E veja as notícias do Brasil e do ES com destaque nas suas buscas

Setembro Amarelo: suicídio entre jovens cresce 38% nas Américas e acende alerta

Dados da Opas mostram avanço das mortes entre pessoas de 10 a 24 anos; especialista alerta para sinais que famílias e escolas não devem ignorar
Compartilhe:
suicídio entre jovens
O percentual supera o crescimento de 17% observado na população geral. Crédito: Divulgação
Compartilhe:

O crescimento do suicídio entre jovens acendeu um alerta para famílias, escolas e profissionais de saúde. Enquanto os índices globais apresentam redução, as Américas registraram avanço expressivo nas últimas décadas.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) mostram que 18.157 jovens entre 10 e 24 anos morreram por suicídio no continente em 2021. Com isso, o suicídio aparece como a terceira causa de morte nessa faixa etária nas Américas.

Além disso, a taxa entre crianças, adolescentes e jovens aumentou 38% em pouco mais de duas décadas. O percentual supera o crescimento de 17% observado na população geral.

O avanço chama ainda mais atenção entre pessoas de 10 a 14 anos. O levantamento também aponta crescimento acelerado entre meninas e mulheres jovens.

Suicídio entre jovens reforça alerta no Setembro Amarelo

Os números ganham destaque durante o Setembro Amarelo, campanha dedicada à prevenção do suicídio e à valorização da vida.

De acordo com apuração, o debate também ocorre em um cenário de aumento dos problemas relacionados à saúde mental. Estudo publicado na revista The Lancet aponta que transtornos mentais atingem aproximadamente 1,2 bilhão de pessoas em todo o mundo.

Receba as notícias mais importantes do dia no grupo de WhatsApp do Tempo Novo

No Brasil, cerca de 45 milhões de pessoas convivem com alguma condição relacionada à saúde mental. Isso representa aproximadamente um em cada cinco brasileiros.

Além disso, estimativas da Organização Mundial da Saúde (OMS) apontam que 9,3% da população brasileira enfrenta transtornos de ansiedade.

A identificação precoce dos problemas pode fazer diferença. Especialistas estimam que metade dos transtornos mentais começa antes dos 14 anos. Apesar disso, muitos casos não recebem diagnóstico ou tratamento adequado.

Quais sinais merecem atenção?

Durante a infância e a adolescência, diferentes fatores podem aumentar o risco de sofrimento emocional intenso. Transtornos de humor, depressão, isolamento e impulsividade aparecem entre as condições que exigem atenção.

Por isso, familiares e educadores devem observar mudanças importantes no comportamento.

Entre os principais sinais estão alterações repentinas na rotina, afastamento de amigos, abandono de atividades antes consideradas prazerosas e mudanças marcantes no sono ou no apetite.

Frases relacionadas à falta de esperança, sensação de inutilidade ou desejo de desaparecer também precisam ser levadas a sério.

A médica neurocirurgiã pediátrica e neuropsiquiatra infantil Larissa de Sousa, da clínica Vidah Kids, reforça que adultos não devem tratar esses comportamentos como exagero.

A médica neurocirurgiã pediátrica e neuropsiquiatra infantil Larissa de Sousa, da clínica Vidah Kids, reforça que adultos não devem tratar esses comportamentos como exagero. Crédito: Divulgação

“O Setembro Amarelo cumpre o papel vital de derrubar o tabu e nos lembrar de que falar sobre sofrimento psíquico salva vidas. Na infância e na adolescência, nenhum desabafo ou mudança de comportamento pode ser rotulado como exagero ou mera busca por atenção. Trata-se de um pedido real de socorro”, afirma.

Segundo a especialista, identificar o sofrimento nos primeiros sinais permite iniciar o tratamento mais rapidamente. Dessa forma, crianças e adolescentes podem receber acompanhamento adequado antes do agravamento do quadro.

Família e escola ajudam na prevenção

O acompanhamento médico e multiprofissional também exerce papel importante na prevenção. Além disso, o apoio familiar e escolar amplia a rede de proteção ao jovem.

Nesse processo, adultos devem ouvir sem julgamentos e buscar ajuda profissional diante de mudanças persistentes de comportamento.

No Brasil, os números também preocupam. Dados citados pela Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam crescimento do risco de suicídio entre crianças e adolescentes, com avanço mais acelerado do que em outras faixas etárias.

Por isso, especialistas defendem que pais, responsáveis, professores e profissionais de saúde mantenham atenção aos sinais e incentivem o diálogo sobre saúde mental.

Onde buscar ajuda

Quem enfrenta sofrimento emocional ou conhece alguém nessa situação pode procurar ajuda especializada.

O Centro de Valorização da Vida (CVV) oferece atendimento gratuito pelo telefone 188, durante 24 horas por dia, todos os dias da semana.

Em situações de risco imediato, a orientação é procurar atendimento de urgência em um serviço de saúde.

Sobre a Vidah Kids: a clínica atua na atenção à saúde mental de crianças e adolescentes e reúne profissionais especializados no acompanhamento infantojuvenil.

Foto de Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli

Ana Paula Bonelli é repórter e chefe de redação do Jornal Tempo Novo, com 25 anos de atuação na equipe. Ao longo de sua trajetória, já contribuiu com diversas editorias do portal e hoje se destaca também à frente da coluna Divirta-se.

Leia também