Posto de gasolina da Serra é fechado em operação da PF por vender combustível adulterado

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Posto de gasolina situado em frente ao Terminal de Carapina estava vendendo combustível adulterado. Foto: Divulgação
Posto de gasolina situado em frente ao Terminal de Carapina estava vendendo combustível adulterado. Foto: Divulgação

A Polícia Federal e a Polícia Rodoviária Federal (PRF) deflagraram, na manhã desta terça-feira (12), a Operação Naftalina, que tem como objetivo, identificar e prender integrantes de uma organização criminosa responsável pela adulteração de combustíveis que são vendidos em postos da Grande Vitória; um deles fica situado na Serra.

Ao todo, 15 pessoas foram presas, entre eles o chefe da quadrilha – um miliciano que é ex-vereador da cidade de Duque de Caxias, no Rio de Janeiro. Também foi preso um contador do Espírito Santo, que foi apontado como o responsável por abrir empresas de fachada para operação do esquema.

Além dos suspeitos presos, oito postos de combustíveis foram fechados na Grande Vitória, a maioria fica situada em Cariacica, mas um deles é da Serra. Trata-se do ‘Posto Nova Marca’, situado na avenida Norte Sul, ao lado do Terminal de Carapina, em Rosário de Fátima (veja os demais postos abaixo).

De acordo com o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), que também apoiou a ação, informou que em razão da grande quantidade de ordens judiciais, a ação contou com a participação de aproximadamente 160 policiais federais e rodoviários federais, além de 4 auditores da Receita Federal e uma equipe da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus) destacada para o recebimento e transporte dos presos.

A investigação contou com apoio também da Receita Federal e demonstrou que, pelo menos desde o início de 2020, a organização criminosa vem recebendo irregularmente cargas de álcool hidratado e de nafta solvente, oriundos de outros Estados da Federação, promovendo adulteração de combustíveis e vendendo-os em postos situados na Grande Vitória.

No comando dessa estrutura criminosa foi identificado um miliciano do Estado do Rio de Janeiro, já preso, que além de utilizar outras pessoas para ocultar o patrimônio auferido com os crimes e os reais operadores do esquema, ainda investia a maior parte dos lucros em outras atividades criminosas ligadas à milícia.

O objetivo das ações de hoje, além do cumprimento das ordens judiciais, foi a obtenção de novos elementos de prova que possam permitir o prosseguimento das investigações.

Postos de combustíveis fechados nesta terça:

  • Posto Gallo – Rodovia Governador José Sete, Cariacica
  • Posto São GeraldoCruzamento – Rua São Roque com Rua Águia Branca, Vale Encantado, Vila Velha
  • Posto Frontier – cruzamento da Rua Vicente Celestino com a Rua Santana, Campo Grande, Cariacica
  • Posto As Eirelli – Avenida Fernando Antônio, 579, Bela Aurora, Cariacica
  • Posto Nova Marca – Rodovia Norte-Sul, ao Lado do Terminal de Carapina, Rosário de Fátima, Serra
  • Posto Jupter – Rodovia do Sol, 1796, Praia de Itaparica, Vila Velha
  • Posto Bremenkamp – cruzamento da Avenida Bahia com a Rua Mariano Firme, Valparaiso, Cariacica
  • Posto Rio Marinho – cruzamento da Rua Principal com Rua Ovídio, Rio Marinho, Cariacica

Entenda o caso

As primeiras ações relativas à Operação Naftalina ocorreram após uma série de abordagens a veículos tanque realizadas pela Polícia Rodoviária Federal, que percebeu irregularidades nas notas fiscais de cargas de nafta solvente e álcool hidratado oriundos de outros Estados da Federação.

Havia indicativos de empresas fantasmas, de fachada e de emissão de notas fiscais falsas por trás das cargas transportadas que dificultava a fiscalização durante o transporte.

Após reunirem um conjunto sólido de dados, os fatos foram trazidos ao conhecimento da Polícia Federal e iniciou-se assim uma investigação que permitiu identificar pessoas e empresas, estruturadas em uma grande organização criminosa, envolvidas na receptação, distribuição e venda de combustíveis adulterados.

Em síntese, a organização adquiria cargas de nafta solvente e álcool hidratado em outros Estados da Federação e as desviavam para a Grande Vitória. Uma vez no Estado, o material era levado até um pátio clandestino em Vila Velha/ES, onde os dois materiais eram misturados e a eles adicionados um corante para dar coloração de gasolina.

Na sequência, as misturas adulteradas eram então distribuídas em pelo menos 8 postos de combustíveis da organização criminosa, situados em sua maioria no município de Cariacica para venda ao consumidor final.

Vale ressaltar que os bens empregados nas atividades ilícitas, em especial os caminhões e os postos de combustíveis, estão em nomes de “laranjas” e foram adquiridos por meio de valores provenientes de outros crimes e por meio do próprio desenvolvimento da atividade criminosa atual.

Foi possível concluir que a organização criminosa desviou um montante de 1.375.352 litros de nafta solvente e cerca de 371.200 litros de álcool hidratado, perfazendo o litro da “gasolina adulterada” o montante aproximado de R$ 3,15.

Considerando os valores atualmente praticados no mercado, em que o litro de gasolina é comprado, em média, por R$ 7,00, estima-se que os criminosos chegavam a lucrar mais de 100% com o esquema investigado, o que permite projetar um lucro com a atividade ilegal de mais de R$ 6 milhões.

Nome da operação

O nome escolhido é uma alusão à mistura fraudulenta de combustível realizada pelos criminosos com a utilização da nafta solvente, uma naftalina.

Foto de Gabriel Almeida

Gabriel Almeida

Jornalista há 11 anos, Gabriel Almeida é editor-chefe do Portal Tempo Novo. Atua diretamente na produção e curadoria do conteúdo, além de assinar reportagens sobre os principais acontecimentos da cidade da Serra e temas de interesse público estadual.

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