As quedas de crianças representam um problema preocupante de saúde pública no Brasil. Em apenas dez anos, mais de 330 mil crianças com menos de 10 anos precisaram de internação hospitalar após sofrer esse tipo de acidente. Além disso, os números mais recentes mostram que o problema continua afetando milhares de famílias.
Os dados fazem parte de um levantamento da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), divulgado nesta quarta-feira (21) pela Agência Brasil. O estudo analisou registros do Sistema de Informações Hospitalares do Sistema Único de Saúde (SUS).
Entre 2016 e 2025, o país registrou uma média de 33 mil internações por ano. Já no primeiro semestre de 2026, quase 15 mil crianças precisaram de atendimento hospitalar com internação devido a quedas.
Diante desse cenário, especialistas reforçam a importância da prevenção. Afinal, muitos desses acidentes acontecem durante atividades cotidianas e podem ser evitados com medidas simples de segurança.
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Crianças de 5 a 9 anos são as principais vítimas de quedas
O levantamento revela que crianças de 5 a 9 anos concentram a maior parte das internações por quedas.
Nesse grupo, os hospitais registraram aproximadamente 193,8 mil casos entre 2016 e 2025.
Segundo a Sociedade Brasileira de Pediatria, essa faixa etária exige atenção especial. Isso porque as crianças começam a correr, praticar esportes e explorar novos ambientes com maior frequência.
Entretanto, muitas ainda estão desenvolvendo o equilíbrio e a coordenação motora. Por isso, o risco de acidentes aumenta.
Entre crianças de 1 a 4 anos, o levantamento identificou 110,1 mil internações.
Além disso, os hospitais registraram 26,7 mil casos envolvendo bebês com menos de 1 ano. Desse total, 3,7 mil acidentes ocorreram após quedas de camas ou outros leitos.
Quedas dentro de casa também preocupam especialistas
Embora muitas pessoas associem quedas a brincadeiras em parques e áreas externas, os acidentes também podem acontecer dentro das residências.
Camas, sofás, escadas, janelas e pisos escorregadios representam riscos, principalmente para crianças pequenas.
Por isso, a Sociedade Brasileira de Pediatria orienta que pais e responsáveis observem os perigos de cada ambiente.
Além disso, os cuidados precisam acompanhar o desenvolvimento infantil. Uma criança que começa a engatinhar, por exemplo, enfrenta riscos diferentes daqueles encontrados por outra que já corre e anda de bicicleta.
A supervisão de um adulto também é fundamental. Dessa forma, as famílias podem identificar situações perigosas antes que provoquem acidentes.
Como evitar quedas de crianças?
A Sociedade Brasileira de Pediatria recomenda medidas de prevenção conforme a idade.
Bebês de até 1 ano
- Nunca deixar o bebê sozinho em camas, sofás ou trocadores.
- Priorizar brincadeiras no chão, em ambiente protegido.
- Manter supervisão próxima durante os primeiros movimentos.
- Segurar o corrimão ao transportar bebês pelas escadas.
- Evitar deixar bebês sob os cuidados exclusivos de outras crianças.
Crianças de 1 a 4 anos
- Instalar telas de proteção em janelas e sacadas.
- Afastar móveis de janelas e locais elevados.
- Evitar brincadeiras em pisos molhados.
- Redobrar os cuidados em escadas e perto de piscinas.
- Escolher brinquedos adequados à idade.
- Manter a supervisão de um adulto durante as brincadeiras.
Crianças de 5 a 9 anos
- Acompanhar brincadeiras em parques, árvores e locais elevados.
- Incentivar o uso de capacetes, joelheiras e cotoveleiras.
- Evitar bicicletas e patinetes em vias públicas.
- Orientar sobre os riscos de brincar em muros e lajes.
- Evitar o uso de celulares durante caminhadas e brincadeiras.
Quedas infantis preocupam em todo o Brasil
O levantamento também identificou diferenças entre os estados brasileiros.
São Paulo lidera o número de internações de crianças por quedas, com 71,7 mil registros entre 2016 e 2025.
Em seguida, aparecem Minas Gerais, com 33,4 mil casos, e Bahia, com 27,2 mil.
Outros estados também apresentam números elevados, como Paraná, Ceará, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Pará.
Entretanto, a reportagem da Agência Brasil não apresentou um número específico de internações no Espírito Santo.
Ainda assim, o alerta vale para famílias de todo o país, inclusive da Serra. Afinal, a prevenção depende de cuidados constantes em residências, escolas, parques e espaços de lazer.
Prevenção pode reduzir acidentes com crianças
A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que identificar os riscos antecipadamente é uma das principais medidas para evitar quedas.
Por isso, pais, responsáveis e educadores devem observar os ambientes frequentados pelas crianças e adotar medidas adequadas a cada faixa etária.
Além disso, a atenção precisa continuar mesmo quando a criança já consegue caminhar e brincar sozinha.
Dessa maneira, pequenos cuidados podem evitar acidentes graves e reduzir o número de crianças que precisam de internação hospitalar.
Com informações da Agência Brasil e da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP).