Para muitos cachorros que vivem em apartamento, o passeio tem uma função bem prática: sair para fazer xixi e cocô. Já quem mora em casa costuma pensar o contrário: “Meu cachorro tem quintal, então não precisa passear”.
Nos dois casos, podemos estar esquecendo algo importante: para o cachorro, passear é muito mais do que ir ao banheiro ou gastar energia.
Enquanto nós enxergamos a rua, eles percebem uma enorme quantidade de informações pelo olfato. Cada árvore, poste ou pedaço de grama pode trazer cheiros de outros animais e mudanças no ambiente. Para um cão, cheirar é uma forma de explorar o mundo.
Por isso, um quintal – por maior que seja – não oferece necessariamente a variedade de experiências de um passeio. Depois de algum tempo, aquele espaço é conhecido. Lá fora, há novos cheiros, sons e caminhos.
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A ciência do comportamento animal mostra que o enriquecimento ambiental pode aumentar a exploração e a diversidade de comportamentos, contribuindo para o bem-estar dos cães. O olfato, um de seus principais sentidos, é uma parte importante desse processo.
Isso não significa que todo passeio precisa ser longo ou exaustivo. Mais intensidade nem sempre significa mais bem-estar. Idade, saúde e condicionamento físico devem ser considerados.
Mas algumas atitudes simples podem transformar a experiência: reserve momentos para o cão cheirar, varie o caminho quando for possível e permita que ele explore o ambiente com segurança, sem transformar cada saída em uma caminhada apressada.
Um passeio também não precisa ser perfeito. Em alguns dias, uma volta curta pode ser suficiente. Em outros, o cão terá disposição para caminhar mais. O importante é entender que o objetivo não é apenas cansá-lo.
Na próxima vez que seu cachorro parar para cheirar uma árvore, talvez ele não esteja atrasando o passeio. Talvez esteja, finalmente, aproveitando o passeio do jeito dele.

