O apito final não encerrou apenas uma partida. Para milhões de brasileiros, ele interrompeu um sonho coletivo. Poucos países vivem o futebol como o Brasil. Aqui, a Seleção não representa apenas onze jogadores em campo. Ela carrega uma parte da nossa identidade, da nossa história e da imagem que construímos de nós mesmos como povo. Talvez por isso uma derrota provoque reações tão intensas.
Nas próximas horas, veremos a procura por culpados. Técnicos serão questionados. Jogadores serão transformados em heróis ou vilões. Nas redes sociais, a emoção falará mais alto que a razão. É um comportamento profundamente humano: quando a dor aparece, procuramos alguém para carregá-la.
Mas a psicologia nos ensina que existe uma diferença entre sentir a frustração e ser dominado por ela.
A partida contra a Noruega revelou isso dentro e fora de campo. Quando o resultado já parecia definido, alguns atletas reagiram movidos pela impulsividade, enquanto outros responderam com serenidade. Nenhuma dessas reações nasceu naquele instante; elas apenas revelaram como cada um lida com a pressão, com o fracasso e com a própria vulnerabilidade.
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É curioso observar que, muitas vezes, o brasileiro exige dos jogadores aquilo que também encontra dificuldade em praticar: aceitar uma derrota com maturidade.
Perder nunca será confortável. Mas há uma derrota ainda maior do que deixar uma Copa do Mundo: permitir que a frustração nos faça esquecer o respeito, a humildade e o equilíbrio.
O futebol acaba.
A forma como escolhemos viver nossas emoções permanece.