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Serra, 18 de Janeiro de 2019 às 9:07

Procura por armas de fogo cresce 30% na Serra


As vendas já vinham crescendo desde dezembro em loja no município. Foto: Agência Brasil

Bruno Lyra / Conceição nascimento

O decreto do presidente Jair Bolsonaro (PSC) que facilita a posse de armas de fogo no Brasil já tem reflexo na procura por armamento na Serra. Na única loja dedicada a armas na cidade e que fica localizada em Carapina, a procura por revólveres, pistolas e espingardas aumentou 30% desde a última terça-feira (15), data da publicação do decreto.

A reportagem esteve na loja na manhã de ontem (17). Um vendedor, que não autorizou a publicação de seu nome, disse que as vendas já haviam aumentado 5% de dezembro para a cá, mas a procura disparou essa semana.

“Tem muita gente curiosa, querendo se informar e saber quais são os procedimentos para adquirir arma de fogo. Além de estar recebendo muitas pessoas interessadas na loja, o telefone e as mensagens de What’sApp não param. A garganta fica ardendo e até falha a voz de tanto que estou falando esses dias”, contou o vendedor.

Na loja, além das armas, há estande para a prática de tiro, curso e despachante para o interessado em comprar armamento. As armas só podem ser adquiridas se o interessado conseguir a licença. Sobre munição o vendedor disse que permanece a regra anterior, sendo 50 por ano para revólver e 200 para espingardas.

Dentre as principais mudanças trazidas pela nova regra, está o fato de, ao decidir sobre a emissão da licença, a Polícia Federal ter que presumir como verdadeiras as declarações do próprio requerente sobre a efetiva necessidade do porte. Além disso, o decreto deixou amplas tais justificativas. Outra mudança foi o aumento do prazo de validade do registro de cinco para dez anos.  

O decreto refere-se apenas a posse, que é a manutenção da arma em residência ou comércio de possuidor do registro. O porte, que é poder andar armado, continua proibido, assim como o uso de armas de grosso calibre e automáticas. Nestes dois casos, apenas forças de segurança podem usar, tal como já era na regra anterior.   

Mais facilidade de acesso gera questionamentos

Para a vice-presidente do Conselho de Direitos Humanos da Serra, Marta Falqueto, o decreto vai aumentar o índice de assassinatos, ranking em que a cidade é líder há mais de 20 anos no ES.

“Quanto mais armas por aí, mais violência. Como uma coisa feita para matar vai defender vida? Já bastam os órgãos que por Lei precisam usar para cumprir o papel de mantenedores da ordem”, argumenta.

O secretário de Segurança do ES, Roberto Sá, vê com ressalvas a nova regra. “Torço para que o resultado seja bom, mas tenho receio fundamentado. Minha experiência no Rio de Janeiro é dramática no ponto arma de fogo. O número de armas circulando tem sido um problema. Eu não estou fazendo uma crítica, até porque eu acho o princípio da autodefesa interessante. Por outro lado, penso que temos que tentar, com mais prioridade, enfrentar e criar programas de desarmamento ao criminoso. Não sei se vamos conseguir desarmá-lo com mais armas nas casas”, pontua.  




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