E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Tirou a vesícula. E agora? Precisa cortar gordura para sempre?

A vesícula funciona como um reservatório, armazenando a bile e liberando-a principalmente quando fazemos uma refeição com gordura.
Compartilhe:
vesícula
A alimentação após a retirada da vesícula deve ser individualizada. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

Se você ou alguém próximo já passou por uma cirurgia para retirar a vesícula, provavelmente ouviu algumas recomendações: “não pode comer gordura”, “vai ter que fazer dieta para sempre” ou até “nunca mais vai poder comer certas coisas”.

Mas será que é bem assim?

A retirada da vesícula, chamada colecistectomia, é uma cirurgia bastante comum. E uma das principais dúvidas depois do procedimento está justamente na alimentação.

Primeiro, é importante entender uma coisa: a vesícula não produz a bile. Quem produz é o fígado. A vesícula funciona como um reservatório, armazenando a bile e liberando-a principalmente quando fazemos uma refeição com gordura.

Depois da retirada, a bile continua sendo produzida pelo fígado, mas passa diretamente para o intestino. Por isso, durante o período de adaptação, algumas pessoas podem apresentar desconforto abdominal, gases, estufamento ou episódios de diarreia, especialmente após refeições muito gordurosas.

Então é preciso cortar a gordura?

Não necessariamente. O objetivo não é viver em uma dieta “zero gordura”. A gordura também faz parte de uma alimentação equilibrada e participa da absorção de vitaminas importantes, como A, D, E e K.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

O mais importante no período após a cirurgia é evitar grandes quantidades de gordura de uma só vez e observar como o próprio organismo reage.

Frituras, carnes muito gordurosas, embutidos, bacon, queijos muito gordurosos, molhos cremosos, fast-food e grandes quantidades de doces podem ser mais difíceis de tolerar no início.

Por outro lado, refeições menores, distribuídas ao longo do dia, podem facilitar a adaptação.

E o que colocar no prato?

Uma alimentação mais simples e equilibrada costuma ser uma boa estratégia:

• arroz, batata, mandioca e outros carboidratos conforme a tolerância;
• carnes magras, frango e peixes;
• ovos, observando a tolerância individual;
• frutas e verduras;
• feijão e outras leguminosas, conforme a tolerância;
• pequenas quantidades de gorduras boas, como azeite, conforme orientação e tolerância.

Também vale lembrar da hidratação e do consumo adequado de fibras. Porém, se houver diarreia ou muita sensibilidade intestinal, aumentar fibras de forma exagerada logo após a cirurgia pode piorar alguns sintomas.

E depois da adaptação?

Aqui está uma informação importante: a retirada da vesícula não significa uma sentença de restrição alimentar para o resto da vida.

Muitas pessoas conseguem voltar gradualmente à alimentação habitual após o período de adaptação.

Não existe uma lista universal de alimentos “proibidos” para quem não tem mais vesícula. A tolerância varia de pessoa para pessoa, e a evolução também depende de outros fatores relacionados à saúde e ao próprio procedimento.

Por isso, em vez de cortar alimentos indiscriminadamente, o ideal é observar sintomas, fazer uma reintrodução gradual e buscar orientação profissional quando necessário.

Seu corpo mudou uma etapa do processo digestivo, mas isso não significa que você precisa viver com medo da comida.

A alimentação após a retirada da vesícula deve ser individualizada, especialmente quando existem sintomas persistentes como diarreia frequente, dor abdominal, náuseas, perda de peso ou dificuldade para se alimentar.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

Leia também