura, sozinha, não reduz a mortalidade. A diferença aparece quando há estratégia operacional, presença nas ruas e integração entre órgãos públicos.
Em 2026, com reforço no número de agentes e retomada de ações operacionais, a Serra registra queda no ritmo de mortes até abril. A meta nacional, baseada nas diretrizes de segurança no trânsito, é reduzir pela metade o número de mortes até 2030.
